<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682</id><updated>2012-01-27T12:34:30.226-08:00</updated><title type='text'>Vaga Noite</title><subtitle type='html'>Textos meus, textos seus, textos nossos... quaisquer e vagos... diurnos e noturnos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>159</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5512748136975832533</id><published>2012-01-22T10:22:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T12:24:07.739-08:00</updated><title type='text'>Eu e os outros</title><content type='html'>Sinto tremer em mim a vontade de não sair de casa. Então retorno, desfazendo aquela metade de caminho que eu começava a construir. Quando chego, ainda ouço os ruídos que se originam nos apartamentos vizinhos. Não posso evitá-los, o vão central do prédio nos une e eu sei de toda a sua vida através do basculante da cozinha. Confundo-me com eles, inclusive, achando que suas crises, seus conflitos, seus dilemas me pertencem. Enquanto descasco a cenoura, corto o pepino, tempero o feijão, ouço tudo o que dizem. Não seria diferente hoje, dia em que o denso calor de janeiro resolve obstruir minhas passagens de ar. Era necessário que eu pudesse lacrar a casa inteira, cerrar a cortina, envolver-me em minhas fronteiras, quem sabe queimar um incenso suave de dama da noite. Mas os ruídos, eles atravessam as paredes. As paredes, elas não demarcam nada. Vidas e vidas se misturam nessa torre quadrada de apartamentos conjugados. Há um ano e meio moro aqui. E o máximo que posso fazer, nessa áspera tarde de verão, é tomar um banho frio, lavar a cabeça, ligar o ventilador de teto, deitar-me no chão, de costas, e não me relacionar com ninguém, apenas comigo mesma e com um ou outro livro que venha a me interessar nas próximas horas. Voltar toda a minha atenção para mim mesma e os objetos que um dia coloquei nesse apartamento, ainda que meu ouvido não possa escapar do barulho do inseticida num dos apartamentos ao lado que, com sua agudeza inconfundível, estraçalha quimicamente uma barata. E, na sequência, o baque seco e breve do chinelo complementando o ato de matar. Acompanho, em imaginação, com a ajuda dos sons, a vida inteira dos meus vizinhos e dos bichos que invadem suas casas. Esse deve ser um dos sinais da pós-modernidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5512748136975832533?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5512748136975832533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5512748136975832533' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5512748136975832533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5512748136975832533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2012/01/eu-e-os-outros.html' title='Eu e os outros'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5300135588116555082</id><published>2012-01-15T12:32:00.000-08:00</published><updated>2012-01-15T12:37:35.243-08:00</updated><title type='text'>R$1,99</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nFd9pAsgdJg/TxM4_Q2lCjI/AAAAAAAAAHs/YrfPQQ5F7dY/s1600/presente.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 233px; height: 217px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-nFd9pAsgdJg/TxM4_Q2lCjI/AAAAAAAAAHs/YrfPQQ5F7dY/s320/presente.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697960613060610610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As pessoas já vão chegando, devagarzinho, um pouco caladas, um pouco tensas, aflição rasteira que perpassa todos nós. Final de ano é sempre a mesma lengalenga e me acompanha um estado de espírito paradoxal: vontade de aproveitar a chance de recomeço que essa época inspira junto com forte ansiedade formigando nos pés e nas mãos pelo desconforto de ter que sorrir mais do que eu gostaria e desejar ‘boas festas’ a quem não se tem vontade de esboçar sequer um olá sem convicção. A cereja desse bolo indigesto é o amigo oculto do trabalho. Esse mesmo que já vai começar.&lt;br /&gt;Estou com meu embrulho na mão. Tirei o Gustavo. Bem, poderia ser pior, eu poderia ter tirado o chefe. Ano passado lembro a Marcinha, embaraçada toda vida, na frente de todos, um sorriso que não podia ser mais amarelo, dizendo que “a pessoa que eu tirei é legal, sempre procura ver o lado de todo mundo” e por aí vai, para todos adivinharem de imediato que ela havia sorteado o chefe (e isso mais por um rubor de dar pena do que pela veracidade dos adjetivos que ela catava com desespero). Quanto ao Gustavo, às vezes é simpático, às vezes nem te cumprimenta, o que pode torná-lo insuportável, porque quem é que agüenta conviver diariamente com um sujeito que não se sabe se vai te dar uma patada ou te fazer um afago? Quase preferível o que sempre dá patada, porque com esse pelo menos a gente sabe como lidar: se afasta sem dó e, sobretudo, sem culpa! Tirando seu humor de lua, não sei muito sobre o Gustavo. Como presenteá-lo? Caixa de bombons seria o presente ideal pra todo amigo oculto, difícil alguém não apreciar chocolate, mas dar sempre a mesma coisa pode causar má impressão. Sabe-se lá se vão começar a me achar uma pessoa sem criatividade, se vão construir uma péssima imagem de mim, se daqui a pouco me mandam embora?&lt;br /&gt;Agora chegou a Soraia, a telefonista. Bela voz, mas não queira, por exemplo, encontrá-la no elevador depois do almoço, porque ela não vai parar de falar e seu assunto preferido é doença. Tem sempre uma dor, sempre alguém na família internado, sempre uma consulta marcada, uma queixa. Seria até fácil tirar a Soraia. Compraria um guia medicinal de chás, até aí tudo bem. E na hora de descrevê-la eu diria: “A pessoa que eu tirei preza muito a saúde”, e todos adivinhariam e a tortura de ter que adjetivar o amigo oculto acabaria em instantes. Amigo oculto, que pasmaceira, quem é que inventou isso e pra que tantas regras!? Odeio! Mas, se não participar, além de pouco criativo vão me achar antipático, pouco flexível, e até pode ser que digam que não sei trabalhar em equipe. Daí pra demissão não vai custar muito. &lt;br /&gt;A Júlia chegou aqui perto, tentou entabular uma conversa fútil, dessas de pausa do cafezinho. Acho que ela está tão nervosa quanto eu, e eu, quando nervoso como agora, não consigo conversar, não consigo ingerir nada, viro um robô casmurro. A Júlia até que seria fácil de presentear, mas descrevê-la na frente de todos é que não seria uma fácil tarefa. O que dizer daquela moça tão apagada, tão sem sal, tão toupeira? Amigo oculto, quem inventou essa desgraça!? Mentira e falsidade correm soltas nessa tola brincadeira natalina. O final do ano poderia ser quase ótimo se não fosse isso de ter que presentear aquele que você só atura porque é seu colega de trabalho, aquele de quem você não tem nada pra dizer de bom, aquele que você adora ficar sem ver nos seus trinta dias corridos de férias. E com o risco de ganhar algo que não tem nada a ver com você (o que comumente acontece, uma vez que as pessoas do trabalho mal te conhecem e não sabem o que você realmente desejaria ganhar e que, além de tudo, vão comprar qualquer bobagem na loja de 1,99!).&lt;br /&gt;E quem terá me tirado? Hum, essa é a pior parte: quando você percebe que aquele do qual estão falando no centro da roda pseudo-animada é justamente você! E estão te qualificando de uma série de coisas que você não poderia imaginar que formassem um conceito de você! Você passa a descobrir, do modo mais traumático do mundo, como é que as pessoas te vêem, e vai percebendo, para piorar tudo, que todos os colegas e desafetos de trabalho adivinham prontamente que você é aquele que está sendo descrito e que você jamais imaginaria que fosse você! E depois de um presente insosso e quebradiço, você tem que sorrir, já sem saliva alguma na boca, desejando morrer. Por fim, volta para o seu lugar, tentando suportar o final da festa, atravessado por uma severa melancolia e com a pesada obrigação de continuar a ser agradável. Até que tudo se repita no próximo natal. Ah, em outro mundo, com seres supra-humanos bem mais evoluídos, tudo seria diferente, não? Como estaremos daqui a seiscentos mil anos? O que sobrará da espécie humana? Comemorar-se-á o natal ainda? E que práticas igualmente estúpidas serão hábito arraigado entre as pessoas? Ainda bem que descobriram um novo planeta em que pode ter vida como a nossa. Ainda resta uma esperança e é por isso que meu presente ao Gustavo, meu amigo oculto de humor oscilante, o chato do departamento de pessoal, é um pequeno globo terrestre, enfeite singelo e original que me inspira algum alívio, e espero que comece logo a brincadeira torturante para eu me livrar logo disso. Pelo menos não me custou muito: 1,99, que parece ser o valor de nosso mundo atualmente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Conto para o último Clube da Leitura de 2011, realizado em dezembro, cujo mote era o natal e uma reportagem sobre um novo planeta descoberto.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5300135588116555082?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5300135588116555082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5300135588116555082' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5300135588116555082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5300135588116555082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2012/01/r199.html' title='R$1,99'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-nFd9pAsgdJg/TxM4_Q2lCjI/AAAAAAAAAHs/YrfPQQ5F7dY/s72-c/presente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1369598374003000474</id><published>2012-01-09T13:35:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T12:27:25.251-08:00</updated><title type='text'>A viagem de Cida</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jYqrSfRHPTE/Tw7Vl_yttiI/AAAAAAAAAHg/FldiVX9GiTQ/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 182px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-jYqrSfRHPTE/Tw7Vl_yttiI/AAAAAAAAAHg/FldiVX9GiTQ/s320/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5696725427426276898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fiz as contas mentalmente... quinze... dezesseis... dezenove... vinte e um... vinte e cinco... vinte e cinco? vinte e cinco! Peraí, será que é isso mesmo, posso ter errado, não é muito? Refiz, embora eu fosse boa em contas rápidas. Vinte e quatro... vinte e cinco sim! Faríamos vinte e cinco anos de amizade apesar de nem sermos tão antigas(nada antigas!) assim... Era isso mesmo... Enquanto eu esperava a Cida chegar ao cinema, ficava me lembrando de tudo, do tempo, das quantidades, dos espaços e das vivências percorridas... Era isso mesmo, havíamos nos conhecido no colégio, o velho primário que nem mais tem esse nome... &lt;br /&gt;Lembra, lembra da diretora, a dona Ezyr? Talvez ela lembrasse, eu puxaria o assunto. E quem é que esquece da velha rabugenta, que gritava do alto da escada, que mandava o colégio inteiro fazer filas, se formar, cantar o hino, quem é que esquece dos gritos dela quando estudávamos na maior sala de aula do colégio, no topo de tudo (era o topo de tudo, para mim, à época, a sala de aula chamada de 'salão', status ampliado para quem iniciava o ginásio), quando chegáramos à antiga quinta série, o último ano que eu e Cida fizéramos na escola? Quem é que pode esquecer da voz rouca da velha anunciando (irônica, hoje percebo): "tô chegando... tô chegando...", enquanto subia as escadas e se aproximava, e a algazarra da turma ir se recolhendo assustada, enquanto o furacão-dona-Ezyr ainda não havia passado? Lembrei de um episódio: a Cida levou um brinquedinho da época (saudosos anos 90), chamado fluf, que entrou na moda em pouco tempo, mas ela, como de praxe, a Cida, fora a primeira a levar a novidade à escola (a Cida sempre tinha umas novidades dos States). Não me lembro de quem era a aula - matemática da dona Vanda? geografia do professor Cléber? ciências da dona Clio? -, mas o fato é que a Cida, que não era muito bagunceira, começou um movimento estranho de jogar o fluf (aquela bolinha peluda de plástico, fofinha de pegar) para nossos colegas e, enquanto o professor (quem? quem?) virava-se para o quadro-negro para escrever a matéria, nós jogávamos entre a gente, a turma imensa, as gargalhadas e risinhos contidos, a euforia querendo estourar, a alegria de estar fazendo besteira, uma trivial besteira que gostávamos tanto de conseguir fazer... a turma em um jogo cínico, que pausava quando o professor virava-se para nós, até que a dona Ezyr chegara no momento da brincadeira! O susto! De quem era o brinquedinho felpudo? Da Cida! Deve ter sido a única vez em que a Cida perdera o recreio...  &lt;br /&gt;Olhei para o relógio, dez minutos haviam se passado, Cida vinha de Niterói, sua última mensagem: "Vera, tô na ponte. Me aguarde!". Como eu fora capaz de lembrar de algo que ficara ausente de minha memória durante tantos anos? Em que gaveta esse episódio do fluf se escondera? Éramos outras pessoas! Crianças! 11 anos! E agora, com mais de trinta, quanta coisas vivêramos, cada uma de nós, em nossas vidas, o quanto havíamos mudado? Éramos adultas, formadas, profissionais, eu já tinha umas boas dúzias de fios de cabelo branco querendo se apropriar do terreno. Quem podia imaginar que chegaríamos naquilo: naquelas pessoas que éramos? O tempo é estranho... E agora a Cida vinha para uma de suas últimas sessões de cinema no Rio de Janeiro. Em menos de um mês mudar-se-ia para Nova Iorque. Sua ideia era permanecer um ano por lá, algo assim. Mas eu sabia: meus amigos que viajavam para outras cidades e países tinham um cronograma de x tempo e acabavam ficando 3x tempo, 4x tempo, x + y tempo... Em outro país. Distante... Bem longe da rua da escola. Bem longe da dona Ezyr, que é possível que estivesse morta hoje. Longe dos caminhos usuais. &lt;br /&gt;A verdade é que a vida moderna distancia as pessoas, a vida adulta! Sim, eu não via a Cida sempre. Na infância, dez minutos separavam nossas casas. Ela morava em uma pequena rua transversal à minha. Fizéramos clubinhos, brincadeiras, briguinhas, intrigas, amizades e inimizades, fizéramos festas e planos, viagens também. Fizéramos espuma com banheira da Barbie. Fizéramos até mesmo um jornalzinho, quando crianças. E, com o tempo, as escolhas, os caminhos, sim, não nos víamos com a frequência com que nos víamos naqueles anos da escola. Mas amizade de escola tem algo de eterno, a não ser que se mude muito, e não fora o caso, apesar das mudanças. Talvez houvéssemos mudado em iguais veredas, em proporções semelhantes. Sim, mudáramos, porque é impossível não mudar, mas na mesma sintomia, em dimensões vizinhas. Mesmo sem ver a Cida durante anos, quando a encontrava, era como se fosse aquela mesma atmosfera dos anos infantis. Ela não era uma estranha. Não havia silêncio constrangedor. Eu não ficava sem saber o que dizer. Eu não temia que ela me estranhasse, ainda que me estranhasse, porque a Cida costumava estranhar as coisas, mas era o estranhamento dela, que sempre fora dela, e não um estranhamento que une e desune pessoas de fato estranhas entre si. E pensar naquilo - na ausência de espaço e tempo entre duas afetividades - me deu um certo alívio, porque só mesmo uma tal ausência explica tanta familiaridade em esparsos reencontros.&lt;br /&gt;Cida chegou. Em ponto (eu havia chegado antes). Compramos os ingressos e as pipocas. Sim, estávamos fazendo algo que fazíamos muito quando pequenas. Estávamos vendo filmes. E quando ela voltasse de Nova Iorque nada nos impediria que fôssemos ao cinema mais uma vez. Era o que, inequivocamente, acabaria acontecendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1369598374003000474?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1369598374003000474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1369598374003000474' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1369598374003000474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1369598374003000474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2012/01/viagem-de-cida.html' title='A viagem de Cida'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jYqrSfRHPTE/Tw7Vl_yttiI/AAAAAAAAAHg/FldiVX9GiTQ/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7342122712045406323</id><published>2011-12-30T11:59:00.000-08:00</published><updated>2011-12-30T12:25:32.339-08:00</updated><title type='text'>Notícias de Edivaldo</title><content type='html'>Era perto do ano novo. Todos naquele clima de virada, de promessas, de futuras dietas, de roupas brancas. O carteiro chamou. Vinha uma carta de um amigo que eu não via há muitos anos. O Edivaldo. Ele mesmo! Havia se mudado com a filha e a esposa para Roraima. Era militar. Tinha essas coisas de ser transferido. Quando ele contou a notícia de que teria de se mudar, fiquei com vontade de chorar. O meu melhor amigo ia embora, aquele que durante a faculdade me explorava nos trabalhos em grupo, aquele que colava de mim nas provas do colégio, mas que era o mais engraçado e tão problemático quanto eu, daí nossa imensa afinidade. Eu gostava da amizade dele porque ele era um problemático que disfarçava e eu achava que, só de estar ao seu lado, poderia imitá-lo e me tornar uma problemática que ninguém sabe que é. Ele era tímido e inseguro mas parecia muito dono de si. Era quase um atleta, com sua rotina de acordar cedo, ir à praia, caminhar, correr, andar de bicicleta. Eu não sabia fazer nada daquilo, mas dançava melhor que ele e escrevia melhor também, embora ele jurasse a si mesmo que não (e eu sabia ler alguns de seus pensamentos, melhor até que ele). A gente ficava nessas competições inúteis e acabou que, com o passar dos anos, ele se tornou meu confidente, e eu dele, até que outros amigos do sexo oposto viessem, para um e para outro. Era ótimo ter um confidente do sexo masculino. Eu podia saber as opiniões de um legítimo representante da macheza brasileira. E ele era legítimo mesmo, quase um puro sangue! &lt;br /&gt;O fato é que nós crescemos juntos, essa é a verdade. Fizemos a mesma faculdade, nos formamos na mesma profissão, lamentamos juntos os fracassos, as frustrações, as dificuldades do mercado de trabalho, estudamos e lemos livros juntos, colocamos em prática 34% de nossos planos juvenis e sempre que nos escrevíamos falávamos em nossos longos e inumeráveis ps que realizaríamos em breve os outros 66% (entre os quais fundar uma instituição pan-total, um lugar que oferecesse de tudo um pouco, de psicanálise a rituais religiosos de quaisquer credos, de cursos de malabarismo a esportes radicais, de oficinas de fazer amigos a aulas de memorização da história mundial, de práticas sadhus a cursos de como paquerar com sucesso na noite carioca, e por aí vai). Mas depois que ele foi para Roraima, nosso contato foi diminuindo, apesar dos facebooks, skypes e aeroportos da vida. &lt;br /&gt;O engraçado foi o inusitado daquela carta escrita a mão, que o carteiro entregou após chamar no portão. É, o Edivaldo sabia ser inusitado. Ele tinha uma agenda de contatos que deve ter sumido após o casamento, assim como tinha umas bicicletas que quase voavam. Ele sempre tinha uma opinião resmungona também. Mas aquilo de escrever carta era demais.&lt;br /&gt;Reconheci a letra no envelope na hora (afinal, estudáramos juntos tantas vezes que, mesmo ele indo na minha aba na faculdade, ao menos eu o fazia copiar as questões de alguns trabalhos que fazíamos em grupo) e abri rapidamente: o que ele estaria aprontando agora? Fiz as contas mentalmente: a filhinha dele, Clarissa, devia estar com sete anos. Do envelope, caiu uma foto: a menina estava linda. Desdobrei a carta, uma folha de papel com aquela letrinha espremida dele. &lt;br /&gt;"Querida Vilma, estou voltando em breve! E nada melhor do que as notícias escritas com a letra da emoção! Não vejo a hora de voltar, de rever minha família, meus velhos amigos, minha cidade, não vejo a hora de ir à Lapa dar um rolé, como estará a Lapa, aquela mesma à qual fui tantas vezes e em cujo prato cuspi tantas outras? Como estará tudo? Estou comprando um carro e vamos todos fazer uma viagem, quando eu chegar. Minha volta está prevista para março. Vá marcando suas férias, vá dando seu jeito, comigo agora é assim, depois que virei milico deixei a indecisão de lado, aquela indecisão adolescente de faculdade e resolvo tudo com uma ordem ou duas. E vamos falar com nossos velhos amigos problemáticos: Brenão, Gustavinho, Brunona, Miguel, Queila. Vamos dar um rolé pela Costa Verde pra matar as saudades dos velhos tempos! E a Clarissa vai comigo, que ela tá amarradona em esporte radical e resolveu que quer ser poeta. Você tem que ler as poesias dela! Grande abraço, daqueles calorosos!"&lt;br /&gt;Fechei a carta feliz e imaginei como ia caber aquela gente toda dentro do carro: o Brenão era enorme, como o nome diz; a Brunona só não era mais Brunona porque tinha um Brenão pra superar; e mais o Miguel, a Queila, o Gustavinho. Como seria aquilo? Será que ele comprara um daqueles super carros mega enormes em que cabe uma família italiana inteira? O que estaria aprontando meu grande amigo Edivaldo? O fato é que ele estaria voltando. E que os amigos sempre voltam. Fechei a carta com uma certeza: as distâncias são sempre relativas e voltam a ser tão pequenas como nos velhos tempos. Os amigos voltam, os intervalos acabam, as pessoas vêm e vão. E quando a gente olha pra trás e vê o tempo que passou longe, aquilo não era nada. Na porta dos quarenta anos, Edivaldo estava voltando com a filha atleta e em breve todos nós estaríamos na estrada, rindo como nos anos da faculdade. Quem sabe o Brenão poderia levar sua namorada? Aquela que ele demorou tanto pra encontrar? Disso o Edivaldo não sabia, mas seria a primeira novidade que escreveria no e-mail que mandaria a ele, naquela mesma noite (porque responder por carta também já é demais!).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7342122712045406323?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7342122712045406323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7342122712045406323' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7342122712045406323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7342122712045406323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/12/noticias-de-edivaldo.html' title='Notícias de Edivaldo'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8093600053831509922</id><published>2011-12-30T09:41:00.000-08:00</published><updated>2011-12-30T09:43:25.620-08:00</updated><title type='text'>Sentada na Sala</title><content type='html'>Ela estava sentada na sala no escuro sabendo de tudo silente cansada na sala sentada sentindo saudade no escuro silente da sala que mente que é bela que é doida que é forte na sala sentindo o cheiro de sal na salada sadia do almoço tardio. Na sala, ela, sozinha, silente, no escuro, pensava em ciladas... Com medo de tudo no escuro as sombras com medo do nada de si e do mundo com medo de ter que ouvir que a sala despenca no mundo. Cilada. Na sala. Sentada. Sozinha. Longínqua. A tarde que é longa cansada na sala e ela sozinha sensata no mundo. Sem papo sem tato e afago na sala de cores tão ralas. Lembrando da mala aberta de pó e poeira, na sala vazia. Ela sozinha silente sedenta santinha. Na sala sangrava de tanto sonhar, de tanto calar... no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Texto publicado no Jornal Plástico Bolha em 2008 ou 2009 - quando mesmo? - e escrito em 2001.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8093600053831509922?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8093600053831509922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8093600053831509922' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8093600053831509922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8093600053831509922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/12/sentada-na-sala.html' title='Sentada na Sala'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8313093048475357201</id><published>2011-12-14T12:00:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T12:01:04.592-08:00</updated><title type='text'>Queda</title><content type='html'>O coração anda amolecendo, e não é por compaixão, dó ou covardia, nem por excesso de esforço ou frustrações reiteradas. Ele perde o vigor e anda curvado, quase encosta o chão, arrasta-se pesado nas cavidades do tórax, migra de lá para cá buscando solucionar uma claustrofobia que vem recrudescendo, percebe as reentrâncias do solo - o solo das vísceras - como nunca antes. Ele cheira seus próprios passos, quase engatinha colado à sua sombra. A tonteira se aproxima desse músculo avermelhado. Está despencando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8313093048475357201?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8313093048475357201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8313093048475357201' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8313093048475357201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8313093048475357201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/12/queda.html' title='Queda'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-139874211223858476</id><published>2011-12-11T13:44:00.000-08:00</published><updated>2011-12-12T10:05:36.028-08:00</updated><title type='text'>Aos domingos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XMqxHPiLcJE/TuY-SgAigGI/AAAAAAAAAHU/J355_KQjC7Q/s1600/DSC02202.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-XMqxHPiLcJE/TuY-SgAigGI/AAAAAAAAAHU/J355_KQjC7Q/s320/DSC02202.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5685300067152592994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aos domingos, Madá acordava no mínimo às dez e no máximo ao meio-dia. Levantava-se silente, tomava seu café fraco, banhava-se e ia caminhar pelas ruas da Glória. Às vezes passava na feira, comprava alguns legumes, outras vezes ia até o Aterro do Flamengo, observava as famílias felizes, as crianças bem dispostas, o sol iluminando o asfalto, a grama, o horizonte. Voltava pra casa, almoçava se tinha fome, às vezes no restaurante da Andrade Pertence, às vezes em casa. Raramente tinha companhia, mas gostava de observar o movimento típico dos dias de folga da maioria das pessoas. Aos domingos, seu marido Carlo fazia seu plantão na clínica psiquiátrica e estava acostumada, Madá, a passá-los sozinha, uma vez que não era a folga de Carlo. &lt;br /&gt;Muito de vez em quando Madá ia ao cinema com Olga, amiga de colégio, mulher tão dedicada aos filhos e ao marido que era raro ter um domingo livre assim para tomar um café, bater um papo, ir ao cinema (era mais comum conversar com Olga pelo bate-papo da internet). Malgrado não tivesse companhia certa, Madá não se sentia triste aos domingos embora aquela menina, Tábata, que agora a via caminhar solitária no Aterro achasse todo aquele silêncio um indicativo de uma solidão difícil de contornar. Afinal, Tábata estava no Aterro, com seu pai, sua mãe e seus dois irmãos mais velhos, Tadeu e Tiago, num dos variados passeios que seu pai inventava para todo domingo. Tábata estranhava as pessoas sozinhas, que passavam mais do que dez minutos entretidas em alguma atividade silenciosa sem nenhuma companhia, porque, até ali, companhia era o que Tábata mais tinha em sua vida (a começar pelo quarto, que tinha que dividir com Tadeu e Tiago). Aquela mulher que andava calmamente pela grama, chinelos nas mãos, não teria filhos, não teria um namorado, não teria irmãos? Mas Madá não fazia idéia de que aquela menina franzina e de óculos a observava com leve e brevíssima perturbação. Se notasse aquela atenção que a menina lhe dedicava, teria feito alguma diferença? Teria parado para explicar, dizer que não era nada daquilo, contar-lhe, com doçura e paciência, que a felicidade não vem sempre acompanhada (e geralmente vem sozinha)? Teria mostrado a ela outras partes do mundo que talvez Tábata só pudesse compreender (se um dia acontecesse) muito tempo depois? Teria falado a ela de Clarice Lispector, de Guimarães Rosa, de Fernando Pessoa e de que tudo isso e mais muitas outras coisas só se pode desfrutar sozinho (ainda que haja alguém ao seu lado)? No entanto, Madá caminhava, naquele domingo, envolta em felicidade tão tranqüila que não percebia que a olhavam. Não se incomodava de não ter filhos. Não se incomodava de que Olga ou qualquer outro de seus pouquíssimos amigos estivessem envolvidos com suas vidas cotidianas, suas tarefas costumeiras, suas famílias felizes ou não. Aquele era um dia em que Madá tinha todo para si e para seu pensamento. E, por razões diferentes de Tábata, adorava os domingos: eram dias sem horário, sem demarcações, sem exigências, sem semblantes forçados. Por mais duradouros que fossem os domingos, neles era possível caber qualquer coisa, sem que houvesse uma imposição externa, salvo raríssimas exceções. Era o dia em que Madá fazia as suas descobertas sozinha mesmo, do jeito que mais gostava, para depois compartilhá-las ou não com Carlo, com Olga, com o mundo.&lt;br /&gt;Naquele domingo, chegaria em casa, leria alguma coisa, descansaria, navegaria um pouco na internet e tudo bem. Talvez fizesse um brigadeiro. Talvez ligasse para Olga, para saber se tudo bem, como vão as coisas. Talvez escrevesse um e-mail. Talvez abrisse sua caixa de antigas cartas e relesse algumas. Havia alguma possibilidade de que fizesse uma arrumação em seu armário. Ou talvez dormisse cansadíssima. Talvez não fizesse nada e visse Fantástico. E tudo ficaria bem, tudo bem. Porque aos domingos, longos ou curtos, invernais ou outonais, ficava sempre tudo bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-139874211223858476?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/139874211223858476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=139874211223858476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/139874211223858476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/139874211223858476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/12/aos-domingos.html' title='Aos domingos'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XMqxHPiLcJE/TuY-SgAigGI/AAAAAAAAAHU/J355_KQjC7Q/s72-c/DSC02202.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-9040186728528562379</id><published>2011-11-29T10:42:00.001-08:00</published><updated>2011-11-29T10:48:14.338-08:00</updated><title type='text'>De volta à vida mesma</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-stabssHwaeo/TtUomWrMigI/AAAAAAAAAHI/fMhNUFwJSf0/s1600/imagesCAWH2LSN.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 260px; height: 194px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-stabssHwaeo/TtUomWrMigI/AAAAAAAAAHI/fMhNUFwJSf0/s320/imagesCAWH2LSN.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5680491144384645634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De volta à vida mesma, acho-me perdida e manca, encontro-me encafifada com o fio da meada que já não tenho mais. De volta à vida mesma, mastigo montes de miséria, medíocre marcha espinhosa e fútil, martírios longos e morosos. De volta à vida, mesmo assim acho-me morta, metade de mim sem ar, metade de mim alerta. De volta, a vida me acena mesmices, misantropias e morbidez, e eu me meto a correr dela, medrosa, mendiga. De volta à vida mesma, minimamente masco o que a mim me é destinado, e o que não se torna massa ou bolo alimentar eu cuspo fora meramente. De volta à vida, mesquinharias me fazem meter os pés pelas mãos, imitando o que não posso ser e mansamente retornando ao meu lugar. E de volta, a vida? Longa, magra, megera. Maligna até! Me espera, malandra, querendo rir de mim, a vida mentecapta que a mim me restou, queimando minhas quimeras, mantendo-me maluca, amarrando-me a uma total melancolia, sem medida mas quase sempre domesticada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto foi publicado em 17 de março de 2009 no &lt;a href="http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/03/para-ler-em-voz-alta-de-volta-vida.html"&gt;BLOG DO BOLHA&lt;/a&gt;. Recordar é recordar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-9040186728528562379?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/9040186728528562379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=9040186728528562379' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/9040186728528562379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/9040186728528562379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/11/de-volta-vida-mesma.html' title='De volta à vida mesma'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-stabssHwaeo/TtUomWrMigI/AAAAAAAAAHI/fMhNUFwJSf0/s72-c/imagesCAWH2LSN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-714093576856471752</id><published>2011-11-04T22:25:00.000-07:00</published><updated>2011-11-07T12:37:56.184-08:00</updated><title type='text'>a madrugada de Laura</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DtwID6yUIrg/TrhBlZlRWLI/AAAAAAAAAG8/UsYb35R6yuI/s1600/ins%25C3%25B4nia.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 216px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-DtwID6yUIrg/TrhBlZlRWLI/AAAAAAAAAG8/UsYb35R6yuI/s320/ins%25C3%25B4nia.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672355841451317426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Laura levantou-se pela terceira vez, naquela noite, acendeu a luz do quarto e pensou: é possível produzir alguma coisa na madrugada que não sejam pensamentos sobre o sono, as horas, o dia e a noite? É possível produzir algo na madrugada, quando o limite da visão são as paredes, o teto e a casa do vizinho no mais além da janela? É possível pensar em algo diferente do tempo nesses momentos em que ele é o protagonista da cena, atravessando os músculos do corpo e latejando por dentro da pele? Não, nada é possível em tais condições. &lt;br /&gt;Laura sentiu a fome produzir outros tipos de sons no terço central de seu corpo. Encaminhou-se à cozinha, inspecionou a geladeira, tomou um pouco de suco de uva e descascou vagarosamente uma banana. Era o que tinha. A noite prolongava-se e Laura não conseguia criar nada que valesse a pena, nem mesmo uma frase de efeito para ser dita no aniversário de Anita, no dia seguinte. E por que continuar ali, rodeada de limites acimentados? Duas e quarenta da manhã. Afinal, era até bom perguntar: onde estaria Anita? A noite de sexta-feira, em certas circunstâncias, é mais longa que as demais noites. E Laura sentia na pele a longevidade daquelas horas noturnas. Então, Laura decidiu que abriria o armário, escolheria uma roupa básica e iria à luta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-714093576856471752?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/714093576856471752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=714093576856471752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/714093576856471752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/714093576856471752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/11/madrugada-de-laura.html' title='a madrugada de Laura'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DtwID6yUIrg/TrhBlZlRWLI/AAAAAAAAAG8/UsYb35R6yuI/s72-c/ins%25C3%25B4nia.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4918286455453365583</id><published>2011-10-20T11:37:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T13:34:16.194-07:00</updated><title type='text'>Números e nomes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-n7LW3FJLylk/TqXJ9HEiHrI/AAAAAAAAAGY/LEbJH6b4NKE/s1600/ARQUIVOS.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-n7LW3FJLylk/TqXJ9HEiHrI/AAAAAAAAAGY/LEbJH6b4NKE/s200/ARQUIVOS.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667157757822901938" /&gt;&lt;/a&gt;Maria chegou ao trabalho. Pontualmente. Não havia atrasos em seus intervalos de pensamento. Menos ainda nas ações diárias. Todas aquelas que se interpunham entre o acordar (era o despertador que acionava o dia desperto, aos brados, aos brados) e a chave que trancava a casa trancada atrás de si truncada. As ações diárias nesse período tão curto da manhã eram: água para esquentar, pó de café, água virando sabor, cor e calor, xícara de café esquentando as mãos, um olhar para o tempo (casaco? calça? manga? alça?), duas torradas com manteiga com sal e uma banana, depois a roupa, já preparada de véspera entre duas opções possíveis, o banho morno, quente, quente, morno, frio, o pente no cabelo, protetor solar, batom, roupa, isso, aquilo, última olhada, dinheiro de passagem, janela fechada, minúcias opacas matinais. Aqueles sessenta minutos que inauguravam seu dia não eram lá muito diferentes do resto dele - minúcias opacas diuturnas. Maria tinha uma trabalho rotineiro: carregar prontuários no posto de saúde em que trabalhava. Levar e trazer aquelas pastas mal aprumadas. Não havia invenções maiores, nem conversas mais amplas. Não havia viradas, movimentos bruscos, ladeiras no agir. Sua função era, sem equívocos: estar atenta ao número do prontuário e ao nome, e também atenta ao fisioterapeuta, nutricionista, assistente social, psicólogo, otorrino, pediatra, gastro, neuro, terapeuta ocupacional e qualquer outro profissional daquelas bandas que o pedisse. Sim, sim, direcionava cada prontuário a cada escaninho ou a cada sala. Era quase um carteiro do posto. Não levava mensagens, nem correspondências, nem contas a pagar. Não levava cartas nostálgicas, não transmitia saudades, notícias. Pousava os prontuários nas mesas adequadas, em silêncio, mudos os olhos e a boca e o sorriso. 44432. Prontuário de Juan não sei de quê. 56321. Prontuário de Cordélia não sei que lá. Cordélia não podia ser nome que fizesse alguém feliz mesmo: ela tinha consulta com a psicóloga. Cordélia lembrava cornélia que lembra... Não!, não divagar, não divagar, atenção ao número, ao nome, ao doutor que espera (ou não) o prontuário exato! Havia também o prontuário de Felicíssima Maria etc e tal. 44582. A Felicíssima seria tão feliz quanto a idéia dos pais de nomeá-la daquele jeito sem saída!? Seria a vida de Felicíssima tão superlativa quanto o nome que carregava? Ou seria apática, amuada, esmaecida, para contrapor um título de nascença tão ruidoso? Maria podia ampliar a mente e o trabalho devaneando sobre os nomes. Os nomes. Nomes e números eram tudo que lhe restava. E mais: poeira e tosse. Corredores, gente querendo cartão, gente querendo senha, gente atrás de consulta, gente em busca de exame, gente catando doença, gente desesperada por diagnóstico. Gente querendo alguma cura, mas que cura, meu senhor, que cura?! Sua vida é uma merda mesmo, resigne-se de uma vez!&lt;br /&gt;O que Maria estava fazendo ali? Maria lembrou-se de interromper as irregularidades do pensamento. Tratou de apaziguar os altos e baixos do sentimento. Dominou as estripulias indesejáveis da razão e engoliu um resto de saliva perambulando pela boca branca. Por enquanto, restava-lhe buscar mais 30 prontuários e só. Depois, mesmo caminho de volta, mesmas ações noturnas, mesmas vírgulas e hesitação alguma. Era melhor seguir igual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4918286455453365583?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4918286455453365583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4918286455453365583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4918286455453365583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4918286455453365583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/10/numeros-e-nomes.html' title='Números e nomes'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-n7LW3FJLylk/TqXJ9HEiHrI/AAAAAAAAAGY/LEbJH6b4NKE/s72-c/ARQUIVOS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5302049840179178351</id><published>2011-09-28T17:22:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T17:30:10.178-07:00</updated><title type='text'>Inconfundível</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mtuVDDAS2aY/ToO7Fok_6BI/AAAAAAAAAGE/wwNAc1xgx10/s1600/imagesCAAIIYQE.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 98px; height: 99px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-mtuVDDAS2aY/ToO7Fok_6BI/AAAAAAAAAGE/wwNAc1xgx10/s320/imagesCAAIIYQE.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657571262373816338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um olhava para o outro. João suava. Mercedes sentia coceiras. Calor infernal. O mês era mais do que janeiro. Não havia definição para um calor daqueles. Não havia definição para João e Mercedes, mudos, um em frente ao outro. Haviam desistido de falar, mas não de se encontrar. Estavam ali, mudos sim. Palavras? Não existiriam as que pudessem dar conta do que sentiam e do que deixavam de sentir. Eram oito anos de brigas e reconciliações, brigas e retratações, eram oito anos redondos de muita coisa dita, pisada e repisada. Mas agora havia um mês de separação e estavam despencando. Mercedes despencava. João não sabia o que se passava com ele. Sentia-se surdo, sentia-se zonzo, e agora, um em frente ao ouro, na praça, enquanto o verão os assolava por todos os lados, enquanto o calor os constrangia impiedoso, nada tinham a dizer mesmo. Havia uma espécie de tonteira no ar cercando-os lentamente, havia qualquer coisa de vertigem naquele cenário, qualquer coisa de penumbra tóxica. E estavam ali, ainda assim. Eretos. Face a face. E era incrível o silêncio ao qual haviam aportado. Mas sim: aquilo era o silêncio inconfundível. Se alguém deseja saber o que é o silêncio inconfundível, encontre-os nesse estado sem ruídos, sem estampidos, sem estilhaços, mas também sem melodia. Nesse encontro que transpira e que derrete calçadas, que derrete o humor. Encontre-os ali e poderá fazer uma tese com total coerência interna sobre o silêncio inconfundível. Além disso, via-se que aquilo também era estar à vontade no silêncio inconfundível. Não haviam almejado aquele estado, mas, uma vez que daquele modo se encontravam, conseguiram acomodar-se sem grandes câimbras. E era por causa da conclusão de que, entre eles, só o silêncio – e de preferência inconfundível –, por causa dessa precisa conclusão, é que não havia mais porquê. Isso que assusta a todos e que tem as dimensões completas do horror, a eles era quase banal, embora indesejável também. De fato, estavam ali, corajosamente envolvidos por aquela ausência do que dizer. Não por falta de assunto.  Não por um desconhecer a língua do outro. Não era nada daquilo. Já não se sabia mais o que era. Já não desejavam mais nada. Nem falar, nem calar, nem ir embora, nem mover-se. E, a partir dali, tudo se confundia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5302049840179178351?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5302049840179178351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5302049840179178351' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5302049840179178351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5302049840179178351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/09/inconfundivel.html' title='Inconfundível'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-mtuVDDAS2aY/ToO7Fok_6BI/AAAAAAAAAGE/wwNAc1xgx10/s72-c/imagesCAAIIYQE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8887637169832239472</id><published>2011-09-22T14:02:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T14:16:16.024-07:00</updated><title type='text'>Juca ou Jaime?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Rtteo7VY-bk/Tnuji70z7dI/AAAAAAAAAF8/iirufneUYD0/s1600/imagesCAWPAILU.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 101px; height: 114px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Rtteo7VY-bk/Tnuji70z7dI/AAAAAAAAAF8/iirufneUYD0/s320/imagesCAWPAILU.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655293577663868370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando conheci Jaime, ainda pensava constantemente, quase que todo dia, e inúmeras vezes ao longo dele, no sonho ou na vigília, no Juca. Havia dois anos que termináramos um relacionamento conturbado e cheio de discussões alongadas e inconseqüentes, o que acabara por se tornar uma difícil transição que não parava de produzir seus efeitos até aquela tarde em que, na fila do cinema, conheci Jaime, que eu não sabia que se chamava Jaime. Ele, após alguma hesitação angustiada da qual só pude tomar ciência quando estávamos juntos e comentáramos sobre aqueles primórdios, começou a falar sobre o diretor do filme que íamos ver e a longa conversa sobre cinema teve início: aquele tipo de assunto que vai puxando mais assunto, tudo girando em torno do mesmo tema e que, não era pra menos, teve de terminar depois da sessão no bar ao lado do cinema, agora com dados e impressões que só podiam ser acrescidos a partir da experiência do filme. Trocamos telefone e e-mail e o ponto de partida estava dado: a partir daí, seguiram-se mensagens sobre atores, diretores, festivais, roteiristas e produtores, e passamos a nos encontrar, de vez em quando, sempre à cata de mostras de filmes comuns ou menos convencionais. Íamos a: festival de filme português de graça, festival de Wong Kar Wai pago, festival de filmes sobre o feminino e o masculino, mostra de filmes universitários, fora as estréias de Woody Allen, Lars Von Trier, Juan José Campanella e, sobretudo, sessões maravilhosas de filmes antigos que ambos adorávamos, principalmente Billy Wilder (revimos juntos Pacto de Sangue e Crepúsculo dos Deuses) e Hitchcock (tivemos longuíssimas conversas sobre Festim Diabólico e Pacto Sinistro). Passávamos tardes deliciosas, mas ainda assim na minha cabeça o que vinha sempre era Juca e suas opiniões, legítimas ou não, irritantes ou não, inteligentes ou não, sobre os filmes que víramos juntos (Juca era um cinéfilo que desprezava a maioria dos filmes e especialmente os outros cinéfilos e suas opiniões que repetiam as críticas dos jornais). E tudo se tornava, então, por mera comparação, menos prazeroso. Eu tinha saudades de Juca quando estava com Jaime. &lt;br /&gt; Eu não sabia mais o que fazer, pois o fato de Jaime não ser o Juca, e de Juca não estar ali no lugar do Jaime, fazia com que eu fosse, malgrado tantos momentos agradáveis e tantos filmes juntos, cada vez mais hostil com Jaime, apesar de três meses de namoro não ser época suficiente para qualquer grau de hostilidade. E Jaime não tinha culpa de não ser o Juca. Eu também não sabia, naqueles primeiros meses de namoro, as causas reais da minha crescente hostilidade e acreditava que os miúdos motivos que eu encontrava para iniciar uma discussão eram aqueles mesmos, e não nenhum outro mais bizarro, como o fato de o Jaime não ser o Juca configurá-lo como um impostor no meu psiquismo algo insano. Com cinco meses de relacionamento, mudei-me para a casa de Jaime, ainda que a hostilidade só mostrasse sinais de recrudescimento. Misturamos pertences, chão e teto e eram cada vez mais freqüentes os motivos para que eu brigasse com Jaime e me lembrasse de Juca, nostálgica de seus hábitos, aqueles mesmos que antes eu odiava. Os filmes vistos juntos com Jaime, e mais todas as outras coisas, foram se tornando motivo para irritação.&lt;br /&gt; O pior é que Juca e Jaime tinham aspectos em comum, tanto fenotipicamente quanto de caráter, se é que se pode isolar assim algo tão híbrido quanto um caráter, de quem quer que seja, Juca, Jaime ou eu. Ambos eram interessadíssimos em cinema, tinham cabelo comprido – mas Juca andava com o cabelo solto e Jaime o amarrava em um rabo de cavalo fajuto com um elástico encardido -, eram filhos únicos de mães dedicadas integralmente ao lar e à família, e dedicadas também a reclamar do marido sempre que a ocasião permitisse e houvesse uma escuta disponível (cansei de dispor a minha, o que gerava desgaste em ambos os relacionamentos). Fisicamente, além do cabelo comprido, algumas diferenças importantes, contudo, se faziam notar. Jaime tinha uma tatuagem tribal na perna esquerda e um brinco na orelha, e era mais alto também, mas eu preferia a média estatura de Juca, além de seu cavanhaque bem aparado e seu olhar cinzento e nublado que, na maior parte do tempo, trazia um sarcasmo intolerável ao qual, agora, eu dedicava saudosos pensamentos.&lt;br /&gt; Não obstante semelhanças físicas ou de personalidade, as brigas com Jaime ficaram cada vez mais intensas e freqüentes, uma vez que ele não era o Juca, e chegamos a um impasse insustentável como qualquer impasse do gênero. Claro que, após onze meses juntos (meros onze meses!), tive de levar os filmes e discos nos quais lembrara de colocar meu nome e brigar por aqueles cuja posse era incerta. Até hoje não consigo digerir tão bem o término, pois qualquer término é uma estatueta de fracasso, uma medalha de que uma tentativa não deu certo, qualquer término exige um derrotismo que eu sabia sentir muito bem, qualquer término implica em crachá de ‘não deu certo’, e, no meu caso, eu acrescentava, vitimizada, o ‘só eu que não consigo’. Mesmo ansiando por Juca enquanto era Jaime quem estava ao meu lado, e sentindo-me mal por ser Jaime e não Juca, além de ter arrumado briga atrás de briga com Jaime, enquanto sonhava com Juca à noite, fiquei tristíssima após o rompimento com Jaime. E, depois do término, estranhamente, deixei de ter sonhos tão vívidos com Juca, parei de sentir saudades e fui me lembrando cada vez mais de Jaime, de seu tato e cheiro, passando a acordar no meio da noite com sua risada, o que contrastava dolorosamente com o vazio na cama ao meu lado. Que saudades passou a me dar de seu brinco tão charmoso e de sua tatuagem, mais do que nunca! Eu seguia assim, ansiando por um telefonema ou e-mail de Jaime, que sumiu. Uma mensagem por torpedo, uma mensagem no facebook, um ‘curti’ em algum comentário que eu fizesse sobre, quem sabe, a nova estréia do Almodóvar. Eu me arrependia de todas as vezes que arrumara motivos sinceros ou não para reclamação. Eu queria Jaime ao meu lado agora. Pensava em Jaime ininterruptamente, ainda que não fosse dar o braço a torcer, era Jaime quem eu queria, sequer lembrando da existência de Juca, agora tão antigo, e tudo ficou ainda mais forte quando, um dia, na Lapa, num botequim qualquer de esquina, conheci Jairo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mais um conto que seria para um Clube da Leitura, do sebo Baratos da Ribeiro, de 2009 - não me lembro o tema, mas é possível deduzir... - que não foi levado por alguma razão que não me recordo qual.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8887637169832239472?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8887637169832239472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8887637169832239472' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8887637169832239472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8887637169832239472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/09/juca-ou-jaime.html' title='Juca ou Jaime?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Rtteo7VY-bk/Tnuji70z7dI/AAAAAAAAAF8/iirufneUYD0/s72-c/imagesCAWPAILU.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6877698614305137596</id><published>2011-09-16T10:34:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T11:41:55.702-07:00</updated><title type='text'>Espera</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5esFWjzyOFQ/TnuBZpqEWsI/AAAAAAAAAF0/aX61yNWUSSg/s1600/Choquito%2Bdengosa.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-5esFWjzyOFQ/TnuBZpqEWsI/AAAAAAAAAF0/aX61yNWUSSg/s320/Choquito%2Bdengosa.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655256034772802242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desde o dia em que resolveu tornar todas as experiências intensas, vividas na carne e milimetricamente no pensamento, tentando absorver todos os aspectos que cada vivência continha, ainda que banal, quotidiana, ou tão rara quanto uma expedição trágica em qualquer canto da Terra, Tatiana tornou-se menos amarga até mesmo com o sofrimento, porém mais obsessiva no trato com os ocorridos diários. Tudo era passível de virar um ritual. Tudo ganharia contornos diversos e o fato de imprimir uma iluminação diferente a cada vivência torná-las-ia, ela queria acreditar, muito diferentes do que poderiam ser. &lt;br /&gt;Tatiana estava à espera de alguém, naquele sábado à noite. E mesmo aquela espera era peculiar. Pois ela não tinha certeza absoluta de que chegaria, embora o provável fosse que sim. Tratava-se, nesse caso, de uma espera incerta. Entretanto, a espera, por definição, já traz em si muitas camadas de incerteza. A espera é inerentemente vaga. Enquanto você espera, nada acontece, ou tudo acontece. Bem, de fato, nada acontece. Enquanto se espera, pode-se empreender uma série de tarefinhas que, no entanto, são quase um arremedo de comportamento e vida. Um engodo a si mesmo e ao tempo talvez. Você espera o trem e tudo o que você quer e deve e necessita fazer é voltar para casa. Não há mais nada além disso: a volta. E, não obstante, encontra-se há quarenta minutos esperando e, enquanto isso, se tem um telefone celular na bolsa, pode discar para algumas pessoas e tornar aquele tempo menos perdido do que é. Mesmo as esperas longitudinais, como a de uma viagem que ocorrerá dentro de muitos meses, torna toda a vida anterior um inegável apanhado de pequenas ações desprovidas de qualquer significado maior. Tatiana sabia disso e sabia que só lhe restava esperar, e que uma espera como aquela era ainda pior, se fosse vista sob o prisma do bom e do ruim. Tatiana era também ciente de que quase toda espera carrega em si certa ânsia, que pode ser amenizada com as distrações fúteis ou maximizada se o foco é unicamente o momento esperado. Tatiana, entretanto, queria intensificar a vida e extrair o sumo de cada acontecimento. Até mesmo se o acontecimento fosse a própria espera.&lt;br /&gt;Estava em seu apartamento, sozinha, e o clima era típico de abril: um pouco abafado, poder-se-ia dizer. Também não estava cansada, pois havia acordado tarde e a semana não comportara grandes agitações. Agitação, se havia alguma, era aquela que podia se encontrar guardada dentro de Tatiana, nos tecidos conjuntivos de seu corpo e nos espaços disjuntivos das suas faculdades de juízo, raciocínio e sentimento. Estava esperando, ora bolas! E quem suporta por muito tempo uma espera? O que restava a Tatiana era justamente preparar o momento, decorá-lo propriamente, sem fugir da sobriedade e sem cair na mesmice diária. Desde o dia em que Tatiana passou a desejar que sua vida fosse menos comum, tudo deveria ter um preparo diferenciado. Mesmo que ninguém soubesse. Ela não queria performances, menos ainda aplausos. Não queria exclamações de supostas platéias, nem opiniões favoráveis ou desfavoráveis. Não pretendia escrever uma autobiografia, menos ainda seguir qualquer espécie de filosofia de vida pré-determinada. Tatiana não queria uma história pra contar e assunto pra mesa de bar, ela não se engrandecia com nada aquilo e achava todas aquelas conversas tão sem sentido quanto sopas de letrinhas. A experiência, ela sabia, era impossível de compartilhar. Ela queria apenas tornar mais substanciais os momentos de sua vida, fossem eles felizes ou não. Em seu apartamento, naquela noite no final de abril, enquanto esperava alguém que talvez não viesse jamais, apagou todas as luzes, desligou as máquinas, escancarou as janelas, trocou a roupa de cama, sentindo o perfume das fronhas e lençóis bem lavados e amaciados. Tomou um longo banho morno, secou-se lentamente, deitando-se sobre a cama, despida. Os sons que podia ouvir eram todos externos à sua vida e à sua vontade. Ao longe, podia ouvir o vizinho que arranhava alguma música no saxofone e alguém que escutava Maria Bethania em um volume tímido. Alguns barulhos difusos de talheres denunciavam algum preparo culinário. O ar soprava algum movimento de maneira irregular. Pouca luminosidade provinha da rua. Não havia nada que pudesse prever, além da quietude do apartamento. Aquilo que estava acontecendo não seria mais um prelúdio de acontecimento, mas o acontecimento em si. Não seria coadjuvante, seria a meta. A espera seria um dos elementos de um conjunto de vários, todos com igual peso, e não apenas o preâmbulo ansiogênico de algo que é mais importante. Naquela noite, de olhos fechados, deitada e só, o que Tatiana queria era apenas esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O Clube da Leitura ocorre quinzenalmente às terças no Sebo Baratos da Ribeiro, em Copacabana, e este conto foi feito para um desses encontros. O tema era relacionado à espera, mas acabei elaborando outro, Uma Ciência do Atraso, que acabei levando naquela noite. Está no blog do clube da leitura, no site do sebo. No fundo, no fundo, os contos, embora diversos no início, têm o mesmo princípio.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6877698614305137596?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6877698614305137596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6877698614305137596' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6877698614305137596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6877698614305137596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/09/espera.html' title='Espera'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-5esFWjzyOFQ/TnuBZpqEWsI/AAAAAAAAAF0/aX61yNWUSSg/s72-c/Choquito%2Bdengosa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1873873484846823059</id><published>2011-09-03T17:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-03T17:04:39.999-07:00</updated><title type='text'>Crime Inafiançável</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-YWroEd6XPXg/TmLAKoY-AsI/AAAAAAAAAFs/O0e0eU0Yfqs/s1600/imagem%2Bprometeu.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 278px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-YWroEd6XPXg/TmLAKoY-AsI/AAAAAAAAAFs/O0e0eU0Yfqs/s320/imagem%2Bprometeu.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648288171549393602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na aldeia em que vivo, os poetas, músicos, desenhistas e artistas em geral são condenados à prisão perpétua quando acusados de seu crime, muito bem tipificado em nosso código penal. Alguns tentam ser mártires, e por medo de serem assassinados pela falta de sentido da vida, clamam suas obras de arte sem medo das penas a que terão de se sujeitar, pois castigo ainda mais cruel seria se adequar aos ditames da sociedade em que vivemos e o conseqüente banimento de si mesmos. Outros tentam, mas não conseguem não manifestar sua arte, tal como deixar de respirar voluntariamente é impossível. Se o desenhista, portanto, não contém seus impulsos primitivos de desenhar mesmo que no canto de uma folha solta de papel – na tentativa de ser comedido em suas necessidades básicas e julgando estar sozinho sem ninguém a observá-lo – será em poucos minutos açoitado, algemado, incriminado, acusado. Crimes hediondos, na terra em que vivo, são as manifestações, quaisquer que sejam, da arte; são também as manifestações do pensamento original; tipificadas ainda como infrações graves ao bem comum e à moral são as discordâncias de idéias oficiais por meio do humor (embora as penas para este último ilícito sejam um pouco mais brandas, uma vez que nossos legisladores crêem que a massa humana raras vezes capta a crítica que subjaz à piada). &lt;br /&gt;Já o poeta: esse é o pior dos criminosos. Sua arte consiste em crime inafiançável e insuscetível de qualquer espécie de perdão. Aqui, são absolutamente proibidos versos, poemas, poesias, e aqueles que traficam esse tipo de material também são julgados com rigor, de modo que não se pode trazer livros, revistas ou quaisquer textos de outras terras. E um poeta, de modo geral, adoece na tentativa de esconder seus dons poéticos, pois acaba por contrair couraças que impedem a linguagem de se manifestar e aniquilam sua vida. Sua língua deve enrijecer, assim como seu olhar. Pena perpétua e, dependendo do caso, pena de morte, é o que está destinado àquele que reiteradamente insiste na poesia, como autor, leitor ou entusiasta. &lt;br /&gt;	É por isso que fui me tornando cada vez mais uma pessoa retraída, sem ousar compartilhar com quem quer que seja meu segredo (aqui não se pode confiar nem mesmo nos padres e nos neopsicanalistas, estes últimos com a única missão de apaziguar desejos inviáveis e administrar desejos infindáveis). Pergunto-me: quantos como eu passam por essa sina de esconder do mundo o que lhes é mais natural? Quando cruzo o olhar com estranhos na rua, estarei mirando um poeta camuflado como eu ou alguém que me estapearia ao ouvir uma metáfora? E como conciliar a vida como um todo com a proibição da minha poesia, essencial e atual em mim? O resultado é uma vida vivida em parcelas exíguas, atitudes plenas de hesitação, restando a condição de incompleto e ineficaz que se aproxima apenas das beiradas da vida, evitando o cerne, pois todo cerne é explosão poética. &lt;br /&gt;Foi dessa forma que passei a desenvolver sintomas corporais compatíveis com todas aquelas renúncias. Aos dezoito anos desenvolvi a gagueira. Aos poucos, já não me era possível enunciar frases completas. Aos vinte e um anos, comecei a mancar da perna esquerda. Nenhum ortopedista encontrou causa orgânica para o fato, assim como não haviam encontrado problema de natureza física na minha incapacidade de fala. Aos vinte e seis anos, não conseguia mais executar movimentos finos, tais como escrever. Tempos depois, desenvolvi um tique nervoso na pálpebra esquerda que me fazia piscar várias vezes por minuto. Tornei-me cada vez mais inadaptado à vida e a mim mesmo, perdendo as funções do corpo, tornando-me um incapacitado, um desqualificado, um perdedor. Um vegetal. Enquanto meu sonho era poder ser poeta livremente, acabava por, ao contrário, seguir os preceitos de um muito antigo poeta português, adaptando-os à minha realidade: o que eu mais tinha que exercitar era a qualidade de fingidor que todo o poeta deve ter se quer sobreviver na aldeia em que vivo. E esculpir – a dor e a poesia – mais do que completamente, porém apenas dentro de si e cobrindo-a de silêncio. Meu fim não podia ser diferente: aos quarenta e nove anos, mal e mal consigo respirar, tenho escaras cobrindo a pele do tórax e dos calcanhares, dependo de remédios para dormir e para acordar, e minha vida reduziu-se ao murmúrio de meu corpo sobre a cama do sanatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Conto para o clube da leitura cujo mote foi poesia, do primeiro trimestre de 2011.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1873873484846823059?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1873873484846823059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1873873484846823059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1873873484846823059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1873873484846823059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/09/crime-inafiancavel.html' title='Crime Inafiançável'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-YWroEd6XPXg/TmLAKoY-AsI/AAAAAAAAAFs/O0e0eU0Yfqs/s72-c/imagem%2Bprometeu.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4614806136727317418</id><published>2011-08-29T11:33:00.000-07:00</published><updated>2011-08-29T11:42:22.078-07:00</updated><title type='text'>Ana precisa esquecer</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_CbLIuHScfs/Tlvbn2TvzSI/AAAAAAAAAFk/at4P89Yqwm8/s1600/CAPA%2BDA%2BBALADA%2BDO%2BJOHNNYp.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 218px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_CbLIuHScfs/Tlvbn2TvzSI/AAAAAAAAAFk/at4P89Yqwm8/s320/CAPA%2BDA%2BBALADA%2BDO%2BJOHNNYp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646348035478768930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;	Ana não queria lembrar. Mas ao mesmo tempo queria. Lembrar de modo recorrente era uma forma de se punir. Ana merecia punição. Ela havia matado o gato. Na ocasião, estava com onze anos, cursava a quinta-série e estudava numa escola particular a duas quadras de seu prédio. Atirara umas pedras ou uns paus (como saber com exatidão se lá se iam vinte e dois anos?) num gato preto no telhado. Fora induzida pela gritaria e brincadeira dos colegas, que também atiravam e que, estranhamente, se regozijaram não apenas com os arremessos como com o corpo morto do gato, que caíra. Naquela época (disso Ana lembrava bem, como esquecer?), perdera noites sucessivas de sono e os pais haviam estranhado, levando-a ao psicólogo, afinal, criança com insônia não pode ser normal se nem tem contas pra pagar (ela revivia aqueles dizeres com uma raiva morna) e quando enfim, dias depois, conseguira dormir, era acordada várias vezes durante a noite por horríveis pesadelos. Seu pensamento já era inquieto e veloz àquela época. Se num momento ela pensava que matara o pobre do bicho que não fazia mal a ninguém, já no momento seguinte, ponderava e chegava à temporária conclusão de que era impossível que um mero galho pudesse matá-lo daquele jeito, tão rápido e certeiro. Mas matara sim. E por que o gato não fugira? Gatos, quando incomodados, quando perturbados, fogem, somem, arrepiam-se, mostram os dentes. Mas o gato estava lá e lá continuou, e as crianças berravam e urravam e riam. Talvez já estivesse adoentado. O gato, debilitado, não teria forças para fugir. Nem sequer fizera um movimento de retirada. Mas matara o bicho, matara, matara, todos viram, havia testemunhas, acusaram-na rindo ainda mais, “Ana matou o gato! Ana matou o gato”, matara o bicho sim, não tinha como fugir daquilo, fingir a si mesma que não, era impossível inventar argumentos contrários, aduzir fatos novos, alegar inocência, matara o gato e depois sonhara que se transformara nele, que virara um gato acuado e sujo, que ninguém gostava dela enquanto gato, que passava fome e frio e solidão, que lhe restavam telhados mais decadentes do que o de sua antiga escola.&lt;br /&gt;Mas matara o gato? Talvez o bichano estivesse mesmo moribundo, padecendo de alguma moléstia que só um bom veterinário poderia diagnosticar e curar. E ali, o pau que fora lançado diretamente da mão inconsciente de Ana fora apenas a gota d’água de algo que fatalmente aconteceria, minutos a mais, minutos a menos. A responsabilidade de Ana talvez fosse ter apressado um processo que não poderia ser evitado. Era como se tivesse sacrificado um bicho que não tinha salvação. E, portanto, era como se Ana tivesse salvado o bicho de um sofrimento atroz e mudo (não lhe haviam dito que o gato, quando muito cheio de dor, fica quieto e com olhar triste? Não fora a amiga Vivian que lhe contara isso ao relatar como Vuvu, seu gato branco, gordo e bom, perdera o rabo manifestando apenas silêncio e tristeza?). Não, Ana não havia matado aquele belo felino negro. Ele já morreria de qualquer jeito. Salvara o bicho de uma dor dos gatos, uma dor que o gato calava profundamente esperando tudo acabar. Aliás, pusera-se mais ainda na mira dos paus e pedras que a criançada arremessava, doido para morrer logo, praticando uma espécie de eutanásia felina sem ser dar conta de que aquilo – eutanásia – tinha um nome e um conceito e uma polêmica entre os humanos. Era um gato que, se bobear, renasceria como orangotango em sua próxima vida, tamanha a sua inteligência. Morrera, então, feliz. Ana não precisava sofrer tanto a vida inteira. Agora, com seus trinta e três anos de vida, eventualmente Ana ainda acordava à noite sonhando com aquele nostálgico gato de sua infância e eram sempre sonhos horríveis, Ana felina sofrendo torturas de crianças desmioladas com crânios desproporcionais e olhos pingando um óleo fervente. Ana não precisava impingir a si mesma aqueles pesadelos terríveis como forma de expiar um pecado covarde. Não houvera pecado. Ana podia dormir em paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Conto para o clube da leitura baseado no livro do Sama, "A Balada de Johny Furacão".)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4614806136727317418?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4614806136727317418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4614806136727317418' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4614806136727317418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4614806136727317418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/08/ana-precisa-esquecer.html' title='Ana precisa esquecer'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_CbLIuHScfs/Tlvbn2TvzSI/AAAAAAAAAFk/at4P89Yqwm8/s72-c/CAPA%2BDA%2BBALADA%2BDO%2BJOHNNYp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4627379686493725309</id><published>2011-08-27T15:48:00.000-07:00</published><updated>2011-08-27T15:56:28.625-07:00</updated><title type='text'>Joias</title><content type='html'>Bianca queria escrever um comentário no blog da Júlia, mas escrever comentário hoje em dia era matéria de difícil execução. Era preciso clicar três, quatro vezes no enviar, para que, só então, aparecesse uma palavra nonsense para ser copiada para, só depois, o comentário ser postado lá do lado de lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exercídio de persistência, exercício de paciência. Tentar duas, três, quatro vezes algo que não fará total diferença na sua vida. E que talvez não faça nenhuma, tampouco, na vida do destinatário do comentário. Apenas a satisfação de uma necessidade de se expressar, de fazer contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma mini-prova de vida aquilo. Quantas e quantas vezes teria de tentar sem sucesso? A diferença era que, na vida, as tentativas duravam mais do que alguns segundos. Às vezes meses, outras vezes anos, ou até décadas. Sabe-se lá que tipo de opção e tentativa se tem de escolher no menu das bifurcações da vida e que intervalo suas conseqüências irão durar. Tudo é possível em termos de vida. Ou quase tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Bianca reescreveu lá no blog da Júlia, até ser publicado o comentário: "Te adoro por mais esse belo texto". Era possível sim que uma amizade se inflasse ainda mais por decorrência de um belo texto criado por um amigo. Bianca, em seu comentário sucinto, escolheu palavras de preferência sem tremas e sem acentos usurpados na nova ortografia, pois era muito difícil escrever as palavras amputando-as. Ainda sentia que joia, sem acento, tinha um membro fantasma incomodando, e não podia dizer a Júlia que seu texto era uma joia tão rara quanto a amizade que por ela nutria. E, feito o comentário, resolveu desligar o computador para sentir no rosto mais uma tarde de inverno em agosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4627379686493725309?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4627379686493725309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4627379686493725309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4627379686493725309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4627379686493725309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/08/joias.html' title='Joias'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7436303921175817328</id><published>2011-04-29T13:17:00.000-07:00</published><updated>2011-04-29T13:26:22.958-07:00</updated><title type='text'>O dinheiro salva</title><content type='html'>Porque era todo aquele atropelo, nao havia jeito de ser diferente. Os dias da semana, compostos das horas dos dias, compostos dos minutos das horas, constituidos dos segundos dos minutos, eram um atropelo irrenunciavel. A vida era um atropelo. Se se colocasse uma amostra significativa de ar na balanca da farmacia, ver-se-ia, com nitidez, que os quilos que o compunham eram muitos e irrenunciaveis tambem, mesmo sem as particulas de impureza dos monoxidos de carbono e dos pensamentos negativos. A atmosfera vinha se tornando cada vez mais pesada e nao era so com ela, nem so ali, nem temporariamente. Era uma tendencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nao tinha jeito de fazer diferente. Todo aquele papo de mudar, todo aquele assunto da escolha. Todo aquele jeito de apontar o erros. Todo aquele argumento de que a razao e a emocao e mais o que quer que seja. Todo aquele olhar severo e aquele nariz com cravos e todo aquele jeito de misturar palavras bonitas com tons salvadores. Todas aquelas frases de efeito que indicam a solucao e ficam belissimas coladas nos vidros de certos carros. Todo o pao, todo o circo, toda arena, todo futebol. Todos os dias de feriado e carnaval. Todo confessionario, todo livro do Caio Fernando Abreu. Tudo aquilo era tao tudo que nada podia. Nao danificava a natureza de atropelo que a vida trazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SO O DINHEIRO SALVA foi o que aquele mulher de quarenta e nove anos resolveu escrever na camiseta preta, em letras amarelas, e entrar na primeira igreja evangelica que encontrou no caminho. Era isso o que vinha conseguindo obter de mudanca em suas duas sessoes semanais de psicanalise lacaniana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7436303921175817328?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7436303921175817328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7436303921175817328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7436303921175817328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7436303921175817328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/04/o-dinheiro-salva.html' title='O dinheiro salva'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7290757901134014811</id><published>2011-03-24T17:29:00.000-07:00</published><updated>2011-03-24T17:36:10.065-07:00</updated><title type='text'>trajeto</title><content type='html'>estela pensava. voltava de ônibus. mais tempo, mas mais espaço do o que metrô. queria olhar as paisagens que passavam ao invés de olhar para a cara das pessoas que olhavam para suas páginas de livros, revistas, jornais, ou para as telas de seus celulares, evitando olharem para estela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no ônibus, estela não olhava para ninguém. ou olhava para os transeuntes, que não olhariam para ela por muito tempo. olhava-os pelas costas, como as punhaladas dos covardes. olhava sem deixar que o outro notasse a autoria do seu olhar. resguardava-se daquele seu ato de olhar. e olhava para não salvar nada dentro de si e guardar longe qualquer pergunta que martelasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e havia uma pergunta que martelava. e um medo que ela tinha que conter. era melhor, então, olhar as ruas, fugir dos subterrâneos. era melhor tapar os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7290757901134014811?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7290757901134014811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7290757901134014811' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7290757901134014811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7290757901134014811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2011/03/trajeto.html' title='trajeto'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1623245321873187581</id><published>2010-11-26T14:32:00.000-08:00</published><updated>2010-11-26T15:26:04.312-08:00</updated><title type='text'>Seqüência</title><content type='html'>6h30. manhã. domingo. estela no morro. morro é palavra polissêmica. ela lá, junto com o carlos, que bebera umas cervejas e carregava outras. não parava de falar. toca o telefone. ela olha para o número. não reconhece. diz: não sei quem é. carlos: atende. estela: alô. era o sérgio. há quanto tempo. mas ela não diz nada, porque demora a atinar que era o sérgio. ele sumira há três meses, após o problemão. há certas classes de problemas que. fala com ele: ah, é você! carlos vai se irritando. zanza pra lá, zanza pra cá. estela e sérgio no telefone. carlos fica puto. grita. estela desliga, sérgio liga de novo, estela atende, carlos zanza, carlos puto, estela e sérgio no telefone, carlos gritando. diz que vai voltar pra onde veio. estela sozinha no morro. não sabe como voltar pra casa porque também não sabe muito bem como fora para ali. sérgio diz: onde você está? sérgio avisa: vou te pegar aí. leva estela pra casa. conversam sobre a vida e sobre eles. há três meses não se falavam. dormem juntos. ele manda uma mensagem para o celular dela dois dias depois. mensagem carinhosa. nos outros dias, silêncio. ela fica sem entender. porque o silêncio se estende e ela não sabe como romper. por que o silêncio se estende e ela não sabe como romper? ela não quer romper. ela quer romper. e, quando rompe, dá tudo errado pela segunda vez. ela quer entender. ela não consegue entender. silêncio é acontecimento polissêmico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1623245321873187581?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1623245321873187581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1623245321873187581' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1623245321873187581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1623245321873187581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/11/sequencia.html' title='Seqüência'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3153904603367350860</id><published>2010-07-14T17:46:00.000-07:00</published><updated>2010-07-14T17:48:35.507-07:00</updated><title type='text'>ou lá ou cá</title><content type='html'>Alguém comentou uma fala do Chico Buarque outro dia e que era mais ou menos assim: quando ele estava dedicado a um livro, não conseguia compor. E se compunha, não tinha espaço para a escrita. Quem dera a dona do Vuvu, o gato lindíssimo ao lado, fosse do nível do Chico Buarque, mas agora que está aprendendo a tocar bateria e quer se desenvolver no baqueteamento da caixa, e quer aprimorar sua coordenação motora, não está, de fato, conseguindo escrever nem mesmo n - n sobre 0.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3153904603367350860?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3153904603367350860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3153904603367350860' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3153904603367350860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3153904603367350860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/07/ou-la-ou-ca.html' title='ou lá ou cá'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1956101821483967593</id><published>2010-06-17T13:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-17T13:58:31.322-07:00</updated><title type='text'>Pra não esquecer como se escreve</title><content type='html'>- Fica-se um tempão parado em frente ao computador, com as mãos sobre os teclados, os dedos sobre as teclas e, se monitor fosse espelho, aquela que ali estava deparar-se-ia, fatalmente, com um olhar sem vida (ou seria perplexo?) de quem desaprendeu alguma coisa por momentos. Apenas momentos. Que dariam lugar a outros momentos, e que ela não sabia muito bem quando viriam. Mas, ao menos, naqueles momentos em que as mãos sobre o teclado e os dedos sobre as teclas nada faziam de produtivo, ela relembrava que havia um modo de operar nela mesma que dizia respeito àquela posição: dedos, teclas, monitor, silêncio na casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esquecida de si mesma, ela só sabe agora viver os encontros voláteis, as circunstâncias sem continuidade, os elos perdidos, desfeitos, frágeis. Ela não sabe mais construir uma frase que preste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada acontece. Apenas a constatação de que o momento é outro. Mas ontem ela teve uma conversa sobre o que é mais importante em um texto (e conversar sobre isso talvez seja quase como escrever um texto): a trama ou as idéias; a forma ou o conteúdo. E ela, apesar de não saber mais como se escreve, continua achando o que achava antes. O mais importante, num texto, é...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1956101821483967593?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1956101821483967593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1956101821483967593' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1956101821483967593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1956101821483967593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/06/pra-nao-esquecer-como-se-escreve.html' title='Pra não esquecer como se escreve'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5468323953851322713</id><published>2010-04-08T15:27:00.000-07:00</published><updated>2010-04-08T15:39:04.904-07:00</updated><title type='text'>Algarismos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/S75aAc9sq4I/AAAAAAAAAFI/aMWS-NkoxP0/s1600/ALGARISMO.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/S75aAc9sq4I/AAAAAAAAAFI/aMWS-NkoxP0/s320/ALGARISMO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457898762241092482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lia queria esquecer os oito algarismos do número do celular do mentecapto com quem saíra por um mês, mas apesar de haver já dois que não tinha notícias dele e que não sabia de seu paradeiro, ainda conseguia saber exatamente qual era o número, mesmo tendo deletado o contato de seu aparelho o quanto antes. Lia lembrava-se daquele número como nunca, ainda que não tivesse mais serventia alguma. Espantava-se com a força de sua memória, que funcionava à sua revelia: ela memorizara o número além de todas as outras cifras (senhas, documentos, cartões, datas de aniversários) que a vida impingia à sua consciência. E era tão estúpida e tão irônica e tão trocista e tão anárquica, e também maquiavélica, ardilosa, irritante, insana e absurda, a sua faculdade de memorizar, que quando Lia precisou ir ao banco no domingo chuvoso para sacar 50 reais fundamentais à sobrevivência na tempestade, esqueceu sua senha de oito algarismos. No entanto, era só pensar no celular do sujeito mentecapto que imediatamente a imagem dos números piscava como se gargalhassem, dançassem e fizessem cosquinha nas têmporas de Lia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rabisco: Vivian.&lt;br /&gt;Garatuja computadorizada: Johandson&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5468323953851322713?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5468323953851322713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5468323953851322713' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5468323953851322713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5468323953851322713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/04/algarismos.html' title='Algarismos'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/S75aAc9sq4I/AAAAAAAAAFI/aMWS-NkoxP0/s72-c/ALGARISMO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2947038149864811283</id><published>2010-04-01T10:11:00.000-07:00</published><updated>2010-04-01T10:23:12.575-07:00</updated><title type='text'>Garganta</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/S7TUHR6aWjI/AAAAAAAAAE4/lC-mM6hHcoY/s1600/garganta.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/S7TUHR6aWjI/AAAAAAAAAE4/lC-mM6hHcoY/s320/garganta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455218270185085490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanto tempo não via o sujeito que era descabida qualquer resposta para a pergunta “o que manda de novo?”. Se fazia meses, anos ou séculos que não o via, muita coisa de novo acontecera na periferia da vida, embora o cerne continuasse igual, mas como falar do que já acontecera e do que desacontecera? Resolveu então falar sobre a sua tosse. Tossia tanto, mas tanto, nos últimos dez dias, que era capaz de morrer naquelas crises de tosse que duravam trinta minutos e ameaçavam arremessar sua goela longe, estraçalhar o céu da boca e romper outras frágeis estruturas do palato. Falou pro sujeito que, enquanto tossia, o mundo era garganta. Só garganta. E apenas a sua, cheia de atrito e de alguma gosma. A tosse era a sua vida naquela última semana, porque, de resto, a vida era a mesma, embora outra. Depois de falar tanto de sua tosse, sentiu-se ruborizar. O quão ridículo podia ser uma pessoa que, de novidade, só tem a tosse? (Mas não era só aquilo. Era sobretudo o fato de o mundo ter se transformado em garganta, e será que ele alcançaria aquele achado?). Enfim, achou melhor devolver a pergunta: “E você, o que manda de novo?”. Após breves momentos e algum rubor, o sujeito disse, incerto: “Tenho espirrado horrores e o mundo é só nariz quando isso acontece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenho do Johandson.&lt;br /&gt;Texto da Vivian.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2947038149864811283?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2947038149864811283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2947038149864811283' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2947038149864811283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2947038149864811283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/04/garganta.html' title='Garganta'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/S7TUHR6aWjI/AAAAAAAAAE4/lC-mM6hHcoY/s72-c/garganta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3488045613683227307</id><published>2010-03-07T12:46:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T12:52:26.858-08:00</updated><title type='text'>o comprimido</title><content type='html'>Tinha que ser assim tão doloroso o processo e o caminho e o conflito de produzir uma síntese de si mesma? Quando chegasse lá - no resultado - a dor diminuiria? E valeria a pena o resultado? Existiria, em algum momento, o resultado? E aquelas sensações inteiramente novas que vinha sentindo há tantas semanas, elas cessariam? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não conseguia mais estar consigo mesma? Assim, numa tarde nublada, de vento azulado, de quietude nas ruas que podia enxergar da janela, não conseguia mais estar apenas com sua própria companhia. E se era noite de sexta ou sábado, aí sim é que seria insuportável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele tema da busca era um clichê dos mais antigos, mas era esse o tema e era essa a síntese. Ou, melhor dizendo: a síntese passava por esse tema clichê e inexorável. Por isso ela não se incomodaria de sair de casa às dez da noite e zanzar, sozinha que fosse. Sabia as ruas, os degraus, as vielas, os bares. Sabia quem encontrar em cada lugar e conhecia a possibilidade de não encontrar ninguém. E aquelas pessoas que ela encontraria eram como cerveja. Só serviam para o momento em que o líquido estivesse no copo e alguns minutos seguintes. Pois no outro dia ela continuaria achando insuportável estar consigo mesma, na quietude, no vento arroxeado quase, no domingo esvaziado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Definitivamente.&lt;br /&gt;O melhor era tomar o comprimido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3488045613683227307?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3488045613683227307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3488045613683227307' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3488045613683227307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3488045613683227307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/03/o-comprimido.html' title='o comprimido'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-407505061728056296</id><published>2010-03-05T04:50:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T04:55:31.280-08:00</updated><title type='text'>Você achava dizia e pensava</title><content type='html'>Você achava que estava no domínio da situação mas o outro é sempre uma incógnita maior do que você poderia medir ou avaliar. Você achava que seria bom dali pra frente, mas toda vez é uma estranheza mais alargada do que antes se mostrou. Você pensava que, se no início não era paixão, depois poderia se transformar em algo agradável. Você gostava da companhia dessa mesma pessoa há sete ou oito anos atrás, quando não a conhecia bem. Você gostava da companhia desse mesma pessoa quando não estava a sós com ela. Você de repente tem medo de falar o que pensa e ser mal-interpretada e ofender e irritar. Você sabe que agora você não é mais como era e não se leva mais tão a sério. Você não sabe se isso que você produz agora - se essa síntese de si mesma - é o melhor caminho, mas tem sido o único possível. Você tosse dia e noite sem parar e tem medo do que isso possa significar. Você achava que valeria a pena e continua achando, porque o Fernando Pessoa disse que, não sendo a alma pequena enfim. Você pensava que poderia ir levando mas é o vento frio de março que te leva pra cama, pra febre, pras dores. Você acorda porque os pensamentos não te deixam mais dormir e você dormiria bem mais, mas bem mais! Você não sabe muito bem o que você quer pensar e se quer pensar. Você digita Marcelo Adnet no youtube pra dar umas gargalhadinhas antes de enfrentar o dia. E você conclui que nunca ninguém está no domínio nem de si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-407505061728056296?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/407505061728056296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=407505061728056296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/407505061728056296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/407505061728056296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/03/voce-achava-dizia-e-pensava.html' title='Você achava dizia e pensava'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5039824489864160679</id><published>2010-02-18T08:04:00.000-08:00</published><updated>2010-04-01T10:32:40.692-07:00</updated><title type='text'>Nosso Carnaval</title><content type='html'>No Brejeiro a Vivian encontrou a Mariana do mestrado e foram juntas, no meio da multidão, cantando alalaô! Depois esbarrou na Juliana e no Chico, que reencontrou depois, e ouviu piadas malévolas e politicamente incorretas. Reencontrou o Daniel e a Anne e atualizou sua vida em poucos minutos. Mas a cerveja acabou e todos meteram o pau no Eduardo Paes e em seu fascista choque de ordem e voltaram pra casa, ela trocando as pernas. &lt;br /&gt;No dia seguinte, foi parar no Sassaricando, na Glória, onde conheceu um-dois-três-quatro-cinco-seis-sete-quantos-mesmo? paulistas. Johandson apertava um, Salvador puxava o bonde, mas era expert em sumiços e reaparições instantâneas. Um dos paulistas tinha um olho que crescia a cada bloco de carnaval e resolveram denominá-lo Terçol, pois era mais fácil assim. A Márcia Vitari também apareceu e se juntou ao grupo. Antes que o calor e o sol esturricassem os moles miolos da trôpega trupe, foram à Lapa, que era ali ao lado, e discutiram sotaques e bairros e zonas sul-leste-oeste de São Paulo e do Rio. Havia ainda os pênaltis do Vasco e Fluminense, que todos torceram como se fossem vascaínos roxos - os vascaínos e os conrintianos. Dali combinaram a noite, cada um foi prum lado, tomou banho, voltou e se acabaram no set do Maurício, onde ninguém teve teto preto. Terçol ficou de cueca na beira da pista, a Luísa dançou rock e ficou com saudades de Oxford, o Maurício tinha os olhos murchos pois faltava alguém essencial, o Ribas quase caiu no chão e entrou no banheiro das mulheres e tudo acabou bem depois. &lt;br /&gt;No domingo a Vivian estava de noiva 7h30 da manhã com a Carolina e Giselle enfrentando o sol no Boitatá, o Gota apareceu ao seu lado, porque o Gota sempre aparece, mas a noiva do Kill Bill teve piriri e nenhum banheiro químico tinha espaço para a sua alergia. Voltaram pra casa, Vivian dormiu a tarde toda, foi parar no Bloco Cru, onde por acaso encontrou novamente o Salvador e a turma de paulistas e ainda novos paulistas. Havia um furão também, chamado Benjamin, porque só lê Walter Benjamin. Do Bloco Cru foi parar no Bip Bip, sambinha pacato, onde encontrou a Luísa, a Carolina, a Dani e o Johandson e todos ficaram amigos, mas a Dani foi embora logo, porque tinha que guardar mil coisas na geladeira e também tinha os olhos tristonhos. &lt;br /&gt;Segunda-feira era dia de morrer esturricado no bairro dos atores-poetas: Santa Teresa e os mambos do Songoro Cosongo, mas a Vivian não agüenta Santa Teresa por muito tempo e arrastou todo mundo de lá. À noite, no Rancho Flor do Sereno, até o Guilherme Preger e a Ula apareceram, e diz o Ribas que viu a Deborah, mas ninguém mais viu. Fizeram uma quadrilha, todos eles e mais os desconhecidos ao redor, cantaram Guantanamera em altíssimos brados com estranhos de Copacabana umas trezentas e vinte e cinco vezes e partiram pro Pavão Azul, que topou fazer mais cinco pastéis para o Carlos e seu furão, que vieram de São Paulo es-pe-ci-al-men-te para prová-los. &lt;br /&gt;No dia seguinte, todos se encontraram no metrô da Cinelândia para a Orquestra Voadora. Ninguém foi capaz de voar, mas a orquestra e o céu azul, além do calor de oitenta e oito graus e mais a ausência de vendedores de cerveja fizeram com que todos quase alucinassem. Dali, o Salvador (que não é Salvador Dalí) puxou o bonde pra Copacabana, apareceu o Marcelo, todos cantaram sambas e dances e funks e marchinhas na beira da praia. É preciso dizer que o Salvador era o mais animado de todos, tanto que arrastou os que sobraram para seu jogo transcendental onde você é o vento e semeia as cores. Nesse jogo, a Vivian e a Carolina viram Deus, cada uma a seu modo, e cada uma com uma concepção diferente de Deus, mesmo sem acreditar que ele exista, mas viram, alguma coisa elas viram, e a primeira prendeu o choro, mas a segunda chorou desbragadamente, deram-se as mãos, puxaram a Luísa, tentaram enrolar o motorista de táxi e foram embora.  &lt;br /&gt;E tudo se acabou na quarta-feira!&lt;br /&gt;(E se tudo isso servir para o Pitel, o Terçol, o Carlos, a Maricota, o Cadu entrarem no facebook, e para o Estêvão, a Ju e a Dani paulista bolarem um tour maravilhoso por São Paulo pra toda essa destrambelhada trupe carioca, tudo vai ter valido mais ainda a pena!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5039824489864160679?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5039824489864160679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5039824489864160679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5039824489864160679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5039824489864160679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/02/nosso-carnaval.html' title='Nosso Carnaval'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-656472354799912830</id><published>2010-02-17T13:01:00.000-08:00</published><updated>2010-02-17T13:12:20.320-08:00</updated><title type='text'>A agenda do Edivaldo (parte 2)</title><content type='html'>(Continuação)&lt;br /&gt;O fato é que eu sempre tive facilidade de conhecer mulheres em locais inusitados: no ônibus, no metrô, na fila do cinema ou da padaria, andando pela rua e principalmente na praia. Vamos e convenhamos: eu sou o rei da praia. Tô sempre pela orla, e andando de bicicleta ou esperando o sinal abrir, sempre tem uma gatinha à deriva e não custa nada a gente lançar o anzol. Não é uma pesca, mas é, acaba sendo! E eu sempre tenho algo engraçado pra comentar. Sou inspirado nesses momentos, mas me bota no meio da night, cheia de cocotinhas lindas maquiadinhas, cabelos produzidos, perfuminhos inebriantes, decotes calorosos, e eu perco todas as idéias. Enfim, nessa de praia, lanchinhos no final de tarde, caminhadas terapêuticas pra pensar na vida e no meu encontro com Deus, que nunca acontece mas que há de acontecer, a agenda foi engordando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci a Paula na praia e era mais velha que eu. Saímos um dia, quando a Virna tinha uma prova de concurso público. Rolaram uns beijinhos sem maldade. Pra ser mais exato, na minha categoria de encontros e casos, a Paula se encaixou no nível um de pontuação. Isso não significa nota pra coitada. Nível 1 significa que não passou do beijinho naif. Quanto a essa tabela de pontuação, você quer saber o que é? Ah, depois eu passo pra essa etapa. Bom, mas aí a Paulinha andou ligando, só que eu dei uma desviada. O nome dela, entretanto, continua na minha agenda, e assim, no diminutivo, porque apesar de a minha amiga Vivi me achar um calhorda, eu não sou, e de fato tenho afeto por todas essas beldades com quem eu esbarro na rua, e ela não é Paula meramente, ela é realmente Paulinha, com todo o carinho de que disponho numa tarde pontual de verão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois eu conheci a Mara, do trabalho. Voluptuosa, aquela ali! Chegamos a conversar algumas vezes após o expediente mas com essa nunca rolou nada. É bom ter assim na caderneta de contatos umas promessinhas eternas. Essas aí, quando se concretizam, são as mais explosivas. Inesquecíveis. Também teve a Juliana, a amiga da Vivi. A Vivi nem tava de maldade quando me apresentou, mas rolou uma super afinidade. Saímos duas vezes, também só uns beijinhos inocentes, pontuação nível 1, isto é, ingênuo. A Virna não fazia idéia. E eu era, por ela, uma quase-apaixonado. Não a trocaria por nenhuma dessas, na verdade. Aliás, eu só saía com elas porque sabia que elas não eram ameaçadoras. Mas teve a Aline. Essa aí foi mais pauleira. Também a conheci na praia. E a afinidade foi incrível. Perigosa. Ameaçadora. (Porque é bom esclarecer logo, já que o tom aqui é o da franqueza, que há certas mulheres que me ameaçam, mas não vou desenvolver o assunto para não desviar do foco.) Bom, eu e ela batemos um papo de três horas só na primeira vez que nos vimos e nem trocamos telefone. E nos encontramos de novo, casualmente, no mesmo lugar, um mês e pouco depois. Conversamos loucamente e trocamos telefone. E não deu outra, inevitável: começamos a sair. A coisa foi ficando mais séria. Saí com ela bem umas quatro vezes. Estava ótimo e comecei a me preocupar, porque cheguei a cogitar: Virna ou Aline? Aline ou Virna? Tinha algo na Aline que era muito interessante. E o namoro com a Virna não tava lá dos melhores. A agenda, que começara aos dez meses de namoro, agora aos 18 meses, estava mais calibrada. Só que não agüentei. Porque aquilo ali que rolou entre eu e a Aline era mais sério e eu contei pra Virna, eu-tive-que-contar-pra-Virna! Eu estava na dúvida do que fazer e era o momento de decidir e a conversa com ela me ajudaria a tomar alguma decisão, mas há algo que ainda não contei aqui: eu sou libriando. E meu forte não é a decisão. Mas contei pra ela porque é o que eu digo. Sou um cara ético. Não conseguiria enganá-la por muito tempo. E a gente estava tão mal que era preciso ela saber, era preciso conversarmos sobre nós dois, estávamos sem saber o que seria e até quando e se tinha porquê, se continuaria ou não aquela nossa quase-paixão. O que eu talvez não soubesse é que, até o momento em que a Virna soube, ela me amava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-656472354799912830?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/656472354799912830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=656472354799912830' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/656472354799912830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/656472354799912830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/02/agenda-do-edivaldo-parte-2.html' title='A agenda do Edivaldo (parte 2)'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-722718432651137480</id><published>2010-02-04T14:34:00.001-08:00</published><updated>2010-02-04T14:34:49.674-08:00</updated><title type='text'>A agenda do Edivaldo (parte 1)</title><content type='html'>Quando eu namorava a Virna, eu já vinha cultivando aquela agenda, de uma certa maneira. É que a gente não perde o hábito de ter os paralelos, os substratos, a prova real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim: a gente estava há dez meses juntos e eu realmente gostava dela, juro que gostava. E muito! Talvez tenha sido a garota de quem eu mais tenha gostado e considero-a minha primeira verdadeira namorada, embora já tivesse outra, a Solzinha. Veja só, até apelido carinhoso a Solange tinha. Mas é isso, eu e Solzinha namoramos um ano e pouco, porém de modo tão rarefeito que já nem sei se conta. Quanto à Virna, foi diferente. Aqueles cabelos compridos dela, batendo no meio das costas, e aquele jeito tão quieto e meigo, algo meio nobre, digamos assim, e o fato de ela ser tão calada em público, tão na dela, lindamente tímida e sem me causar nenhum temor, ameaça zero, tudo isso, e mais o sorriso, fez com que eu quase-me-apaixonasse. Bom, e digo logo que isso é muito pra mim. Não me achem insensíveis os tolos que julgam de cara, mas a verdade é que quase-me-apaixonar é uma certa concepção de amor que tenho. Não sei bem o que é amor. Ou eu até saiba. Na verdade, aquilo que eu sinto pelos meus amigos, pelo Miguel, pelo Michael, pelo Fernando, pela Catarina e pela Vivi, isso eu considero amor. Amizade é meio que amor pra mim. Quanto às mulheres, um tesão indescritível não sei se pode ser considerado amor, mas eu amo as mulheres e, de fato, quase-me-apaixonar é um verbo que existe no meu vocabulário e faz todo o sentido e é um puta elogio para o objeto direto que o segue. Ou seria indireto? Bem, quase-me-apaixonar não é, jamais, um verbo intransitivo. Intransitivo fiquei eu quando a Virna me largou, mas ela tinha lá suas razões. Porque tudo tem seu fundamento naquela minha caderneta de contatos, de que eu falava no início deste relato. Aliás, por que é que eu estou relatando isso? Nunca senti tanta vontade de desabafar como agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela agenda me permitia garantir a sobrevivência num período áspero de seca e me permitia sentir a vida dentro de mim, quando ela estivesse minguando. É como se eu precisasse disso. Saber que não morri pro mundo talvez seja forte demais, clichê demais, escorregadio demais, convincente de menos, mas o fato é que eu precisava saber que havia possibilidades me aguardando, quando a Virna faltasse, e quando eu tivesse meus domingos à tarde sem ela. Não sei o que me dá, só sei que é uma vontade louca de fazer merda. Eu quase-sou-apaixonado pela Virna - até hoje, pasmem - e adorava estar ao lado dela. Íamos ao cinema, ao teatro, tomávamos uma coca-cola (que nem eu nem ela bebemos!), fazíamos algumas viagens por ano, mas eu sempre tinha que estar de olho em alguma outra mulher. Você pode me dizer que muitos homens são assim, mas eu não sou um mau caráter, de modo algum! A Vivi é uma grande amiga e apesar de uns dedos indicadores acusatórios querendo furar minha fuça, ela sabe que sou um cara bom, esperto, gente boa, sou ético, eu sei que sou ético. De algum modo sou ético, mas em relação às mulheres a minha ética é diferente da ética da Vivi, e quem poderá dizer quem está certo e ponto? Ninguém poderá dizer.(CONTINUA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-722718432651137480?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/722718432651137480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=722718432651137480' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/722718432651137480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/722718432651137480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/02/agenda-do-edivaldo-parte-1.html' title='A agenda do Edivaldo (parte 1)'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-338201130371539206</id><published>2010-01-30T07:06:00.000-08:00</published><updated>2010-01-30T07:16:19.031-08:00</updated><title type='text'>Novas versões do de repente</title><content type='html'>Quando menos se espera, você reencontra aquele cara de cinco anos atrás e trocam telefones. &lt;br /&gt;Quando menos se espera, um familiar que não queria te ver retorna e exige e complica e te abraça e range os dentes. Te faz chorar.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, o ano novo chega, você olha pra trás e percebe que não fez nada. Ou fez tudo, mas equivocadamente.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, uma poesia sua é publicada no site de alguém especial e você sorri, lisonjeado, honrado, agradecido, orgulhoso, envergonhado.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, alguém em quem você confiava te vem com uma bomba. Você chora uma tarde inteira e sente o desamparo despencando você nos porões da vida.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você pega sífilis. Mas tem cura. Ainda bem...&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você passa naquele concurso que não imaginava que tivesse possibilidades de concorrer. Quando menos espera, é convocado. Quando menos espera, entra em exercício. Quando menos espera, odeia o trabalho, os colegas, o ambiente. Mas o salário é bom. Você olha pra trás e pensa, ironizando o destino: eu quis tanto isso e choraria tanto se não passasse. Agora estou aqui, esmagado pela rotina nojenta do serviço.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você conhece uma pessoa que será, em breve, seu melhor amigo.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, alguém morre e você se apercebe de que sempre adiava uma conversa, um reencontro, uma atenção. Não dá pra fazer mais nada agora.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você ganha um prêmio. Em dinheiro. E faz aquela viagem. &lt;br /&gt;Quando menos se espera, você encontra alguém na noite e se apaixona. &lt;br /&gt;Quando menos se espera você se apaixona por aquela pessoa que, em outras circunstâncias, talvez não te dissesse nada. Por alguém totalmente fora dos seus padrões atrativos. E se apaixona perdidamente. Perdidamente? Apaixona-se, sim, achadamente!&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você recebe a proposta de um trabalho novo. &lt;br /&gt;Quando menos se espera, você deve voltar para seu país porque na Inglaterra não aceitam mais seu visto. Os planos todos mudam da noite pro dia, da água pro vinho, e o subdesenvolvimento volta a te circunscrever. Lide com isso, sem chorar demasiadamente!&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você desce do ônibus e quebra alguns dos seus metatarsos. Ficará em casa durante semanas, sem nada poder fazer, a não ser ler todos os livros que esperavam empoeirados e rever filmes do Bergman, do Spike Lee e do Tarantino.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você reencontra um antigo amor de seis anos atrás, que julgava morto e enterrado sem sombra de dúvida. É que não havia luz sobre essa dúvida para projetar a sombra...&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você está falido.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você vai ser papai!&lt;br /&gt;Quando menos se espera, serão gêmeos.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você tem que se mudar.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, um melanoma tatua sua pele.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, você obtém a cura. &lt;br /&gt;Quando menos se espera, tudo muda. Ou tudo fica como está.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-338201130371539206?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/338201130371539206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=338201130371539206' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/338201130371539206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/338201130371539206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/novas-versoes-do-de-repente.html' title='Novas versões do de repente'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3744830182246110633</id><published>2010-01-23T06:36:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T10:10:43.611-08:00</updated><title type='text'>Reações humanas</title><content type='html'>Quando ela foi contar pra ele o problema que a atormentava, o que ela sentiu foi: pernas bambas, dentes moles, cabeça dissolvendo, tufos de cabelos caindo, barriga dilatada, língua áspera e disforme, dores nas partes do corpo que começam com a letra E, olhos sem eira nem beira, dedos congelados. &lt;br /&gt;E ele olhava pra ela porque escutava com os olhos e com o ouvido, com a atenção e com o tímpano, e ela, enquanto contava, olhava pra frente, evitando-o de uma certa forma; no entanto, quando se deparava com aqueles olhos, que focavam a mensagem com porcentagens imponderáveis de subjetividade e de objetividade, ela ficava ainda mais nervosa e o que sentia era: amargor no canto da boca, vômito desprendendo-se da goela, remela tampando a vista, coceiras pelos cotovelos, vontade de não estar ali, vontade de não estar ali, vontade de não-estar-ali! &lt;br /&gt;Enquanto ia rascunhando seu relato em voz quebradiça e respiração irregular, cogitava o que se passava por trás daqueles olhos que a esmiuçavam de modo que ela não sabia interpretar. Tinha medo do que se passava por trás daquilo ali.&lt;br /&gt;Por trás daquilo ali o que ele sentia era: surpresa assustadora, espinha dorsal esfarelando-se, sanha de morrer, vergonha endurecida, ar rarefeito nas vias respiratórias, paladar ensangüentado.  &lt;br /&gt;E, enfim, ela terminou de contar. Deu-se um abismo. Intervalo orgânico de setes horas e cinco minutos se o tempo fosse meramente subjetivo, mas composto de nanosegundos objetivamente. Aquele megaabismo de nanosegundos quase matou-a. E morrer era com ela mesmo. Porque costumava morrer a cada segundo em que não sabia o que viria do próximo, o que viria do lado de lá da reação humana e ela tinha um pavor absurdo de reações humanas. De relações humanas. De contrações mundanas. Ela não sabia se ele riria dela. Ou se teria raiva. Rancor. Despeito. Horror. Nervoso. Ela não sabia se com tudo aquilo ele não quereria mais saber de encontrá-la, se a mandaria embora de sua casa e de seu ar condicionado, ela não saberia mais se ele quereria vê-la pelas costas, de preferência dando uns murros bem dados e marcando-a para sempre. Para sempre, não. Marcando-a, simplesmente (que para sempre é dramático demais).&lt;br /&gt;O problema não seria nem que ele não quisesse mais vê-la pintada de ouro, verde ou rosa. O problema todo seria descobrir, novamente, que as contrações humanas e as reações mundanas são sempre aquém do esperado. Decepcionar-se uma vez mais com a humanidade era algo que ela não sabia se suportaria mais. &lt;br /&gt;E aí, depois dos nanosegundos infinitos, o que ele fez foi uma das alternativas abaixo:&lt;br /&gt;(a) abraçou-a.&lt;br /&gt;(b) chorou.&lt;br /&gt;(c) disse: 'a culpa é minha'.&lt;br /&gt;(d) gritou: 'porra, vai embora daqui!'&lt;br /&gt;(e) nada disse especificamente sobre o assunto, tratou-a com normalidade frívola e nunca mais ligou pra ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3744830182246110633?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3744830182246110633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3744830182246110633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3744830182246110633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3744830182246110633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/reacoes-humanas.html' title='Reações humanas'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4047197832763194272</id><published>2010-01-22T04:42:00.000-08:00</published><updated>2010-01-22T04:55:20.206-08:00</updated><title type='text'>videoclipe</title><content type='html'>A vida pareceria um videoclipe se fosse sempre assim com o fone de ouvido. Era melhor ainda dentro do ônibus, quando Ana pegava aquele que ia pelo Aterro do Flamengo. Ouvindo Creedence, era então ótimo. Num clima nublado, anunciando pingos, as cenas poderiam parecer o prenúncio da catástrofe ou o preâmbulo da melancolia. De modo que, se ela estivesse já previamente arrastando-se em certo humor triste, ainda que de leve, ainda que sutil, ainda que pálido, ainda que esboço, tudo se tornaria mais sugestivo de um dia cinza em todos os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tanta a alegria acumulada nas últimas sete semanas ou mais, que até estava estranhando todo aquele negrume amarronzado. Tinha se esquecido de como era ficar triste. Tinha se esquecido de como era aquela coisa de sorriso endurecido, falta de vontade de botar o pé pra fora de casa e horror de pensar em ficar o dia inteiro dentro de casa. Surpreendente era ter se esquecido, pois a rigidez no sorriso e nos gestos e na coagulação sangüínea era algo de tão costumeiro para Ana - tão sempre, tão mesmo, tão todo dia - que agora era quase inverossímil o esforço que estava empreendendo para reter aquilo tudo novamente e ter que redescobrir como se movimentar naquelas condições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava triste. Os pingos já caíam. As árvores e os ciclistas e as gramas do Aterro do Flamengo pareciam ter ensaiado com a música ou, melhor dizendo, pareciam seus donos, como se a tivessem criado, árvores, ciclistas e grama compositores. Tudo se encaixava perfeitamente bem e a imagem era tão dinâmica quanto bela. E alguém ao seu lado, todo de branco, fazia lembrá-la de que, no mundo, além das gramas do Aterro, existem doenças esquisitas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4047197832763194272?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4047197832763194272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4047197832763194272' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4047197832763194272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4047197832763194272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/videoclipe.html' title='videoclipe'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-421393919890927648</id><published>2010-01-19T16:27:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T16:36:51.501-08:00</updated><title type='text'>estafa</title><content type='html'>A tristeza derivava do cansaço. Da estafa. Era assim horrível não ter energia e ter que andar. Era assim insuportável sentir as pernas doendo tanto e ter que subir as escadas de pedra e descer as rampas obrigatórias. A tristeza que sentia era imensa. E ela queria desistir. Sentar e fechar os olhos, com a cabeça apoiada nas mãos. Uma vontade de desistir de tudo. O sentimento mais lugar-comum da face da terra era rodeado por imensas massas de cansaço absurdo. Sentar e fechar os olhos e não levantar mais. Porque as coisas eram tão difíceis. Porque a luta era tão intensa. Porque era eternamente luta e justamente por isso. Alegrias cadê e onde? Ela andava alegre, bem alegre, mas naquele dia, um cansaço tomou conta de todos os sorrisos que poderia dar e eles se mantiveram presos em algum lugar da boca, dos lábios, das bochechas. Eles eram vários, mas cessaram de existir. E ela pensou, no ônibus, pois seu lugar era o ônibus: é possível que uma tristeza tão enorme seja fruto de um cansaço físico? Não conseguiu ter a resposta, mas quando saltou do ônibus, comprou aquele brigadeiro maravilhoso para ter algo a fazer com seus sorrisos em algum canto da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-421393919890927648?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/421393919890927648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=421393919890927648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/421393919890927648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/421393919890927648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/estafa.html' title='estafa'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7433227957363585473</id><published>2010-01-13T16:18:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T16:20:31.663-08:00</updated><title type='text'>linhas de fuga</title><content type='html'>O Celso não havia se despedido dela. Foi embora assim, sem mais. Ela acreditou que fosse voltar. E sabia onde encontrá-lo, se quisesse. Mas não quis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, acordou pensando nele. Foi quando Otávio ligou. Vamos ao cinema? Sim, podemos. E no cinema ela só pensava em Celso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois, foi ao encontro dele. De Márcio. E só conseguia pensar em Otávio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7433227957363585473?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7433227957363585473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7433227957363585473' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7433227957363585473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7433227957363585473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/linhas-de-fuga.html' title='linhas de fuga'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8734924373167459811</id><published>2010-01-07T16:47:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T12:36:11.639-08:00</updated><title type='text'>o que te resta?</title><content type='html'>Se ele soubesse gritar, ele gritaria. Se soubesse xingar, não hesitaria. Se ele tivesse como esmurrar, esmurraria. O que quer que fosse ele esmurraria. Se tivesse destreza em retorcer e fazer picadinho, não duvide de que ele retorceria e faria picadinho. Sem pestanejar. E sem arrependimento. Se ele soubesse se vingar, vingar-se-ia sim. Se ele soubesse ofender e assassinar, assim como quem mata metaforicamente faz muito mais estrago do que um homicídio concreto pode causar, ele ofenderia três mil vezes mais um e assassinaria n vezes contanto que n fosse maior que um zilhão. E se ele soubesse riscar, produzindo sangue, eu não julgaria que ficaria só na ameaça. Se cão que ladra não morde, ele partiria pra mordida sem ladrar, caso soubesse morder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que ele sabia fazer? Gritar, ele não sabia. Não tinha voz. Nem mesmo sussurro ele era capaz de produzir. E era uma dor o que sentia - e era incomensuárvel aquela dor - quando ele tentava gritar ou sussurrar e o que saía era um bafo sem cheiro. E xingar ele também não sabia, porque dependeria de voz e de vocabulário. Ele também não sabia esmurrar, porque não tinha punho. E também não tinha mãos e movimentos finos e grossos para retorcer e em seguida produzir o picadinho daquilo que foi tão bem retorcido como um quadro do Francis Bacon. Ele tampouco sabia se vingar, pois para isso era preciso raciocínio e frieza, e ele jamais possuira um cérebro e tampouco temperatura. Ofender e assassinar também estavam fora de seu alcance, pois era preciso ter corpo e palavras, e ele não tinha voz, gramática ou corporeidade. Riscar também não sabia, pois já vimos que era desprovido de punho e mãos. E ele não mordia porque não tinha boca, dentes, caninos, saliva. Ele não tinha fome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que restava a ele?&lt;br /&gt;O desprezo. Se soubesse desprezar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8734924373167459811?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8734924373167459811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8734924373167459811' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8734924373167459811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8734924373167459811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/o-que-te-resta.html' title='o que te resta?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4739142769149574096</id><published>2010-01-03T06:12:00.000-08:00</published><updated>2010-01-03T08:57:32.420-08:00</updated><title type='text'>Olhos vidrados mais uma vez</title><content type='html'>Se ela queria?&lt;br /&gt;Aqueles olhos vidrados novamente. Um pouco menos, mas olhos vidrados sempre se tornam cada vez mais vidrados. O que você vai fazer no banheiro no intervalo de tudo, que volta com os olhos mais vidrados ainda?&lt;br /&gt;Mas ele estava envergonhado. Quando avistou Ana Luísa e Vitória, sorriu tímido. Pegou as mãos das duas, uma por vez, beijou-as e não se aproximou. Ele sabia que as havia assustado uma semana antes, mas elas sabiam que ele não era má pessoa. Apenas que tinha os olhos vidrados e quando começava a falar não parava mais. Além de tudo, arregalava aqueles olhos e se sentia discriminado e falava mal da polícia, dos bandidos, dos burgueses, dos flamenguistas e dos ladrõezinhos da Lapa. Apesar daqueles olhos, ele era vegeteriano. E tocava bateria, mas foi expulso da banda, justamente porque olhos vidrados beiram o descontrole quase toda noite. &lt;br /&gt;Agora Ana Luísa e Vitória estavam com amigos. Inclusive alguns que haviam conhecido naquela mesma noite. Pois não tinha jeito: toda vez que saíam, conheciam várias pessoas dos mais variados formatos e das mais diversas embalagens. Era engraçado de uma certa maneira, pois algumas se transformavam em continuidade, ainda que curta. E ficaram ali conversando, enquanto o homem dos olhos vidrados papeava com outras pessoas por perto. Mas a música ia melhorando cada vez mais, enquanto as duas amigas dançavam, felizes. Até que ele puxou a amiga e dançaram e não teve jeito, ele tirou Vitória para dançar. Ela gostava de homens que sabem dançar. Homem havia que ter pegada e havia que ter um certo rebolado e aquele homem tinha. Apesar de as ter assustado sete dias atrás, agora ele estava suave. E dançaram. Bastante. Mais de uma vez. Mas os olhos dele não tinham cura: ficavam vidrados, cada vez mais, e junto com aquilo, uma fala que não se interrompia, um fluxo de idéias que não estagnava, e um certo desespero também. E aquele desespero era o que havia de mais assustador nele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4739142769149574096?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4739142769149574096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4739142769149574096' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4739142769149574096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4739142769149574096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2010/01/olhos-vidrados-mais-uma-vez.html' title='Olhos vidrados mais uma vez'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8826410644196117771</id><published>2009-12-30T06:01:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T06:13:43.575-08:00</updated><title type='text'>o final</title><content type='html'>Todo final era nauseabundo. De uma certa forma. De todas as formas possíveis. Todo final era violento. Camila estava deitada em sua cama, olhando para o teto. Naquele penúltimo dia de ano, decidiu que o melhor era não se mexer. Ou não se mexer muito. Mais ou menos como os jainistas, que andam devagarzinho-devagarzinho pra não pisar nas formigas que porventura aparecessem pelo caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que Camila não queria pisar? Em muitas coisas talvez. Em nada. O chão de seu quarto era o seguinte: sandálias espalhadas, uma almofada, um saco plástico com as roupas que comprara na véspera, um outro saco plástico com um celular que o pai havia dado há dois anos e ao qual ela não havia dado a mínima bola, um cortador de unhas, a calça que usara três dias atrás e que jurara que ia colocar para lavar. Formigas, não havia nenhuma, ao que soubesse. Mas ela ficaria lá, pois a náusea crescia dentro das suas partes internas. Quanto às partes externos - epiderme, talvez? - ela sentia um calafrio de vez em quando percorrendo a extensão dos braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camila pensou: amanhã é trinta e um de dezembro. Está acabando. &lt;br /&gt;Estará acabado. E foi rápido. Ligeiro. Lépido. Fagueiro. Tudo bem, depois de amanhã recomeça. Começa outra coisa, embora muitos achem que tudo é uma grande e absurda continuidade, tudo se trata de um dia após o outro. Mas Camila sentia diferente e continuaria imóvel pelo resto do dia se precisasse. Porque algo acabava e ela não sabia o que viria a partir daí. Um ano que acaba não é pouca coisa. Um ano é um conceito. Um conceito que contém muitos outros, enormidade de elementos muito bem identificados (alguns) e absurdamente vagos (tantos outros), todos fundamentais. Espécie de conjunto fechado. E as interseções são apenas as lembranças de outros anos, se é que havia aquilo de interseção - e se é que poderia representar por símbolos um ano inteirinho que passa e que, quer se queira, quer não, chega ao seu final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prima bateu na porta do quarto: tudo bem aí? Camila, com esforço, juntou todo o ar que cabia em si, e respondeu, com a voz fraca: tudo! Mas ela não disse 'tudo bem', ela disse tudo. E a continuação podia ser toda e qualquer uma. Tudo acaba um dia. Tudo indo. Tudo mal. Tudo imóvel. Tudo se volta para o teto branco. Tudo tem que recomeçar. Tudo faz parte do que está ausente. Tudo que sobe desce. Tudo que entra sai. Tudo tudinho mesmo. Tudo o que eu queria é que hoje não fosse hoje. Ela então sentia as mãos geladas e o suor aumentou. Porque quando pensava que hoje era um dos últimos dias do ano e que, se o ano fosse uma ampulheta, a areia do compartimento superior (o ano atual) estaria já no seu finalzinho, como um prazo que está correndo e que vai acabar e que fará muita coisa dar errado inevitavelmente, quando pensava nessas coisas todas, era desmaio inevitável o que vinha a seguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8826410644196117771?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8826410644196117771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8826410644196117771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8826410644196117771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8826410644196117771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/o-final.html' title='o final'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1175903740352232092</id><published>2009-12-27T08:04:00.001-08:00</published><updated>2009-12-27T08:32:02.238-08:00</updated><title type='text'>e essa gente toda?</title><content type='html'>E o que dizer dessa gente mais do que maluca que passa por aí, esbarra em você, fala mil coisas e quase não te deixa se manifestar e nada te pergunta e te oferece cerveja para que você possa ouvir ainda mais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos vidrados. Sem piscar. Sem desviar o globo ocular. Olhos vidrados, sobrancelhas levantadas, movimentação de braços, de ombros, de corpo. Ele não era feio. Falava "estrupo", mas tinha lá seu charme. E uma boina colorida e listrada. Era a segunda vez que Ana Luisa e Vitória viam aquele homem que parecia um ator não tão global, coroa, qual o nome mesmo? Aquele ator... Chico... Chico... Chico o quê, mesmo? Ela não lembrava o nome, mas era igualzinho a ele, e olhos vidrados, sem piscar, globo ocular perseguindo globo ocular, palavras, palavras, palavras. Um sotaque gaúcho e paulista ao mesmo tempo, histórias do Morro dos Prazeres, ele era o baterista da banda que se apresentava numa esquina da Lapa e falava muito. E, de repente, após os discursos longuíssimos que misturavam tudo e mais um pouco, um insight tomava conta daqueles olhos vidrados: "Ih, tô igual a uma metralhadora, gata, tá tá tá tá tá tá tá, cuspindo um monte de história aqui, meu camarada até se assustou comigo, foi mal aí, vou pegar uma cerveja, e eu nem sei de quem eu gostei mais, acho que estou apaixonado por vocês duas, já volto!". Ana Luisa e Vitória entreolharam-se divertidas, mas e aquele olhar vidrado? E ele voltou, bem depois, após o segundo momento, e estava com os olhos ainda mais vidrados, e falando ainda mais seguidamente, querendo ensinar o reggae jamaicano, mostrando marcas de bala numa perna, na outra perna, mostrando os dentes quebrados por causa de soco de polícia, e isso porque ele já tinha contado dos presentes de natal que havia dado para as crianças da favela, e isso porque já tinha contado que haviam feito um show em Campos naquele mesmo dia à tarde, e isso porque já as havia convidado para conhecerem sua casa e a cachoeira em Santa Teresa, e dizendo ainda: "vocês se trancam lá no quarto, não vai ter problema nenhum, ninguém vai abusar...". Ninguém vai abusar? E quem falou em abusar?&lt;br /&gt;Ana Luisa e Vitória ainda conversaram com mais várias outras pessoas que estavam por perto, inclusive a Marli, garçonete de seus 38 anos, muito simpática, que fazia propaganda da noite de jazz que havia naquele bar-boteco às segundas-feiras. Também uns gringos irlandeses e franceses muito suados que queriam tirar uma foto a qualquer custo e depois se mandaram, sorridentes e cantarolando. E também com um hippie argentino que fazia lindos trabalhos em arame dourado, formatos de Cristo Redentor e coração e outras coisinhas bonitinhas e fofinhas. E também com um cinegrafista com dreads aloirados que falava sobre cinema e lembrou da novela que passou na tv manchete há anos e anos e anos atrás. Eram tantas as pessoas e tão divertidas as histórias e tão vidrados alguns olhares que Vitória e Ana Luisa, ainda que não quisesse admitir, sentiam certo medo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando o cara voltou, pela terceira vez, seus olhos ainda mais arregalados e parados e famintos, querendo capturar qualquer atenção alheia: intensificava agora sua metralhadora verbal, contando histórias inverossímeis, embora verdadeiras. &lt;br /&gt;O que dizer dessa gente doida que fala sem parar e não te deixa respirar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1175903740352232092?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1175903740352232092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1175903740352232092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1175903740352232092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1175903740352232092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/e-essa-gente-toda.html' title='e essa gente toda?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2798420761044594806</id><published>2009-12-24T18:23:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T18:24:24.080-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>não, não deletei esse blog.&lt;br /&gt;não, não deletarei.&lt;br /&gt;aqui delatarei as minhas angústia.&lt;br /&gt;nisso fiz um novo perfil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2798420761044594806?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2798420761044594806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2798420761044594806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2798420761044594806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2798420761044594806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/nao-nao-deletei-esse-blog.html' title=''/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8267778132143241877</id><published>2009-12-24T12:41:00.001-08:00</published><updated>2009-12-24T12:43:08.148-08:00</updated><title type='text'>O que desejaria?</title><content type='html'>Era assim, ó:&lt;br /&gt;- ela desejava, para o ano que viria, reencontrar um velho amigo que usava uma enorme barba, e desejava falar pra ele tudo o que não pudera falar nos tempos em que se encontravam sempre, e de quebra acariciar aquela barba, como há muito tempo não fazia, e dizer a ele que, se ela fosse homem, também usaria barba, assim como óculos escuros, e perguntar a ele o que ele usaria ou deixaria de usar se fosse mulher, e ouvir dele um 'depende' naquela voz macia e convicta (apesar de um 'depende') e, nesse caso de encontrá-lo, o que pretendia era fazer tudo diferente: não brigaria, não discutiria, não entraria em questões intermináveis, concordaria com tudo e, no caso de discordar, apenas discordaria, sem querer convencê-lo de quem tinha a razão e de quem era a espertalhona; &lt;br /&gt;- ela desejava ir a um lugar onde nunca havia ido antes, talvez do outro lado do Oceano Atlântico, e dizer às pessoas algumas palavras em português que ela apreciava bastante, como 'sarapintado' ou 'trivial' ou 'pluvial' ou 'fluvial', elaborar frases inteiras se estivesse com fôlego como "o que é sarapintado nem sempre é trivial, mas talvez seja uma mistura bélica de fluvial com pluvial" e repetir devagarzinho para que os ouvidos estrangeiros pudessem ter a graça de entender: 'plu-vi-al'; poderia até mesmo dizer 'ronronar' ou então 'trapézio', e quem sabe "bagaceira", mas tudo dependeria da vontade do momento; cantaria também uma música dos Secos e Molhados que falava sobre o Amor (tendo ensaiado antes inclusive com seu ganzá e quem sabe seu pandeiro também), e a música dizia assim (e ela seria paciente e didática para explicar a quem não entendesse): 'leve como leve pluma muito leve leve pousa, muito leve leve pousa'... E as pessoas iriam gostar e iriam pedir para que repetisse ou para que continuasse e ela repetiria e continuaria com certeza: 'na simples e suave coisa, suave coisa nenhuma'; ficaria horas conversando com um gringo na língua em que inventassem sobre a ontologia da suave coisa nenhuma e, certamente,chegariam a múltiplas conclusões (era daquele tipo de conversa que ela gostava, afinal). &lt;br /&gt;- e ela desejava algo mais: surpresas. De preferência boas. Pois parou pra pensar, fazendo uma retrospectiva menos espetacular que a da televisão, e de fato o ano que passara fora um ano de surpresas, boas e ruins. Talvez ela só tivesse focado as ruins e, assim, tivesse criado um juízo do ano: ano ruim. Ano merda. Ano puta que pariu. Ano cruz credo. Ano escrotidão. Ano palavrões todos juntos, emaranhados, enovelados, reverberando sem parar. Mas se ela tivesse prestado atenção nas adjacências das surpresinhas ruins, talvez encontrasse uma série de surpresas boas, às quais ela não havia dado a devida atenção. &lt;br /&gt;- para o próximo ano ela almejava fazer uma nova receita e chamar todos os seus amigos para degustarem-na, mas, por outro lado, ela sabia que a nova casa onde iria morar e que estava esperando por ela ansiosa por acolhê-la não comportaria todos os amigos (e, no entanto, uma voz bem miudinha perguntava baixinho: se você fala de amigos, talvez a casa comporte); e ela desejava que todos os móveis coubessem em seus devidos lugares e que as ondas pluviais e sarapintadas de qualquer céu apenas servissem para deixar o clima um pouco mais ameno em janeiro e fevereiro, aqueles meses devastadores, vorazes, assustadores que vinham correndo saltando os obstáculos do caminho. &lt;br /&gt;- ela desejava saltar na Riachuelo, atravessar a rua, enveredar pelo Lavradio, encontrar uma pessoa que não via há três anos e beber um cerveja, atualizando-se das novidades, e então levantar-se, encontrar a amiga na esquina da Gomes Freire com a Mem de Sá, ouvir música e dançar um pouco, fazer amizade com os filósofos rústicos de mais de trinta anos, sair dali para a rua de trás, esquivar-se dos ruins e almejar os imprescindíveis, dar a volta e cair no depósito, mas fugir dali rapidamente, para retornar ao outro lado, conversar um pouco mais, rir sem parar e pegar um ônibus de volta, caso já fossem seis da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, ora, o que ela desejava para o ano vindouro? Nem ela sabia mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8267778132143241877?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8267778132143241877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8267778132143241877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8267778132143241877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8267778132143241877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/o-que-desejaria_24.html' title='O que desejaria?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6175832611295702671</id><published>2009-12-19T00:49:00.001-08:00</published><updated>2010-01-03T08:52:01.630-08:00</updated><title type='text'>palavras cuspidas</title><content type='html'>Seis e cinquenta da manhã. Mentira. Seis e quarenta e nove da manhã. &lt;br /&gt;O que ela sentia era tristeza. Olhava ao redor e pensava: não, não é possível. Não me encaixo em nada disso. Não faço parte. Estou boiando fora de todas as partículas que ficam bem quando juntas (e sempre estão juntas). Seis e cinquenta e um. E ela não sabia se ainda não havia dormido ou se já tinha acordado. Sua vontade era tomar café. E recuperar todas as horas perdidas em noites mal-dormidas e palavras cuspidas em copos de cerveja. Ela não gostava de nada daquilo. Do que ela gostava? De ficar sozinha. De silêncio. De algazarra de cinco ou seis, talvez, mas cinco ou seis velhos amigos. Aqueles em quem podia confiar. Aqueles que patinavam em afinidades parecidas. Mas e essa gente toda que fala com você em uma noite e não traz um brilho diferente, uma pensamento novo, um sacolejo que desconstrua e reconstrua alguma estrutura falsa em você? Uma piada engraçada e nem isso e nem nada e nem tchum. E essa gente toda? E ela nessa gente toda? Seis e cinquenta e quatro. O que sentia era tristeza endurecida, era lágrima solidificada, era não saber mais o sentido. O sentido. Resolveu esparramar-se na cama. E quem sabe recomeçar, antes que o ano acabasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6175832611295702671?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6175832611295702671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6175832611295702671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6175832611295702671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6175832611295702671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/palavras-cuspidas.html' title='palavras cuspidas'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1506164226334325203</id><published>2009-12-12T13:53:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T13:00:04.010-08:00</updated><title type='text'>era melhor</title><content type='html'>Era melhor não conhecer as pessoas, não falar com elas, era melhor não saber de suas existências e suas vidas e suas idéias. Era melhor ficar fechada num quarto, não sair e apenas respirar, respirar. Era melhor não se envolver, não esperar uma coisa e ter outra, não achar que aquilo que se vê é aquilo que é. Aquilo que se vê talvez não seja aquilo que é. Aquilo que se é talvez não seja absolutamente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era melhor então pegar uma poesia de Fernando Pessoa e lê-la em voz alta e depois um parágrafo da Clarice Lispector e lê-lo chorando e depois um página inteira do Jonathan Safran Foer e gritar. Era melhor apenas ler. Era melhor apenas ver um filme e depois outro e depois outro. E colocar uma música clássica, quem sabe o Adágio de Albinoni, e se deixar levar por notas, acordes, harmonias, mas sem ver ninguém. E respirar depois. E se deitar. E não sair mais de casa, não encontrar as pessoas nas ruas laterais, nas filas de cinemas, nos congressos universitários, nos sinais de trânsito. E não saber o que te faz sofrer, e te faz sofrer muita coisa que está do lado de fora da porta da rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1506164226334325203?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1506164226334325203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1506164226334325203' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1506164226334325203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1506164226334325203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/era-melhor.html' title='era melhor'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-290465074866922903</id><published>2009-12-10T04:41:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T04:56:59.822-08:00</updated><title type='text'>ruídos</title><content type='html'>- Oi.&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;- E aí?&lt;br /&gt;- E aí pergunto eu: e aí?&lt;br /&gt;- Queria te ver...&lt;br /&gt;- Ah, sim, era isso?&lt;br /&gt;- E te ouvir...&lt;br /&gt;- Sei.&lt;br /&gt;- Te cheirar, talvez.&lt;br /&gt;- Realmente, você não tem jeito.&lt;br /&gt;- Te tocar, na verdade. Assim: - sua mão pousou delicadamente sobre a dela. Ela não retirou a sua. Apenas olhou o gesto e as duas mãos, estáticas. A sua estava fria. A dele, quente. Suas mãos costumavam ser frias. Era seu destino ter as mãos frias. Por isso tinha luvas. E mais luvas. E mais luvas. Continuou olhando os dedos dele, até que sua voz a retirou da pura percepção: - Tudo bem? &lt;br /&gt;- Tudo indo.&lt;br /&gt;- Comigo também.&lt;br /&gt;- A gente se enrosca nos eventos da vida, né? Nos acontecimentos. Nas pessoas que aparecem a torto e a direito aqui, ali, lá, acolá, nas ruas paralelas, nas transversais, nas ladeiras e escadarias, na Tijuca, na Lapa e em Copacabana. A gente se enrodilha na multueira de coisas que vão acontecendo umas atrás das outras e vai vivendo. De repente, esqueci que você existe. Mas lembro toda tarde.&lt;br /&gt;- Eu idem. Também me enrosco. E me enrodilho. E me confundo. É tanta coisa, né? Tanta imagem e tanta gente falando e tanta palavra que se ouve e tanto barulho de carro e buzina e guarda apitando... A vida é barulho. Mas lembro de você toda tarde, apesar de não saber mais muito bem de que luzes e sombras seu rosto é feito. A vida é barulho e eu esqueço as imagens.&lt;br /&gt;- Eu prefiro o silêncio.&lt;br /&gt;- Eu prefiro o inverno.&lt;br /&gt;- Eu prefiro a solidão. Mas nem sempre.&lt;br /&gt;- Nem sempre... &lt;br /&gt;- Por onde você anda, afinal? &lt;br /&gt;- Você nem queira saber...&lt;br /&gt;- Mas, olha, tem certos momentos em que eu daria muito pra saber o que aconteceu com você após todos esses anos. Já se vão quantos? Seis?&lt;br /&gt;- Quase seis anos.&lt;br /&gt;- Mudou alguma coisa dentro de você nesse tempo? E aquela barba enorme com trança, você ainda a cultiva? Quanto a mim, muito mudou e muito permaneceu. E não sei se o que mudou era o essencial a ser mudado. Mas sabe: não sou mais aquela de seis anos atrás. Ali eu era jovem e tinha mais vontade. Mais sonhos. Não sou velha, e nem você. Mas eu era outra e esperava outras coisas. Outros pensamentos eu tinha, planos diferentes dos que tenho hoje, frustrações menores, outro temperamento também. Você lembra como eu brigava? Ah, mas eu brigava...&lt;br /&gt;- Você é de câncer, né? Todo canceriano é meio arretado. De alguma forma, tantas brigas nos separaram, mas gosto de você até hoje e rio daquelas brigas quando, à tarde, naquele momento diário que não existe bem, me recordo de alguma particularidade sua. Você sabe disso. Você leu isso. &lt;br /&gt;- Eu talvez tenha lido isso em você, mas já fazem quatro anos. E as páginas viram. A vida é barulho e eu esqueço as palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-290465074866922903?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/290465074866922903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=290465074866922903' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/290465074866922903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/290465074866922903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/ruidos.html' title='ruídos'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5215035862168913123</id><published>2009-12-08T10:35:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T04:59:20.575-08:00</updated><title type='text'>tapando os ouvidos</title><content type='html'>De início ela não sabia porquê, mas precisava sair correndo dali. Deixar pra trás o quanto antes aquele lugar, que era compacto, pesado, concreto, quase que o ar do ambiente comprimia sua pele. Já na rua, o suor abundante fazia com que sentisse sua camisa molhada e algumas gotas escorrendo pelas costas. Ela precisava se distanciar ao máximo dali, pois ainda conseguia ouvir os ecos, os ecos! Aqueles ecos transtornavam sua audição e deixavam um zumbido rastejando atrás. Doía-lhe a cabeça, bem ali na altura da nuca. Colocou a mão no local da dor e massageou de leve. Tinha que ir embora daqueles zumbidos e ecos, esconder-se de modo enroscado atrás de alguma moita plausível. É que as opiniões daquele garoto que não passava dos vinte e seis anos invadiam-lhe e achatavam qualquer senso de compreensão e paz, provocavam rupturas sucessivas em qualquer cadeia de pensamento que ousasse forjar sozinha e não compartilhar com nenhuma outra alma. Ele desmontava seus elos! Queria estar ao menos uma vez retilínea consigo mesma, aprumada num certo eixo de silêncio, mas eram opiniões invasivas e definitivas, e aquelas opiniões, todas juntas e intrincadas, expulsavam-na de si e de qualquer outro suporte. Por isso - agora, a posteriori, ela era capaz de enxergar - ela precisara sair correndo dali, catando os cacos que, atados, impediriam que se espalhasse sem retorno. E o pior é que continuava precisando se distanciar, pois tinha medo de que aqueles ecos a alcançassem e provocassem novas e irreversíveis rachaduras. Estava agora a quatro quarteirões, mas ainda sentia o cheiro de tantas idéias tão bem amarradinhas. Era tudo muito certeiro no modo como ele, de não mais que vinte e seis anos, organizava suas idéias. E ele falava alto, com aquele tom meio afeminado que lhe era característico, com aqueles gestos meio bamboleantes que eram inconfundíveis nele, com aquele lápis no olho que se sabia muito bem que havia usado. Não, não, não! Ela queria sair dali e agora se encontrava a seis quarteirões daquele recinto onde não cabia mais voz nenhuma, que dirá seu corpo. Era tudo final, correto e sem dúvidas na forma como aquele rapaz dizia o que achava e ela não agüentava, não suportava, ela não queria mais ouvir!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5215035862168913123?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5215035862168913123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5215035862168913123' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5215035862168913123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5215035862168913123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/tapando-os-ouvidos.html' title='tapando os ouvidos'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2638149034031179806</id><published>2009-12-06T09:37:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T09:41:15.852-08:00</updated><title type='text'>breve reflexão</title><content type='html'>Reflexão: gênio é aquele que tem bom coração. O que é um raridade. Burro é aquele que faz livros sobre religião e chama de burro quem não gosta de um determinado filme. E aquele que se autoproclama gênio está longe de sê-lo. Os poucos gênios que conheci não se diziam gênios. Diziam o contrário: a idéia não é mais minha, está no ar agora, é de todos. Isso é genialidade. Pior: os que ovacionam o suposto gênio criam uma farsa e só contribuem para o ego inflado e futuros sofrimentos do falso gênio. Dói-me ver o suposto gênio que cita Jung mas faz tudo ao contrário. Como são tolos e idiotas os que consideram gênio aquele que não é. Estão na mesma roda de ilusão: o admirador idiota e o falso gênio orgulhoso do que não tem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2638149034031179806?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2638149034031179806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2638149034031179806' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2638149034031179806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2638149034031179806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/breve-reflexao.html' title='breve reflexão'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2358653651912706635</id><published>2009-12-06T09:16:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T09:30:31.721-08:00</updated><title type='text'>Até quando?</title><content type='html'>O Carlinhos foi recolher a louça e passar um pano na mesa 4 e deu de cara com aquele papel dobrado com minúcia e zelo. Olhou para os lados, ressabiado. Não parecia lixo. Alguém esquecera um documento. Olhou para os lados, ressabiado. Recolheu o papel e levou a louça para a cozinha. Na volta, foi atender a mal-humorada da mesa 8, que queria agora um bolo de laranja. Olhou para os lados, ressabiado. Meteu o papel no bolso, curioso, ansioso. Levou o bolo de laranja. Aturou as grosserias. Quis meter-lhe a mão na cara, estapear aquela velha, espalhar suas rugas pelo chão inteiro do café, distribuir sua idade mal-amada por todos os cantos do lugar e destroçá-la em pedacinhos diminutos, para, no final das contas, ser aplaudido de pé e ruidosamente. Olhou para os lados, ressabiado. Sentiu o volume do papel apalpando a calça na altura do bolso. O casal da mesa 1 pediu a conta. Olhou para os lados, ressabiado. Queria superfaturar aquela conta e levar uns quinze reais pra casa. Lembrou de Joana. Grávida de seis meses. Vinte anos. Lembrou de seu salário, sua família, seu futuro. Olhou para os lados, ressabiado. Por que ela não tirara a criança? E aquele papel, dobrado em seu bolso? Pediu a conta da mesa 1 para o Orlando e depois levou para o casal, que contou moedinhas, e ele teve vontade de ajudá-los com seu ordenado. O casal se levantou decente e a coroa da mesa 8 fez novo sinal. Olhou para os lados, ressabiado. Não queria ouvir a voz da coroa chata mas foi até ela, respirando fundo, ressabiado. Desconfiado. Mal-humorado, ele também. Queria retorcer aquela voz e arrebentá-la de um puxão, dar um soco naquele nariz proeminente e espirrar sangue para todos os lados, ressabiado. Ser ovacionado. Foi até ela. A mulher tinha a voz rouca, remela nos olhos, gorduras sobrando. Reclamou do bolo. Reclamou do café. Reclamou do atendimento. Reclamou da vida. Ele escutou, afastou-se, fechou as mãos com força, foi até a mesa 5, anotou os pedidos, voltou, foi novamente chamado, escutou os clientes, levou café, levou chá, levou coca-cola, levou pão de queijo, levou torradas, levou a conta, olhou para os lados ressabiado, sentiu o papel no bolso, coçou a cabeça, riu com o Orlando de um cara engraçado que lia um livro no canto do café, levou mais contas e mais cafés e distribuiu mais tapas nos chatos que o perseguiam, ressabiado, encafifado, irritado, engajado em reprimir o seu mal-humor, e no dia seguinte também, acordando cedo, pensando em Joana, pensando no filho, pensando na vida, levando cafés, limpando mesas, aturando grosserias, todos os dias, e no fim do mês o salário, e ele então lembrou que esquecera um bilhete dobrado no bolso da calça (que Carlinhos só lavava de quinze em quinze dias ou mais para economizar sabão em pó), abriu-o no ônibus no caminho para o café na Zona Sul, pela longa trilha de uma hora e meia da Av. Brasil, olhou para os lados, ressabiado, e todos dormiam, menos ele, quando então pôde ler: 'Até quando as coisas vão continuar como estão?'. E ele já não sabia mais se fora outra pessoa ou se fora ele mesmo que escrevera aquele bilhete, ressabiado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2358653651912706635?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2358653651912706635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2358653651912706635' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2358653651912706635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2358653651912706635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/ate-quando.html' title='Até quando?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3765254112909414248</id><published>2009-12-04T04:59:00.001-08:00</published><updated>2009-12-04T04:59:42.724-08:00</updated><title type='text'>Tentei falar mais de uma vez</title><content type='html'>Tentei falar mais de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz de barba comprida e cabelo alourado deu com aquele escrito na mesa de bar, onde tomava uma cerveja, sozinho. A letra era cuidadosa. E o papel havia sido dobrado de forma igualmente cuidadosa. Alguém esquecera uma aviso? Uma ameaça? Sim, aquele tom era de ameaça. 'Tentei falar mais de uma vez' é quase um dedo indicador apontado na cara, e seguido ainda de um 'ouviu bem?' emitido em voz esganiçada e carregada de ódio. Ele tinha certeza de que aquela era uma ameaça, pois não havia assinatura, o que era típico das ameaças que querem constranger o indivíduo a não sair mais de casa, a olhar para trás ao virar cada esquina, a observar bem, da janela, o movimento da rua e a averiguar o estacionamento antes de pegar o carro. Era estranho aquilo, mas para quem seria a mensagem? Para ele, talvez? Mas como poderia ser para ele? Quem escreveria aquilo? Se ele nunca passava por aquela rua e jamais entrara naquele boteco de quinta categoria, não podia ser para ele, pois o bilhete, muito bem dobrado, exalando até mesmo um certo perfume indefinível, suave e agradável, já estava lá, sobre o balcão, e ele só o notou após pedir a cerveja ao vendedor. Não, não podia ser para ele. Mas para quem? E de quem? E por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou o moço:&lt;br /&gt;- Por favor, isso aqui é seu? - e mostrou o papel.&lt;br /&gt;O moço olhou para o escrito com aquelas sobrancelhas de quem está tentando entender o objeto. A gestalt ainda não havia sido formada.&lt;br /&gt;- Sei não.&lt;br /&gt;- Você não sabe se é seu?&lt;br /&gt;- Não-sei-o-que-é-isso-não-senhor.&lt;br /&gt;- E quem deixou aqui?&lt;br /&gt;Novamente as sobrancelhas, novamente uma interrogação rodopiando ao redor da testa daquele homem com a cara cansada de quem trabalhava até altas horas todo dia.&lt;br /&gt;- Não-sei-não-senhor.&lt;br /&gt;E depois disso ele desistiu de perguntar. Examinou novamente o bilhete, virando-o pelo avesso, aproximando-o do nariz, ampliando a capacidade de entendimento de seu olfato e, cada vez mais, achando que aquele bilhete, por mais misteriosa que fosse aquela convicção, era endereçado para ele mesmo e ninguém mais.&lt;br /&gt;Ele, então, pensava: e o que foi que tentara - o remetente do pequeno recado - falar mais de uma vez?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3765254112909414248?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3765254112909414248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3765254112909414248' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3765254112909414248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3765254112909414248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/12/tentei-falar-mais-de-uma-vez.html' title='Tentei falar mais de uma vez'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8258403304783852790</id><published>2009-11-27T09:04:00.000-08:00</published><updated>2009-11-27T12:16:34.737-08:00</updated><title type='text'>recados</title><content type='html'>Maria resolveu deixar bilhetes. Para o mundo. Assim, como quem não quer nada, querendo mais coisa do que se possa imaginar. Ela não identificava bem o que queria e o que não queria, mas ausência de desejo não era com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou num café. Após tomar o expresso e passar o guardanapo nos lábios, deixou sobre a mesa, dobrado em quatro partes, um papel reciclado que dizia: "Até quando as coisas vão continuar como estão?". Levantou-se e saiu. Alguém leria aquele bilhete. E resolveu começar com bilhetes com esse teor: mensagens que lhe pareciam universais, que suspostamente valeriam pra todo mundo, que fariam sentido para qualquer um. Tanto quanto as mensagens de horóscopo de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, deixou sobre o balcão de um bar, novamente após um expresso, novo papelzinho. O bilhete dessa vez dizia: "Tentei falar mais de uma vez". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, escolheu um banco de praça muito freqüentado por crianças e velhinhos, além das mães. No papel, que ali depositou, era possível ler: "Nem sempre os dias são normais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de abandonar aqueles recados sem destinatário preciso, passava longos momentos imaginando quem os teria lido e o que teria pensado seu leitor. Se havia jogado fora ou deixado para o próximo. Se havia pensado sobre o assunto do bilhete por mais de um segundo ou se o esquecera por completo. Se havia se perturbado ou se nem se afetara. Seu objetivo não era uma interferência artística insuportável, nem uma perfomance silenciosa com sujeito oculto. Ela queria apenas se comunicar. Criar uma ponte qualquer com o qualquer um e imaginar quaisquer conseqüências que surgiriam posteriormente, se é que haveria alguma. E após algumas semanas deixando bilhetes supostamente universais, começou a inventar o que não parecia tão lógico a príncipio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa do restaurante, onde almoçou solitariamente na segunda, na terça, na quarta, na quinta e na sexta, deixou: "Moscas incandescentes entraram pela direita". E no metrô, ao lado da bilheteria, deixou: "Botões escandinavos sabem bem a regra certa. Pergunte a eles.". Na caixinha do correio do vizinho do 103, o recado que entregou dizia: "As horas não se sucedem a todo instante". E assim foi ampliando os bilhetes, sofisticando o conteúdo das mensagens, enredando-se na filosofia da carta incomum, com apenas uma preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que quando ia dormir à noite, a única coisa que afligia Maria era a idéia de que ninguém encontrasse seus bilhetes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8258403304783852790?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8258403304783852790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8258403304783852790' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8258403304783852790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8258403304783852790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/recados.html' title='recados'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8432578953518477040</id><published>2009-11-22T06:30:00.001-08:00</published><updated>2009-11-22T06:31:06.493-08:00</updated><title type='text'>A madrugada do órgão</title><content type='html'>O coração anda amolecendo, e não é por compaixão, dó ou covardia. Ele perde o vigor, e anda encurvado, quase encosta o chão, quase sente sua poeira e suas gosmas, arrasta-se pesado nas cavidades do tórax (ou do abdômen?), migra de lá pra cá buscando solucionar uma claustrofobia que vem recrudescendo, percebe as reentrâncias do solo - o solo das vísceras - como nunca antes, bamboleia, diminui, empalidece: a tonteira se aproxima desse músculo avermelhado. Está despencando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8432578953518477040?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8432578953518477040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8432578953518477040' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8432578953518477040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8432578953518477040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/madrugada-do-orgao_22.html' title='A madrugada do órgão'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8320181134687089509</id><published>2009-11-21T08:01:00.001-08:00</published><updated>2009-11-21T13:20:05.631-08:00</updated><title type='text'>vergonha</title><content type='html'>Chamou a gata Métis, deusa da astúcia ou da prudência (não sabia bem - e prudência e astúcia não são iguais, trocando em miúdos?), com seus pelos repletos de manchas parecendo vitiligo, e ela foi, pois era dócil, obediente, social, corajosa, bela. A gata Métis era fina e aparentemente frágil. &lt;br /&gt;'Tenho vergonha de mim, Métis.'&lt;br /&gt;'É o quê?'&lt;br /&gt;'TENHO VERGONHA DE MIM!'&lt;br /&gt;'EU OUVIII!'&lt;br /&gt;'Tenho vergonha de mim, das coisas que faço, do horror que produzo, do medo que crio nos outros, do fato de que posso ser insuportável de tempos em tempos e que não querem, as pessoas, me ver por perto, atender o telefone, ouvir minha voz. Todos com razão. Tenho vergonha de mim.'&lt;br /&gt;'E pena de si mesma também, não é?'&lt;br /&gt;Mas ela não respondeu. Pois, de fato, não tinha pena de si. Não, não era o caso.&lt;br /&gt;E a Métis virou-se para o outro lado, naquele jeito típico de gatos, produzindo aqueles movimentos que todos os gatos possuem e sabem fazer muito bem, ainda que tenham suas idiossincrasias muito particulares que não compartilham com outros felinos, e logo estava cochilando. &lt;br /&gt;'Tenho vergonha de mim', ela repetiu, mas agora sem interlocutor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8320181134687089509?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8320181134687089509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8320181134687089509' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8320181134687089509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8320181134687089509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/vergonha.html' title='vergonha'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5577146269634775475</id><published>2009-11-18T13:05:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T13:20:08.973-08:00</updated><title type='text'>inércia</title><content type='html'>Martina ficou feliz de estar naquela van. Estava quase lotada. O ar condicionado deixava o ambiente ligeiramente menos quente que do lado de fora. Ao seu lado, um homem de seus trinta e cinco anos, com uma valise sobre as pernas. Do outro lado, uma senhorinha que segurava firme nas cadeiras da frente, ao lado do motorista. Não havia barulho. Ninguém ligava para ninguém, celulares todos calados, quase um milagre. O motorista era simpático e toda vez que entrava novo passageiro ele era cortês como se aquele fosse o melhor emprego do mundo, e se o dia fosse o melhor após décadas. &lt;br /&gt;Só de estar ali, junto daquelas pessoas, todas desconhecidas, com seus rumos já traçados e suas preocupações tracejando pensamentos em suas mentes incógnitas, e só de estar ali, sendo guiada, sentiu-se melhor. Eram cerca de quatro horas da tarde. O que lhe restava, naqueles cinquenta minutos ou pouco mais, era olhar o trânsito, as vias, os pedestres fazendo sinal, as passarelas, as árvores, e não pensar em mais nada. Estava sendo levada, em comunhão com outros seres, e era inerte, assim, que precisava ficar. Porque era tão trise, tão imensamente triste, perceber que não havia resposta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5577146269634775475?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5577146269634775475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5577146269634775475' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5577146269634775475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5577146269634775475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/inercia.html' title='inércia'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2363556264590846505</id><published>2009-11-13T05:34:00.001-08:00</published><updated>2009-11-13T05:35:20.504-08:00</updated><title type='text'>novidade</title><content type='html'>enquanto não deleto este blog (adiada a decisão com inspiração nas abelhas que a Dani cria), um novo perfil guia a autoria desta confusão letrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2363556264590846505?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2363556264590846505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2363556264590846505' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2363556264590846505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2363556264590846505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/novidade.html' title='novidade'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5442990623010345317</id><published>2009-11-10T02:59:00.001-08:00</published><updated>2009-11-10T03:02:18.361-08:00</updated><title type='text'>o esforço</title><content type='html'>E me afogo. Na poça, no mar, na banheira. E bato os braços, salpicando pingos para todos os lados. Acho que é no banheiro que me encontro mesmo. Há um espelho do outro lado. E o que vejo são sobrancelhas arqueadas, são rugas na testa, são lábios franzidos. Não sei bem onde vou parar. Mas uma sombra feliz me acompanha nesse estreito cômodo. Ela quer se entranhar em algum lugar de mim e vejo que se esforça e vejo que irá conseguir. Quanto tempo ela vai levar para fazê-lo é uma incógnita ainda maior do que aquela imagem que vejo no reflexo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5442990623010345317?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5442990623010345317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5442990623010345317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5442990623010345317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5442990623010345317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/o-esforco.html' title='o esforço'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5983425817015545801</id><published>2009-11-04T11:46:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T12:01:06.941-08:00</updated><title type='text'>lista de palavras</title><content type='html'>Aquela moça carregava uma dor que não sabia muito bem onde guardar. Sentia-se deslocada nos lugares pelos quais mais transitava. Gostaria de inventar um outro lugar  no qual passasse a maioria de suas horas úteis e de vigília, e adoraria, de quebra, ter outras sensações. Por vezes, a voz esganiçava. Era a dor, que se insinuava em suas cordas vocais. Por vezes, esquecia-se de onde estava, o que estava falando, o que pensava fazer. Era a dor, que se insinuava em sua memória. E quanto à memória, também não sabia muito o que fazer com ela e tampouco onde guardá-la. Era como se boiasse dentro dela. Não sabia o que fazer com aquilo que evocava, dentro de si, imagens, cheiros, sons muito antigos, quase inventados.&lt;br /&gt;Às vezes fazia listas de palavras. Lista de palavras com M. Macaco, mordida, melhor, mistério, misantropia, misoginia, milharal, miligrama, mentira, mosca, mofo, monte. Lista de palavras com S. Salvação, saltimbanco, salpicado, semáforo, semibreve, semínima, setentrional. Era bom quando começava a sentir formigando em sua pele o que aquelas palavras significavam, mesmo quando não soubesse lá muito bem o sentido das palavras. Da última vez que fez uma lista de palavras com S, começou a se sentir, de fato, setentrional. Era difícil de explicar até para si mesma, mas era algo inteiramente novo. Quando seu pai chegou do trabalho, pensou em dizer a ele: pai, estou me sentindo totalmente setentrional. E o pior é que era totalmente. Não era só um pouco setentrional, ou mais ou menos setentrional, era inteiramente! E era forte o que sentia, mas resolveu nada dizer, pois ele perguntaria "o quê?" e ela não saberia dizer muito bem o que era aquilo de se sentir setentrional. Só sabia que era ótimo desviar-se daquela dor e daquela falta de lugar e focar toda sua atenção naquelas sensações setentrionais que ela tinha. &lt;br /&gt;Lista de palavras com F. Fogo, foda, figo, fétido. E aí começou a sentir um odor nauseabundo que fez com que corresse a acender o incenso de lírio que às vezes colocava antes de dormir, para chamar o sono. Lista de palavras com j. Jujuba, jumento, justiça, junho. Lista de palavras com V. Vaga-lume, vértebra, vermelho, vampiro, variado. E aí sentiu-se variada. O que não tinha nada a ver com avariada. Avariada ela se sentia quando a lista de palavras era com A, e desabrigada era quando a lista de palavras era com D, e polar, no caso de a lista ser de palavras começando com P. E depois das listas, quando batia o sono, voltava a sentir aquela dor e esquecia-se novamente qual era o sentido de sua vida. Era quando resolvia deitar-se, chamar algum sono e, no dia seguinte, inventar alguma outra lista, do que quer que fosse, para se ocupar e se esquecer daquilo que insistia em doer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5983425817015545801?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5983425817015545801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5983425817015545801' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5983425817015545801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5983425817015545801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/11/lista-de-palavras.html' title='lista de palavras'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8091892509883909542</id><published>2009-10-31T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T07:08:57.374-07:00</updated><title type='text'>As horas mudam</title><content type='html'>Preocupava-se com o tempo pois sentia-se aprisionado a ele. O tempo todo tendo que dar conta do tempo, sujeitando-se aos seus impropérios, aos seus desmandos - e isso porque sentia que tudo que vinha do tempo era um desmando. Tinha que se doutrinar para caber dentro de seus limites e fronteiras. Então, sempre queria saber as horas e tinha medo de ultrapassá-las, resignando-se, por outro lado, se era por elas ultrapassado. Como se apostasse corrida. Como se tivesse que se equiparar a elas e estivesse sempre, no máximo, a cinco passos largos de distância. Um intervalo que aparentava ser intransponível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso era outra coisa que gostaria de comunicar à irmã e novamente a dificuldade se impunha: como falar, por onde, que termos usar, qual a medida da ortografia que poderia explicar tudo o que sentia e deixava de sentir em relação àquela irreparável forca que era o tempo? Uma verdadeira forca, sem tirar nem por. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à irmã, incomodou-se com a pergunta. Você sempre quer saber as horas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era porque se sentia aprisionado a elas, ele quis dizer. Mas ela parecia adivinhar. Parecia conhecê-lo bem. E disse, antes que ele pudesse retrucar o que quer que fosse:&lt;br /&gt;você sabe, Rogério, que tudo pode mudar de repente? As coisas mudam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como se, naquele momento, ele obtivesse a resposta para algumas de suas eternas questões. Sim, as coisas mudam. Talvez fosse porque achasse que se encontrava preso ao tempo e à paralisia das coisas que se preocupasse tanto com o horário. O horário! Logo o horário! O que havia de mais grosso e concreto em relação ao tempo. O subsolo do tempo, o porão mesmo! O horário arbitrário ditado pelos relógios, calendários e convenções! Aquilo que era totalmente contingente, que dependia da cultura. Qual era a medição do tempo para os índios? O tempo não era linear ali, mas circular, se é que possuía alguma qualidade, o tempo! E, no caso de as coisas mudarem, poderiam retornar ao ponto anterior. E, no caso de as coisas mudarem, as coisas mudavam. E, no caso de as coisas mudarem... Era isso, era exatamente isso o que o perturbava. Aquela sensação de estar sempre na horizontal, na mesma cama, no mesmo quarto, na mesma casa, no mesmo dia, no mesmo horário, sempre na mesma vida, sempre no mesmo sempre, sempre no mesmo mesmo! Então as coisas mudavam? Mudavam, as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, Rogério, as coisas mudam e isso pode acontecer quando você menos espera.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As coisas podem mudar quando você menos espera. Guardou essa frase e recostou-se, sem se importar com a hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8091892509883909542?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8091892509883909542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8091892509883909542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8091892509883909542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8091892509883909542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/as-horas-mudam.html' title='As horas mudam'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5522125163566547011</id><published>2009-10-30T14:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-30T14:34:50.984-07:00</updated><title type='text'>o incomunicável</title><content type='html'>Rogério e Maria ficaram longo tempo, um perto do outro, sem nada dizer, sem nada olhar, ainda que os olhos não estivessem cerrados. No mesmo quarto, ele sobre a cama dela, ela na cadeira, às vezes mexendo numa ou noutra coisa, o computador milagrosamente desligado. Os ruídos que seus movimentos promoviam também eram quase inexistentes. E uma bolha parecia guardar aquele recinto, tornando-o auspicioso, de uma certa maneira. Aquele silêncio era quase o breu pelo qual Rogério ansiava. Ficar assim sem dizer nada era privilégio de poucos. Raridade que devia aproveitar ao máximo, tateando-a, conferindo-lhe concretude.&lt;br /&gt; E se perguntava por que nadava para a corrente contrária àquela que a civilização inteira fatalmente buscava. Ele se sentia contra a civilização inteira e isso era um peso tão grande, mas tão grande, que apenas ficar deitado ali na cama, sem ter que nada dizer, poderia, muito talvez, trazer um certo e diminuto alívio. Muito talvez.&lt;br /&gt; Por outro lado, pensou, de repente, sentindo a ardência que um tapa na cara pode provocar, mas agora oriundo, aquele ardor, do insight misterioso: achava-se um tanto quanto melhor e maior que tudo, não? Odiava quando seu pensamento zombava dele, quando seu pensamento exibia um meio sorriso de escárnio. Era uma parte de si que estava sendo sarcástica consigo mesmo, que ria igual hiena, enquanto a outra parte, ele todo, permanecia sério e bobo! E não podia negar absolutamente aquele pensamento de que se achar nadando contra a corrente de uma inteira civilização era sentir-se bom demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis comunicar aquilo tudo à irmã, que estava sentada de costas para ele. Quis dizer para ela o quão complexo era seu sentimento-pensamento. Quiz dizer-lhe o seguinte: a ambigüidade me povoa. Quis gritar-lhe: você já sentiu o paradoxo navegando dentro de você? Mas não sabia nem como nem por onde começar, apesar de todo aquele silêncio ser o momento mais propício às comunicações desordenadas. E, quando abriu a boca, foi para dizer:&lt;br /&gt;- Maria, que horas são mesmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5522125163566547011?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5522125163566547011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5522125163566547011' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5522125163566547011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5522125163566547011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/o-incomunicavel.html' title='o incomunicável'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6233766881553499149</id><published>2009-10-27T14:36:00.000-07:00</published><updated>2009-10-27T14:45:07.032-07:00</updated><title type='text'>breu</title><content type='html'>Quando Rogério abriu os olhos...&lt;br /&gt;horizontal, ele continuava na horizontal.&lt;br /&gt;Mas não era a sua cama o que havia de suporte. Nem o chão. Era a cama de Maria. A irmã. Que nem sonhava que era constante o fato de ele imaginar um tiro que acabasse com tudo e trouxesse um breu. &lt;br /&gt;Maria o levantara, sabe-se lá como, pois era esguia que só ela. "Mirradinha", como dizia o ex-namorado tentando conquistá-la há anos atrás. Mirradinha, mas com força, isso sim. Com personalidade. Forte. Tanto que o irmão, o Rogério, não iria dizer para ela jamais em sã consciência - e sua consciência costumava ser sã - que imaginava um tiro, um estrondo e um breu, sem penduricalhos de imaginação (não, não, ele não imaginava choro, ele não imaginava vela, ele não pedia uma fita amarela guardada com o nome dela). Ele não diria à sua irmã, Maria, pois ouviria dela um sermão longuíssimo e irritado desfiando todos os quês, porquês e saquês das opções pela vida e pela morte. E ele não conseguiria um espacinho sequer para dizer que não se tratava de vida e morte e sim de claro e escuro. "Tá tudo muito claro, minha irmã, eu quero um pouquinho mais de escuro". E ela replicaria: "então, é disso mesmo que estou falando!". Ela achava que tudo era metáfora, mas para Rogério, apesar de não parecer, era tudo mais concreto: estava tudo muito claro mesmo e o tiro proporcionaria breu. Um pouco mais de breu. Ainda que eterno.&lt;br /&gt;De fato, ele desmaira às 11h38 e agora acordara na cama da irmã, que o olhava, e ele não imaginava que Maria não tinha nada a dizer. Que horas seriam agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6233766881553499149?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6233766881553499149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6233766881553499149' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6233766881553499149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6233766881553499149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/breu.html' title='breu'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2020121074918848920</id><published>2009-10-26T08:45:00.001-07:00</published><updated>2009-10-26T08:51:15.336-07:00</updated><title type='text'>os primeiros momentos da manhã</title><content type='html'>Rogério levantou-se naquele domingo às 11h34. Era exata a imagem da hora do relógio, e a imagem não se apagava, até o dia seguinte, quando olhava a hora que acordava e guardava até a hora de dormir novamente. &lt;br /&gt;Rogério levantou-se às 11h34 e caminhou até a cozinha, onde olhou sem vontade a garrafa térmica de café, os pães em seus sacos plásticos e algumas migalhas sobre a mesa da cozinha. &lt;br /&gt;Rogério chegou à cozinha sem vontade de estar ali ou em qualquer outra parte. Vinha sentindo um peso enorme todo dia ao dormir e ao levantar. E também naqueles momentos em que sua insônia intermitente fazia com que acordasse no meio da noite e se conscientizasse de que estava no quarto, na cama, na horizontal, no quarto, na cama, na horizontal, no quarto, na cama, na horizontal, e em nenhum outro lugar diferente do lugar em que se encontrava no quarto, na cama, na horizontal. Era o que sentia: sempre a mesma coisa no quarto horizontal e na cama, sem soluções. Estava cansado de si mesmo e sentia a vida inexpressiva. Era preciso fazer alguma coisa, ele sabia disso. E elaborava há dias, semanas, meses. Era preciso fazer alguma coisa para sair da horizontal. Sentiu saudades de uma época em que tinha vontades. Mais vontades, quaisquer que fossem. &lt;br /&gt;Olhou o relógio e viu que agora eram 11h38 e o domingo ainda era domingo, assim como o começo, que não deixava de ser começo. E o desmaio que veio a seguir imprimiu uma verticalidade inescapável àquele momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2020121074918848920?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2020121074918848920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2020121074918848920' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2020121074918848920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2020121074918848920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/os-primeiros-momentos-da-manha.html' title='os primeiros momentos da manhã'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5975106352206957645</id><published>2009-10-23T14:49:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T08:45:08.170-07:00</updated><title type='text'>o irmão de Maria</title><content type='html'>A Maria não tinha certeza se era um risco virar um personagem de um blog. Ela percebia que isso estava acontecendo, pois era objeto de opiniões e textos que estranhava serem assim escritos à sua revelia. O fato é que Maria tinha um irmão mais novo, chamado Rogério, talvez o autor do blog, dos textos, ou não. E Rogério ficava muito tempo deitado em sua cama, no quarto em frente ao seu. Ela passava por lá e Rogério ora lia gibis, ora dormia, ora via filmes, ora não parecia fazer absolutamente nada. Às vezes conversavam, mas Rogério era muito fechado no que dizia respeito à sua vida, à vida alheia e ao tempo. Nunca comentava sobre o clima e não sabia, a Maria, qual era a opinião do irmão sobre o horário de verão. Maria não fazia idéia de que, na cabeça de Rogério, uma imagem que ia e voltava, ia e voltava, ia e voltava, era a de um revólver que atirava, peremptoriamente, e acabava com sua vida. Rogério imaginava o fim. O seu fim. Era constante. E era uma imagem rápida. Rogério não divagava sobre o contexto do fim e os momentos ou dias seguintes. Não imaginava que alguém poderia chorar, que haveria um velório, que seus pais ficariam desesperados ou envergonhados, que sua irmã Maria sentir-se-ia traída. Não imaginava reações dos escassos amigos com os quais podia contar e que, vez ou outra, telefonavam. Era apenas aquilo. O revólver, o tiro e um breu cheio de alívio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5975106352206957645?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5975106352206957645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5975106352206957645' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5975106352206957645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5975106352206957645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/o-irmao-de-maria.html' title='o irmão de Maria'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-1066285169699704154</id><published>2009-10-20T13:52:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T14:01:12.778-07:00</updated><title type='text'>Preferências de Maria</title><content type='html'>Maria preferia escrever a comprar roupas. Embora tivesse prazer comprando roupas. Às vezes. Pois nem sempre dava certo comprar roupas. Assim como nem sempre dava certo a programação do fim de semana. Escrever também não era sempre que dava certo. Mas o maior problema de Maria era achar-se estranha por preferir escrever a comprar roupas. Também não gostava da fazer as unhas, preferia roê-las. Eram mais prático, embora de efeito estético duvidoso. Maria sentia-se mal de não gostar de fazer as unhas e de não apreciar sapatos. Não desgostava de sapatos, mas estes não eram objetos aos quais dedicava grande valor e atenção. Preferia outros objetos. Por exemplo... por exemplo... eu diria que... o que, mesmo? Maria nem lembrava que tipo de objetos gostava. Não eram vestidos. Nem mesmo colares. Brincos, às vezes. Ah, sim! Livros! Preferia os livros aos vestidos. E achava-se verdadeiramente esquisita por preferir os livros aos vestidos. E também não tinha problemas de se desfazer dos livros de tempos em tempos, quando achava que os tinha ultrapassado, àqueles, dos quais ela se desfazia, raramente se arrependendo. Maria se desfazia pois já não estava no mesmo nível deles. E dizia aquilo para si mesma não como um ato de arrogância. Fez o mesmo com os brinquedos, quando tinha lá seus dez anos, e se desfez de alguns deles, só alguns, deixando outros. Os que mais duraram haviam sido os Playmobis e as Barbies. (Não duvidava de que, se encontrasse um Playmobil agora, qualquer que fosse, sentaria e brincaria um pouco, no mínimo por um minuto!) Mas havia um momento que não gostava mais de panelinhas e não era arrogante por dar as panelinhas a qualquer outra pessoa, que gostasse mais, assim como não era arrogante por dar O Mundo de Sofia, embora reconhecesse seu valor. Maria era assim. Cheia de nóias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-1066285169699704154?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/1066285169699704154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=1066285169699704154' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1066285169699704154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/1066285169699704154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/preferencias-de-maria.html' title='Preferências de Maria'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5916479864027170554</id><published>2009-10-17T17:31:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T17:44:13.016-07:00</updated><title type='text'>as razões</title><content type='html'>Maria tinha vergonha de si mesma. Por diversas razões. &lt;br /&gt;Uma das razões era não conseguir fazer de sua vida algo minimamente prazeroso.&lt;br /&gt;O trabalho - não gostava.&lt;br /&gt;O amor - não tinha.&lt;br /&gt;A família - sem comentários.&lt;br /&gt;Os gatos que tinha às vezes lhe faziam cócegas na alma. E era assim surpreendente.&lt;br /&gt;Mas naquele sábado notou o desespero de se sentir inteiramente só. E completamente instável. E sem controle algum. Num mesmo dia, era capaz de sentir todas as gradações das emoções.&lt;br /&gt;Ela estava tão decepcionada, que jogava a culpa em todos, mas sabia, ela sabia, que era a maior responsável por tudo aquilo.&lt;br /&gt;Maria tinha vergonha de si mesma. Por muitos motivos.&lt;br /&gt;E não conseguia esquecer-se deles distraindo-se com aquilo que antes era bom. Maria não criava mais como antes. Maria não era mais Maria. E se tornava um ser detestável para muitos. &lt;br /&gt;Jogou o sábado fora, que era uma de suas únicas brechas de respiração durante a semana. Como os outros podiam entender o quão massacrante era sua rotina de segunda à sexta? Como os outros poderiam não ver aquilo como frescura? Ela não usava bombinha, mas a asma que sentia fazia com que se tornasse um zumbi de segunda à sexta, tentando puxar algum ar no sábado, e voltando a perdê-lo no domingo. Não tinha para onde correr, eram paredes o que via para frente e para trás, e era estreita a passagem. O esforço que ela fazia era desmedido. E talvez por isso acabasse se tornando um ser detestável quando sobrava um tempo: era uma ira acumulada contra tudo e todos (mesmo contra aqueles que não tinham parte em sua ira).&lt;br /&gt;Maria se humilhava. Pedia ajuda. Pedia companhia. Pedia: posso dormir na sua casa só hoje para eu não ficar tão sozinha? Maria recebia a negativa, que não era novidade. E se arrependia de ter feito o pedido, para em seguida pedir de novo. Maria fazia a merda, sentia-se envergonhada, e repetia a merda no minuto seguinte. Maria era uma merda.&lt;br /&gt;E Maria tinha vergonha de si mesma. Sem razão alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5916479864027170554?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5916479864027170554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5916479864027170554' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5916479864027170554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5916479864027170554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/10/as-razoes.html' title='as razões'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5332469540120515615</id><published>2009-08-30T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T07:02:37.220-07:00</updated><title type='text'>esquecimento</title><content type='html'>Ele vai esquecendo que ela existe porque a vida vai levando a outras memórias e outros encontros. Ela vai esquecendo que ele existe porque a vida vai seguindo em outros trajetos, novos objetos podem chamar sua atenção. Ele vai esquecendo que ela existe porque na verdade já não se incomodava tanto com a existência dela. Ela vai esquecendo que ele existe porque não há outro jeito e é assim que tem que ser. Ele vai esquecendo que ela existe e ela adivinha que isso acontece e isso aperta-lhe o peito, angústia! Ela vai esquecendo que ele existe porque é assim que tem que ser, é assim que tem que ser. Ele vai esquecendo que ela existe pois na verdade não gostava dela tanto quanto dizia a si mesmo que gostava e ela sabia disso, ela sabia disso. Ela vai esquecendo que ele existe porque é fácil para ela esquecer que ele existe, embora existam memórias que durem pra sempre e que a acompanham há anos e ele não desconfia delas, ele nunca saberá. Ele vai esquecendo que ela existe. Ela não quer esquecer que ele existe, mas a vida está sufocando-lhe por todos os lados e o que ela mais quer é esquecer que a vida existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5332469540120515615?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5332469540120515615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5332469540120515615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5332469540120515615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5332469540120515615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/08/esquecimento.html' title='esquecimento'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7272714027654869953</id><published>2009-08-21T11:09:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T11:15:38.217-07:00</updated><title type='text'>apatia</title><content type='html'>Se Eliana soubesse o que aconteceria, ela saberia exatamente que caminho tomar. Não entendiam os deuses que ela não queria errar? E o destino, não entendia ele que ela queria achar seu trilho, sem tropeços? Ela queria dizer a todos os que assistiam sua jornada que o que ela queria era não errar e viver a vida sem fazer mal a si mesma e aos outros. Nisso ela era quase cristã. Não tinha medo de pecar, não acreditava em diabo, mas tinha fé de que o sofrimento pode matar, nisso ela acreditava piamente, então o que ela queria era viver a vida pegando os atalhos mais próximos, correndo dos vendavais, contornando becos escuros, evitando amigos desleais. Ela queria evitar a fadiga, era partidária da filosofia do carteiro Jaiminho do Chaves. E por causa de não querer errar a porta, equivocar-se na marcha, atropelar-se no afã de cumprir com os prazos e horários que a vida lhe impunha, ela acabava que não fazia nada, não cumpria prazo algum, não entrava por porta alguma, quase que cruzava os braços presa em suas reflexões que nada produziam. Mas ela não deixava de fazer as coisas por preguiça ou má vontade, ela só não queria errar, o motivo da apatia era o receio de colocar tudo a perder. Afinal, se fizesse alguma coisa, se se deixasse levar por alguma opção mal avaliada, que raios de tormentos poderiam lhe alcançar? Ela não queria errar, não entendiam os deuses esse simples desejo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7272714027654869953?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7272714027654869953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7272714027654869953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7272714027654869953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7272714027654869953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/08/apatia.html' title='apatia'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7760028017955904739</id><published>2009-07-26T09:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T10:02:04.253-07:00</updated><title type='text'>Ficha</title><content type='html'>Sua idade: 30 anos e três dias. Algumas horas. &lt;br /&gt;O que mudava: absolutamente nada ou tudo ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;O motivo do desespero: nenhum que fosse palpável.&lt;br /&gt;O motivo da alegria: agora sim podia dizer que fora alegre, pois uma festa feliz a esperara sem que ela desconfiasse, e comera quindins, operetas, sanduíches, bolo, estourara bolas e a cor das bolas que estourara era rosa. &lt;br /&gt;A continuidade: já acontecia.&lt;br /&gt;O que a esperava: tudo de antes, ou seja, vida, trabalho, noites, manhãs, incômodos, alegrias, um lançamento de livro próximo, o resto do inverno, barulho no trânsito, pedintes, ambulantes, notícias infames na televisão.&lt;br /&gt;O que ela não queria: continuar dominada por angústias infundadas.&lt;br /&gt;Um dia depois, como estava: feliz da vida e rodeada do sublime que era o filme japonês A Partida e o livro brasileiro A Chave da Casa, de Tatiana Salem Levy, que ela leu em 48 horas ou menos. &lt;br /&gt;O clima: frio, nublado, chuvoso, do jeito que ela gostava.  &lt;br /&gt;Que dia é hoje: domingo, mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7760028017955904739?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7760028017955904739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7760028017955904739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7760028017955904739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7760028017955904739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/07/ficha.html' title='Ficha'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-876854660247550065</id><published>2009-07-21T15:04:00.001-07:00</published><updated>2009-07-21T15:07:17.472-07:00</updated><title type='text'>Os trinta anos</title><content type='html'>Daqui a dois dias a menina ali sentada e digitando ia fazer trinta anos.&lt;br /&gt;Menina?&lt;br /&gt;Daqui a dois dias a moça ali sentada e digitando ia fazer trinta anos.&lt;br /&gt;Moça talvez.&lt;br /&gt;Daqui a dois dias ela, ali sentada - e digitava - faria trinta anos e começaria a ler Balzac. &lt;br /&gt;Que ninguém a visse assim translúcida. Era um horror. Agitavam-se nós na garganta e nos ouvidos. Ela sentia ecoar um grito que nunca deixara de ouvir. Porque:&lt;br /&gt;Dali a dois dias a moça com raivas de velha ia fazer trinta anos. E digitava. &lt;br /&gt;Porque não queria e queria muito. E não sabia o quê. Queria ultrapassar os quarenta, logo, se pudesse. Mas a proximidade dos trinta não ajudava. A astróloga desconhecida anunciara um retorno de Saturno. Ela não queria Saturno de volta e então era por isso todo o seu amargor? Todo o desespero?&lt;br /&gt;E nisso ela digitava. Para tentar não lembrar muito bem. De quê? Bem, faltavam dois dias. Ou menos até. Um dia e algumas horas. Para? Os trinta anos. Era aquilo que a esperava. E ela não queria esperar mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-876854660247550065?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/876854660247550065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=876854660247550065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/876854660247550065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/876854660247550065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/07/os-trinta-anos.html' title='Os trinta anos'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-437735607251559783</id><published>2009-07-09T04:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T05:17:35.229-07:00</updated><title type='text'>Nosso livro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/SlXfRxFZNtI/AAAAAAAAAEo/nGiSfXloZxM/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 280px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/SlXfRxFZNtI/AAAAAAAAAEo/nGiSfXloZxM/s400/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356432828153804498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da fama e da celebridade mundial na programação da OFF FLIP (sem exageros desmedidos, afinal, alguns de nosso bando deram entrevista para a BBC de Londres e, se eu não estava presente e não vi, acredito piamente e tenho provas, te-nho pro-vas!!!), o lançamento agora em Copacabana!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conto que escrevi e que faz parte desse sonho foi o primeiro conto que levei ao clube, sendo que, quando foram escolhidos os contos, eu tinha apenas 2 contos no clube. Lembrando que todos os contos necessariamente fizeram parte do clube da leitura. A idéia é essa!!! Eu sou a mais nova integrante da confraria (não de idade, lembrem, mas de participação!) e a mais neurótica no que se refere a levar um conto para ser lido em voz alta na minha presença. Tanto que, quando foi lido o conto, não agüentei e fiquei lá fora, no boteco ao lado, conversando com o Ribas. Atualmente, já consegui levar 4 contos e, no último, consegui estar presente enquanto era lido pela Carmen, que o defendeu magnificamente através de sua sensível leitura. Bem, espero que gostem e que possam ir à festa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-437735607251559783?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/437735607251559783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=437735607251559783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/437735607251559783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/437735607251559783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/07/nosso-livro.html' title='Nosso livro'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0mqZOt7HBSQ/SlXfRxFZNtI/AAAAAAAAAEo/nGiSfXloZxM/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8290104097122442052</id><published>2009-07-06T17:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T17:33:10.892-07:00</updated><title type='text'>após</title><content type='html'>Estamos todos extasiados com nossos cinco minutos de fama em Paraty. O pessoal do Clube da Leitura está fascinado. Eu não sei o que dizer, eu só sei que não nasci pra isso e que fico constrangidíssima de dar um autógrafo, mesmo que seja para alguém próximo, mesmo que seja para alguém que não conheço, mesmo que seja para alguém entre o 'não-conheço' e o 'próximo'. Tudo bem que não foram muitos autógrafos. Mas sabe do que eu gostei mais? Como toda boa canceriana, gostei de estar ali, com aquelas pessoas num clima família, sem hora pra acordar e cheia de hora pra acordar (por causa das benditas mesas!), vagando em noites vagas e dias nítidos, fazendo parte de um círculo em que eu não sou o ponto central nem estou na borda. Tanta gente ali gostando de coisas semelhantes! Estranho, muito estranho... Como fui passar uns 4 anos ou mais renegando a literatura! Foi a minha adolescência literária, será? Como fui passar um tempão lendo praticamente não-ficção e psicanálise? Quem agüenta esse jejum? É por isso que despersonalizei e acordei no meio da noite sem saber quem eu era e onde eu estava... Então, seguinte, vai lá no blog do Clube da Leitura e se quiser pode ler &lt;a href="http://www.baratosdaribeiro.com.br/clubedaleitura/2009/06/30/o-descuido-que-e-viver-por-vivian-pizzinga/"&gt;O Descuido que é Viver &lt;/a&gt;(o segundo conto que eu levei pra confraria, isso porque passei uns bons cinco ou seis meses com estômago retorcendo e escalando pelas paredes da garganta só de pensar em levar um conto - cheia de vontade e pavor, sem pressa de tomar coragem e suando orvalho em todas as vésperas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O descuido que é viver&lt;a href="http://www.baratosdaribeiro.com.br/clubedaleitura/2009/06/30/o-descuido-que-e-viver-por-vivian-pizzinga/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8290104097122442052?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8290104097122442052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8290104097122442052' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8290104097122442052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8290104097122442052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/07/estamos-todos-extasiados-com-nossos.html' title='após'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3334427025768696019</id><published>2009-06-25T17:58:00.001-07:00</published><updated>2009-07-06T17:35:58.779-07:00</updated><title type='text'>associação livre</title><content type='html'>Ela sabia que na semana que vem tudo teria de estar bem, inclusive sua dor no corpo teria de passar, sem contar a tosse, que teria de estar silenciada. A tosse tinha a potência do grito somado à dor do parto. Ela não sabia muito bem como era a dor do parto, mas ela sabia o que uma tosse podia provocar, desse jeito alérgico e persistente. Aliás, refletindo sobre isso tudo, ela julgou que gostaria de ter a persistência de sua tosse, mas seu forte era o pessimismo. Tão pessimista era ela, que acabava desistindo de uma série de coisas que se apresentavam confusas. Na verdade, ela sabia o quão confusa ela própria era, e não se enganava quanto à vida, que não tinha nada de exata e homogênea. Talvez fosse por isso que ela não gostasse muito de ciências exatas: quanto mais exata e quanto mais ciência, menor a parcela de vida no que quer que seja. Ainda que soubesse de tudo isso, era puro raciocínio, pois as conclusões - a normalidade é a confusão - não traziam serenidade a ela. No afeto, na sensação, no sentimento, ela achava que tinha que ser menos confusa e que a vida tinha que ser menos embaralhada também. Tudo lhe parecia uma grande mixórdia de coisas, nomes, recortes, cores incongruentes, tudo lhe parecia entulho, pois era míope, e se não ajustasse a vista, enxergaria o mundo pelo avesso. E ela dizia a si mesma que o avesso era sua vida, ainda que concordasse que era difícil não encontrar uma vida pelo avesso. E que há avessos menores e maiores, além dos médios, e que se parasse para pensar, sua vida era um avesso diminuto. O principal da sua desrazão era não saber se seu nome correspondia a ela mesma e se havia o ela mesma embaixo do seu nome, tanto que pretendia trocar alguma coisa essencial em sua vida. E se questionava o que era vida e pra que ela servia. Não atinava com a idéia de que a meta da vida é a diversão, isso era muito pouco, muito pouco. Não atinava com essa gente toda que achava que viver uma vida do caralho é fazer um monte de coisa e se divertir em todos os sábados, ainda que ela adorasse uma diversão, e também um bom papo. Ela não atinava com muitas coisas e resolvia escrever, para ver se encontrava algum sentido e algum fio da meada. E reconhecia que, se encontrasse um fio da meada, qualquer tipo de criação e até de pensamento teria fim. A busca do fio é melhor que o fio!, ela quase exclamou. E pensando nisso tudo relembrou que já estava numa insônia braba só porque começara a se lembrar que na semana que vem iria para a Flip, e que agora o que não a deixava em paz era uma tosse e um resfriado que gostaram muito dela e que não havia reza e bênção que dessa jeito de expulsá-los de sua simples semaninha, que era a semana anterior à semana que vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3334427025768696019?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3334427025768696019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3334427025768696019' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3334427025768696019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3334427025768696019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/06/associacao-livre.html' title='associação livre'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2690338368166663779</id><published>2009-06-22T10:31:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T10:32:39.412-07:00</updated><title type='text'>retrato de um resfriado</title><content type='html'>A febre. &lt;br /&gt;A cama. &lt;br /&gt;O edredom.&lt;br /&gt;O domingo.&lt;br /&gt;A vitamina C.&lt;br /&gt;O termômetro.&lt;br /&gt;O mel.&lt;br /&gt;A tosse.&lt;br /&gt;A coriza.&lt;br /&gt;A dor no corpo.&lt;br /&gt;A dor no corpo.&lt;br /&gt;E a febre ainda.&lt;br /&gt;Um filme.&lt;br /&gt;Woody Allen.&lt;br /&gt;Um livro.&lt;br /&gt;Gertrude Stein.&lt;br /&gt;A tosse, ardente.&lt;br /&gt;A tosse, gritante.&lt;br /&gt;A tosse, tonitruante.&lt;br /&gt;A sede.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2690338368166663779?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2690338368166663779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2690338368166663779' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2690338368166663779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2690338368166663779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/06/retrato-de-um-resfriado.html' title='retrato de um resfriado'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2313618054696591721</id><published>2009-05-26T11:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T11:47:24.205-07:00</updated><title type='text'>Inconfundível</title><content type='html'>Um olhava para o outro. João suava. Mercedes sentia coceiras. Calor infernal. O mês era mais do que janeiro. Não havia definição para um calor daqueles. Não havia definição para João e Mercedes um de frente para o outro, mudos. Haviam desistido de falar um com o outro, mas não de se encontrar. Estavam ali, mudos sim. Palavras? Não existiriam as que pudessem dar conta do que sentiam e do que deixavam de sentir. Eram oito anos de brigas e reconciliações, brigas e retratações, eram oito anos redondos de muita coisa dita, pisada e repisada. Mas agora havia um mês de separação e estavam despencando. Mercedes despencava. João não sabia o que se passava com ele. Sentia-se surdo, sentia-se zonzo, e agora, um em frente ao ouro, na praça, enquanto o verão os assolava por todos os lados, enquanto o calor os encurralava impiedoso, nada tinham a dizer, mesmo. Havia uma espécie de tonteira no ar, chegando perto de um e de outro, havia qualquer coisa de vertigem naquele cenário, qualquer coisa de penumbra tóxica. E estavam ali, ainda assim. Eretos. Face à face. E era incrível o silêncio ao qual haviam aportado. Mas sim: aquilo era o silêncio inconfundível. Se alguém deseja saber o que é o silêncio inconfundível, encontre-os nesse estado sem ruídos, sem estampidos, sem estilhaços. Nesse encontro que transpira e que derrete calçadas, que derrete o humor. Encontre-os ali e poderá fazer uma tese com total coerência interna sobre o silêncio inconfundível. E aquilo era estar à vontade no silêncio inconfundível. Estar à vontade, no entanto, não significava querer aquilo. E era por causa da conclusão de que, entre eles, só o silêncio – e de preferência inconfundível –  é que não havia mais porquê. Antes, eram as brigas. Agora, o silêncio. E ninguém ali fugia do silêncio. Isso que assusta a todos e que tem as dimensões completas do horror, a eles era quase banal, embora indesejável também. De fato, estavam ali, corajosamente envolvidos por aquela ausência do que dizer. Não por falta de assunto.  Não por um desconhecer a língua do outro, embora, quem sabe, desconhecessem a linguagem um do outro. Não era nada daquilo. Era um desconhecimento mútuo o que se tinha agora, após um excesso de conhecimento mútuo. Oito anos e agora um mês. Muitas falas e agora o ponto final. Quando se chega nesse estágio, de nada mais ter a dizer porque se sabe que nada mais adianta dizer, de falta de fé na comunicação e de falta de fé na humanidade, a melhor coisa é um abraço de adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2313618054696591721?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2313618054696591721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2313618054696591721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2313618054696591721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2313618054696591721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/05/inconfundivel.html' title='Inconfundível'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4319196014610471299</id><published>2009-05-24T08:29:00.001-07:00</published><updated>2009-05-24T08:29:43.499-07:00</updated><title type='text'>Borrão</title><content type='html'>No ponto exato em que me encontro, perco-me daquilo que antes era. Pois em cada momento é-se algo e quem me contou foi Clarice Lispector. No ponto exato. Onde me perdi. Volto a me achar no momento mesmo em que escrevo o que nem sequer pensara antes. É aqui que escrevo de forma solta. Forma solta? Solta-se a forma e o que se tem é borrão. Textual. Gramatical. Liberal. Literal. Literário, quiçá. Até que se fechem os livros todos e o mundo volte a ser o que era: água, insetos, leguminosas, nuvens, gente que olhava sem ter o que dizer, sombras, pingos. No ponto exato em que me manifesto, devo mostrar o que sei. E o que sei é tudo o que não interessa saber. Vou ler na Revista algo que interesse na conversa, mesmo que se perca em todo o depois de hoje. Vou ler na Revista algo bom pra repetir e contar. No ponto exato em que viro linha, deixo de ser intervalar. E o que quero com isto aqui? Alguém poderá dizer... Alguém poderá gritar e até mesmo ser ouvido o seguinte lance sem replay: que não há moral da história, que não há informação valiosa, que não há linearidade, mas que inventamos os contornos disso tudo e nos encaixamos bem nas rotas previamente destinadas. No ponto exato. Em que me encontrei. Foi no livro entreaberto que jamais ousei fechar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4319196014610471299?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4319196014610471299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4319196014610471299' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4319196014610471299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4319196014610471299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/05/borrao.html' title='Borrão'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8933240251930100563</id><published>2009-05-21T15:18:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T15:20:07.346-07:00</updated><title type='text'>Complô</title><content type='html'>O Maurício saiu do metrô e em plena Avenida Rio Branco sentiu que havia mais pessoas na rua do que aquelas que podiam habitar o mundo. Estranhamente, nunca se sentiu tão apertado. E olha que o vagão do metrô não estava lá essas coisas de vazio. Mas a esquisita e desconhecida sensação que tinha agora do lado de fora dos subterrâneos da Terra era a coisa mais desconfortável que lembrava de ter sentido. E, olhando bem para os rostos daqueles que apareciam à sua frente, das pessoas que corriam em busca de seus destinos diários, apressadamente movendo-se pelas ruas do centro da cidade, sentia que todos o olhavam de modo inquiridor. Era como se dirigissem a Maurício uma pergunta fundamental: ‘O que o senhor faz aqui? O que o senhor faz de sua vida? O que o senhor tem feito de útil ultimamente?’ Era como se cobrassem uma atitude que faltava a ele, mas qual? Maurício imprimiu velocidade em seus passos, sem coragem de encarar os rostos que vinham na direção contrária. O curriculum que trazia no envelope pardo para deixar na agência de empregos estava bem seguro e, de uma certa forma, Maurício começou a temer que se esfarelasse, diante da pressão que ele fazia com a mão, aquela pressão que ele não conseguia conter por causa da pura tensão de estar ali, tendo de ultrapassar todos aqueles rostos e todas aquelas mudas exigências e tanta gente assim na rua. &lt;br /&gt; Não demorou muito para chegar à rua Sete de Setembro e entrou no prédio, onde a agência estava situada. A fila para o elevador era repleta de outros semblantes pouco amigáveis. Quando alguém, por ventura, o olhava, ele sentia novamente a pergunta intransigente: ‘Diga-me, o que tem feito de sua vida que valha a pena sua mãe ter posto você no mundo, meu caro?’ Ou uma variante: ‘Tem cumprido aquilo que lhe cabe de modo honesto e maduro?’ Ele não sabia onde mais enfiar a cara e de que modo deixar de escutar o que estava nas entrelinhas daqueles sérios rostos muito dedicados ao bem comum. Era estranho: ninguém o conhecia, por que estariam cobrando dele uma postura que ele nem sabia bem qual era? O ascensorista era o pior de todos: seu olhar exigindo o andar correto quase esmagava a respiração de Maurício, que saiu do elevador e foi correndo para fora do prédio, desistindo de deixar o curriculum e distanciando-se de modo aleatório daquele lugar, daquela gente. Como era cheio o centro do Rio! Onde podia ir que pudesse encontrar alguma paz? Pegou um ônibus com destino à Zona Norte e o trocador também o encarava de modo hostil, era como se dissesse: ‘Você fez por merecer o dinheiro que carrega para pagar a passagem?’ Os outros passageiros também tinham especial interesse em Maurício: ‘Amiguinho, escute essa – sua existência no mundo é quase dispensável, ouviu bem?’ Ele foi para o fim do ônibus, botou a cabeça para fora da janela e, inesperadamente, vomitou. O que estava acontecendo? O que havia com as pessoas naquele dia que não o deixavam sossegado? Chegou em casa, após ter andado pela rua quase caindo pelos cantos, suado, o curriculum amassado, a camisa um pouco desabotoada, e trancou-se sem hesitações. O melhor era ficar ali até todo aquele complô passar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conto foi publicado e pode ser lido na edição deste mês de &lt;a href="http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=282"&gt;Algo a Dizer&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8933240251930100563?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8933240251930100563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8933240251930100563' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8933240251930100563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8933240251930100563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/05/complo.html' title='Complô'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-934454002221809339</id><published>2009-05-08T13:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T13:49:03.893-07:00</updated><title type='text'>Aquilo quanto?</title><content type='html'>Terezinha não podia dizer a ninguém o seu segredo. &lt;br /&gt;O seu segredo é que ela não queria mais aquilo tudo.&lt;br /&gt;Se fosse só aquilo talvez ela quisesse.&lt;br /&gt;Mas era aquilo tudo, e aquilo tudo era demais para Terezinha.&lt;br /&gt;Terezinha então começou a penar, pois como jogar aquilo tudo fora?&lt;br /&gt;Se fosse só aquilo, ninguém a julgaria.&lt;br /&gt;É bem diferente jogar aquilo tudo fora e jogar só aquilo fora.&lt;br /&gt;E ela queria jogar fora. Melhor: ela queria fazer algum tipo de troca. Mas o quê? O que entraria no lugar de aquilo tudo?&lt;br /&gt;Para substituir o aquilo tudo que ela trazia nas costas e que gerava tapinhas de 'parabéns, você conseguiu, você conquistou esse tudo!', haveria de ser algo que pesasse tanto quanto, tinha que ser uma negociação inteligente... alguma coisa entraria em cena e teria de ter um valor aproximado... mas... e se Terezinha não quisesse? O que a Terezinha queria? E de que valor se tratava, aproximadamente? Um valor matemático ou um valor afetivo?&lt;br /&gt;Ela queria aquilo. Ou só aquilo. Ou mais ou menos aquilo. Ou um pouco d'aquilo. Ela não queria aquilo tudo. Era queria algum tipo de aquilo que não tivesse um tudo ao seu lado. Um aquilo mais avulso. Um aquilo liberto e, portanto, libertário. Que talvez não trouxesse muita coisa, mas também que não pesasse tanto. Um aquilo sem apetrechos e complicações, sem contornos, sem minúcias barrocas. Um aquilo minimalista até! E o que fazer? Terezinha precisava saber o que fazer com aquilo tudo enquanto ainda tivesse forças. E as forças de Terezinha estavam como areia na ampulheta. Suas forças estavam sendo mitigadas. E iam acabar, ela via que iam acabar, era óbvio que estavam prestes a acabar, era óbvio. E ela tinha que guardar alguma força para fazer a troca. A dificultosa e secreta substituição do aquilo-tudo pelo só-aquilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-934454002221809339?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/934454002221809339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=934454002221809339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/934454002221809339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/934454002221809339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/05/aquilo-quanto.html' title='Aquilo quanto?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7707384796064427677</id><published>2009-05-07T15:19:00.001-07:00</published><updated>2009-05-07T15:19:47.857-07:00</updated><title type='text'>De esguelha</title><content type='html'>Não tinha coragem de sair de casa. Morava em uma vila, numa das primeiras casas. E quem saía era sua avó, que comprava comida, que pagava contas, que ajeitava o quintal, que dava suas caminhadas vespertinas. Mas ela não saía de casa. Apenas espreitava o mundo. Cheirava-o, e bem de longe. Não era raro ir até a janela e, numa fresta da cortina, ver o movimento de crianças que havia no pátio da vila, ver a chegada do carteiro, sempre simpático e cantarolante, observar a ida dos moradores para o trabalho e sua chegada, todos eles meio exauridos e esvaziados. Ela não saía. Mesmo com as insistências da avó, que tentava de tudo e uma vez deu de chamar um médico para que ele a convencesse de sair. Era um médico proctologista, mas simpático, com dom de cuidar do outro, e ainda que aquela não fosse sua especialização profissional, aceitou de bom grado o que a velhinha lhe pediu e, uma vez lá chegando, nada conseguiu, nenhuma persuasão ou convencimento foi capaz de fazê-la sair de casa, nenhuma receita e nem os anos e anos de faculdade e estudo. Porque ela - ela olhava o mundo muito de esguelha. Via televisão e sabia das coisas do mundo também por esse canal. Comia bastante, assistia novelas e telejornais e observava o movimento do mundo de esguelha. Assim era melhor. Assim era prudente. Ela não ousaria colocar os pés para fora de casa e dar de cara com o turbilhão que o mundo é. Não ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(texto publicado no número 4 da revista digital Rabiscos e Afins).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7707384796064427677?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7707384796064427677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7707384796064427677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7707384796064427677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7707384796064427677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/05/de-esguelha.html' title='De esguelha'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5725359214877040610</id><published>2009-04-25T05:40:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T05:55:06.183-07:00</updated><title type='text'>Conquista?</title><content type='html'>Conquista.&lt;br /&gt;É uma conquista.&lt;br /&gt;Você conquistou. Fique feliz. Fique feliz por sua conquista.&lt;br /&gt;Ele disse isso pra ela na mesa do bar. &lt;br /&gt;Talvez tenha sido uma conquista.&lt;br /&gt;E de fato, quando conseguiu, ficou feliz, saltitou, comemorou.&lt;br /&gt;Há males que vêm pra bem. Mário Quintana disse também: há bens que vêm pra mal.&lt;br /&gt;Mas isso ela não disse para ele. Retrucar o quê? Não valia a pena.&lt;br /&gt;Conquista.&lt;br /&gt;É uma conquista. Sim, talvez tenha sido, talvez ainda seja. No momento em que se luta por algo, sim, e depois que se o consegue, sim, há aí uma conquista, é disso que estamos falando, é disso que se trata. Sem dúvida, é disso sim que se trata. Mas e agora? Nesse momento atual sendo e criando seu próprio gerúndio? Estava ela feliz com a conquista? Se não tivesse conquistado, teria chorado. Teria se impacientado com a vida e mal-dito tudo e todos. Teria ficado amuada num canto e teria se irritado por pouco. Miserinhas diárias teriam dado pano pra manga e gerado discussões calamitosas. Mas, como tudo e todos, teria passado. Ela teria esquecido aquele seu objeto perdido, o objeto que não chegou a ter, por isso, de fato, não era exatamente perdido... ela teria esquecido e estaria procurando uma outra coisa qualquer. E agora sua vida seria outra. Com menos, com mais. Diferente, não importava de que tamanho, diferente sim.&lt;br /&gt;Conquista.&lt;br /&gt;Ela não sabia se estava gostando de tudo aquilo.&lt;br /&gt;Ela até desconfiava de que não estava gostando de tudo aquilo.&lt;br /&gt;Mas morria de medo de dizer para si e para quem mais pudesse e soubesse ouvir que estava desgostando e que queria uma outra coisa. Ela tinha medo de querer uma outra coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5725359214877040610?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5725359214877040610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5725359214877040610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5725359214877040610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5725359214877040610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/04/conquista.html' title='Conquista?'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8292249121017253531</id><published>2009-04-07T15:29:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T15:33:40.159-07:00</updated><title type='text'>a confusão de Maria</title><content type='html'>A Maria chegou no analista e não quis deitar no divã.&lt;br /&gt;Ela sempre deitava no divã e achava isso muito bom.&lt;br /&gt;O divã faz milagres, ela costumava dizer.&lt;br /&gt;A Maria então naquele dia não queria milagres.&lt;br /&gt;Ela queria alguma outra coisa, o quê? O quê?&lt;br /&gt;A Maria preferiu sentar, meio de lado. De frente seria muito. &lt;br /&gt;E aí disse:&lt;br /&gt;"Estou confusa".&lt;br /&gt;Tão confusa a Maria estava que não conseguiu, ela não conseguiu nem o lé, nem o cré, nem o lé com cré, nem o cré com lé, nem o lá, nem o si, nem o dó, nem o pão-de-ló. Ela não conseguiu explicar nada com coisa nenhuma e tudo que dizia parecia um redemoinho caótico. &lt;br /&gt;A analista ouvia e falava algumas coisas. Meneava a cabeça. Piscava. E dizia algumas coisas mais. E ficava em silêncio. E piscava. E mudava de posição. E se ajeitava. E perguntava isso. Ou perguntava aquilo. E por aí iam indo... Por cinqüenta minutos.&lt;br /&gt;A Maria saiu de lá ainda confusa. Mas não é menos verdade que, agora, a confusão tinha outros tons.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8292249121017253531?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8292249121017253531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8292249121017253531' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8292249121017253531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8292249121017253531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/04/confusao-de-maria.html' title='a confusão de Maria'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8929230391971172984</id><published>2009-04-01T14:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T15:01:05.467-07:00</updated><title type='text'>Várias coisas</title><content type='html'>Tem uma coisa: &lt;br /&gt;escrever é fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem outra:&lt;br /&gt;a gente sempre quer que leiam o que escrevemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem outra, que desdiz a última:&lt;br /&gt;nem sempre a gente quer que leiam o que escrevemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem uma quarta, também:&lt;br /&gt;a gente começa a escrever por escrever, e não para que nos leiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem mais coisa ainda:&lt;br /&gt;depois de um tempo, a gente esquece a primeira vez em que escrevemos e calha até de esquecermos que um dia escrevemos por escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem outra coisa:&lt;br /&gt;a gente escreve porque quer escrever. porque precisa escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Blanchot apontou uma coisa:&lt;br /&gt;"escrever para não morrer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a última coisa:&lt;br /&gt;agora eu estou escrevendo porque preciso escrever agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8929230391971172984?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8929230391971172984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8929230391971172984' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8929230391971172984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8929230391971172984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/04/varias-coisas.html' title='Várias coisas'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7227804052833396770</id><published>2009-04-01T14:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T14:36:11.378-07:00</updated><title type='text'>Disperso, quebradiço e leve</title><content type='html'>Quando se deu o clique? O estalo, quando foi?&lt;br /&gt;Aquele momento de passagem de uma situação primeira para uma situação segunda, quando? &lt;br /&gt;Quando foi que ele passou a se interessar por ela, exatamente? Há isso, o exatamente de uma tal passagem? Ou tudo que muda é um longo processo e uma longa transição? Nada é imediato? &lt;br /&gt;Não, aquilo era imediato. Aquele estalo de talvez percebê-la fora imediato. Estranhamente imediato, esse era o palpite dela. Mas como e por quê? Afinal, ele já a havia visto. Transitava por lugares que eram os dela também, compartilhavam um mesmo chão anteriormente. E se não existe amor à primeira vista em caso nenhum, sem exceção para confirmar regra, o que faz com que um tal tipo de estalo possa acontecer: estalo que leva da indiferença ao interesse, ainda que leve? E quando o interesse se torna fixo, mesmo que frouxo, o que faz com que isso aconteça? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aaah, ela! Ela novamente ocupava-se de questões gerais, estava interessada em conceitos que explicassem a humanidade, tinha uma queda por filosofias e uma irritação com esquemas rápidos, mas, e ali, no caso dela e dele? Quando ele se interessara, ainda que fosse um interesse disperso, quebradiço e leve? Houvera o quando que se pudesse apontar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que ela, quando notava que se interessavam por ela, ainda que de um modo disperso, quebradiço e leve, já não conseguia fluir naturalmente. Já não era a mesma e não conseguia retirar da mochila um "à vontade" que pudesse jogar na situação e em si mesma, cobrir tudo de modo jeitoso e assim desenrolar-se com menos atrito. &lt;br /&gt;E, para piorar tudo, as perguntas, de uma inutilidade sem par, vinham incessantemente, como de praxe, no seu caso: quando o estalo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7227804052833396770?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7227804052833396770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7227804052833396770' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7227804052833396770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7227804052833396770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/04/disperso-quebradico-e-leve.html' title='Disperso, quebradiço e leve'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7273091338440166086</id><published>2009-03-28T10:00:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T10:13:46.394-07:00</updated><title type='text'>A questão de V.</title><content type='html'>A V. é assim e um dia alguém a definiu muito bem, aliás, o J. a definiu bem: você é um paradoxo, ele dissera. Você é tímida e extrovertida ao mesmo tempo. E daí para chegar a outras dicotomias impensáveis encerradas em um mesmo ser não foi difícil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A V. então, junto com o J., descobriu um clube da leitura no bairro C. e, aos poucos, driblando horários e cansaços, passou a ir toda semana. O mais incrível é que a V., que escrevia muito e desde os 9 anos, com intervalos mais ou menos regulares de maior ou menor produção devido a circunstâncias internas e externas também mais ou menos intensas, nunca levava um conto seu para o clube onde aquelas pessoas reuniam-se empolgadas para ler seus próprios escritos e discutir escritos alheios. A V. ia e gostava de ouvir o que os outros escreviam, fazia um esforço danado para prestar atenção, ainda que não conseguisse o ponto máximo correspondente aos 100% de concentração. Mas era um esforço contínuo e que trazia melhores resultados cada vez mais. A V. até queria, sim, levar um conto seu. Mas os contos eram inspirados em temas e nem sempre os temas lhe traziam alguma idéia. Mas a V. às vezes até se inspirava, só que ainda assim não levava nada seu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que aquela definição do J. era certeira. Pois o fato é que a V. escrevia muito e só agora, mais de 15 anos depois de começar sua produção e melhorá-la, obviamente, é que começava a mostrar a outras pessoas o tanto que escrevia. Antes esse assunto nem era falado. Pois a V. pensava: como é que as pessoas vão entender o fato de que eu escrevo coisas? Ela achava que isso era meio ininteligível para a grande maioria, que isso não era assunto de mesa de bar ou festa, que ninguém estaria interessado nisso que era tão ela, que era tão V., e que era visceral sim: escrevia. Talvez até receassem que a desprezassem justamente porque escrevia, que achassem uma grande babaquice isso de escrever! E quando um dia leu o que seu amigo R. mostrou - o dito "Escrever para não morrer", de Blanchot - identificou-se de imediato. Mas para o clube da leitura não conseguia levar muita coisa além de sua presença motivada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal do lugar insistia com ela. 'Ah, V., quando é que você vai escrever um conto? Ah, V., pára de bobeira!' E a V. tentava explicar, mas nem todo mundo entendia. Era mais do que vergonha de mostrar o que escrevia e, por ventura, ser rejeitada, ainda que passasse por isso, com certeza. Afinal, a etapa da vergonha havia sido superada, pois mostrava seus textos em forma de pequenos livretos que distribuía com muito gosto por aí... O problema ali era que... era que... qual era o problema ali? O problema ali, gente, é que os contos são lidos em voz alta e você vê a reação das pessoas na hora em que são lidos, mesmo que não saibam até o final de tudo quem escreveu o quê! A explicação era essa mas era mais do que essa. V. não queria ver o silêncio desinteressado diante de um conto seu. E ela sabia bem distinguir um silêncio desinteressado de um silêncio de atenção. Aliás, o silêncio desinteressado muito se aproximava da fonte do tédio. E se tivesse que constatar isso? Era preferível que desse um texto seu para alguém que, em casa, leria e acharia um saco, mas não na sua frente, não na sua frente!!! O fato é que a forma de ler um conto seu poderia levar justamente para uma reação que seria inteiramente diferente se o texto houvesse sido lido em casa! Mas... Como explicar isso pra todo mundo? E o J. quase entendia. Mas ainda assim achava que ela era uma boba de não escrever, pois ele achava que ela escrevia coisas maravilhosas. O problema que, até o momento, o J. a amava, e como não ser influenciado por seu amor na hora de opinar sobre a leitura do que V. escrevia??? Quanto a ela, achava que às vezes mandava bem, mas nem sempre. E nisso seguia indo ao clube da leitura, gostando muito mais de estar ali participando daquela celebração da literatura do que se preocupando em ter um texto seu lido e admirado ou execrado por todos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7273091338440166086?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7273091338440166086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7273091338440166086' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7273091338440166086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7273091338440166086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/questao-de-v.html' title='A questão de V.'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8135039129946056921</id><published>2009-03-20T15:10:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T14:55:53.301-07:00</updated><title type='text'>De volta à vida mesma</title><content type='html'>De volta à vida mesma, acho-me perdida e manca, encontro-me encafifada com o fio da meada que já não tenho mais. De volta à vida mesma, mastigo montes de miséria, medíocre marcha espinhosa e fútil, martírios longos e morosos. De volta à vida, mesmo assim acho-me morta, metade de mim sem ar, metade de mim alerta. De volta, a vida me acena mesmices, misantropias e morbidez, e eu me meto a correr dela, medrosa, mendiga. De volta à vida mesma, minimamente masco o que a mim me é destinado, e o que não se torna massa ou bolo alimentar eu cuspo fora meramente. De volta à vida, mesquinharias me fazem meter os pés pelas mãos, imitando o que não posso ser e mansamente retornando ao meu lugar. E de volta, a vida? Longa, magra, megera. Maligna até! Me espera, malandra, querendo rir de mim, a vida mentecapta que a mim me restou, queimando minhas quimeras, mantendo-me maluca, amarrando-me a uma total melancolia, sem medida mas quase sempre domesticada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto foi publicado em 17 de março no &lt;a href="http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/03/para-ler-em-voz-alta-de-volta-vida.html"&gt;BLOG DO BOLHA&lt;/a&gt;, vale a pena conferir. É só clicar em &lt;a href="http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/03/para-ler-em-voz-alta-de-volta-vida.html"&gt;BLOG DO BOLHA&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8135039129946056921?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8135039129946056921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8135039129946056921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8135039129946056921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8135039129946056921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/publicacao-no-blog-do-bolha.html' title='De volta à vida mesma'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-132645478902022215</id><published>2009-03-18T10:41:00.000-07:00</published><updated>2009-03-18T10:48:18.587-07:00</updated><title type='text'>Rilke</title><content type='html'>O Rilke diz assim, em sua primeira carta a um jovem poeta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"... confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples "Preciso", então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas lêem e não entendem. Vem uma polêmica vazia - ou cheia demais talvez - que gira em torno da cega pergunta: você escreve para ter um leitor ou você escreve para si mesmo? Não importa. Que você escreva para um leitor, que escreva para si próprio, a questão do Rilke é: o que te move a escrever? Você morreria se parasse? Se você escreve para um leitor de fora, você morreria se parasse, se te proibissem? Cada um escreve de um jeito e com um fim, mas a pergunta maior é: por que escreve? Ou, a pergunta mais genérica é: por que cria? E no caso de criar, estaria para morrer se te impedissem de criar? Por acaso, a sua forma de criar se materializa na escrita. Mas, se você desenhista fosse, diga-me: estaria para morrer se te proibissem de desenhar? Então em primeiro lugar o que vem é um impulso criador que se traduz em impulso de escrever (ou desenhar?). Se vai ter leitor, isso já é o pensamento segundo. Saiam da polêmica cega e entendam a profundidade do texto. Ou, como diz o jovem poeta a quem Rilke se dirige, na introdução das Cartas: "Quando fala alguém grandioso e único, os pequenos têm de se calar".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-132645478902022215?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/132645478902022215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=132645478902022215' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/132645478902022215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/132645478902022215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/rilke.html' title='Rilke'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7457427128282914760</id><published>2009-03-13T12:38:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T12:43:55.151-07:00</updated><title type='text'>Espanto futuro</title><content type='html'>E se há cinco anos atrás vc pensasse no que se tornaria cinco anos depois, será q vc imaginaria que teria se tornado nisso que vc é agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah - vc retruca - não é possível tornar-se algo em apenas 5 anos... Tornar-se algo é muito para um intervalo de 5 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai depender, vai depender. Então seja mais elástico e pense no intervalo de 10 anos. Ou, melhor dizendo, no intervalo de 8 anos e meio, pra gente não ser tão certinho. Tudo bem, vc pode não ter se tornado alguma outra coisa, mas muitas coisas te atravessaram e vc imaginaria tudo isso e todas elas e vc todo agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca parei pra pensar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora pense no que vc será daqui a cinco anos. Não, é pouco. Daqui a dez. Não, é redondo. Pense então o que vc será daqui a 8 anos e meio e veja se seus cabelos embranquecerão, se seu olhar terá outro viés, se as cores causarão impressão diversa, se as pessoas ao seu redor, todas, ainda estarão vivas, ainda estarão ao seu lado, ainda morarão em sua cidade, se você terá dinheiro, filhos, gatos, se vc gostará de outras bandas ou outros livros, se vc mudará radicalmente de opinião, emprego e vida. Pense no que hoje parece tão estável e lembre que, há oito anos e meio atrás, o que parecia nunca mudar talvez tenha mudado absolutamente. Radicalmente. E o que vc faz com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Volto pra casa pensando...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7457427128282914760?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7457427128282914760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7457427128282914760' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7457427128282914760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7457427128282914760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/espanto-futuro.html' title='Espanto futuro'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5672001883648940481</id><published>2009-03-10T15:20:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T15:28:33.411-07:00</updated><title type='text'>espanto</title><content type='html'>Muda. O tempo muda e não só os cabelos embranquecem.&lt;br /&gt;Lembra o Pink Floyd: The sun is the same, in a relative way, but you're older.&lt;br /&gt;Grave a frase: you're older.&lt;br /&gt;Há alguns anos atrás, quem imaginaria tudo isso?&lt;br /&gt;Há alguns anos atrás, quem visualizaria no que desembocaria a coisa toda? &lt;br /&gt;E não apenas eu: você. Tu. Ele. Ela. Nós. Vós. Eles. Elas também...&lt;br /&gt;Relembre a frase: but you're older. &lt;br /&gt;E só quando se vê o que se deixou para trás... e quando se vê o que um dia se viu quando os olhos eram outros... e quando se vê o que mudou naquilo que se viu há anos atrás quando eram outros olhos... é que a gente confirma: I'm older.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5672001883648940481?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5672001883648940481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5672001883648940481' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5672001883648940481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5672001883648940481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/espanto.html' title='espanto'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-9211347913707485777</id><published>2009-03-09T05:22:00.000-07:00</published><updated>2009-03-09T05:39:38.212-07:00</updated><title type='text'>Diário de bordo</title><content type='html'>Na ida foi assim:&lt;br /&gt;colocou calça, tênis e meia, pois o ar condicionado do ônibus de viagem dá frio depois de uma certa hora, e seriam 4 horas de viagem. &lt;br /&gt;O calor estava tão grande que na parada, com aquela calça, tênis e meia, não agüentou ficar fora do ônibus.&lt;br /&gt;Chegando em Paraty, teve a sensação de que pegara o ônibus para os quintos dos infernos, tamanho era o calor que, apesar de carioca nata, nunca havia sentido nem mesmo em Bangu (e olha que ela já varara muitos dias em Bangu, por razões inúmeras...). &lt;br /&gt;Ao retirar a mala do bagageiro de cima, fazendo uma volta com a coluna, sentiu uma dor desvairada. Pinçara algum músculo? A dor era tanta que ela caiu na poltrona novamente gemendo de dor baixinho, mas não podia fazer feio e tentou disfarçar. Foi andando igual velha, sem poder se abaixar para colocar a mala no chão etc. Uma dor incrível que ela esperava que pudesse passar em pouco tempo... &lt;br /&gt;Conseguiu trocar o tênis por uma sandália enquanto esperava o ônibus para Trindade, mas ao entrar no banheiro para trocar a calça por um short, teve de expulsar um menino de seus 11 ou 12 anos que queria urinar de porta aberta no banheiro feminino, sendo que o masculino era ao lado. Ele tentou argumentar dizendo que "tanto faz", e ela disse "tanto faz nada, o seu banheiro aqui do lado, pra que então está escrito 'mulheres' e 'homens' aí?". Isso de enxotar o moleque para fora do banheiro fez com que perdesse alguns bons minutos, o ônibus para Trindade chegou e ela teve que ir de calça mesmo para lá.&lt;br /&gt;Chegando em Trindade, calor, calor, calor - os quintos dos infernos concentrados. Entrou no quarto da pousada (agora queria conforto, nada de barraca de camping pra monta...) com a amiga, trocaram de roupa e ao sair da pousada, nuvens enormes e cinzas sobre suas cabeças.&lt;br /&gt;Foram à praia mais próxima e a dor nas costas persistia. Ela parecia uma velha se levantando e se abaixando. A amiga fez uma massagem que não adiantou. Tomou um dorflex depois que só deu sono. Dormiu mal e toda vez que se virava para o lado, a dor aumentava.&lt;br /&gt;Acordam sábado e uma chuva fina de inverno banhava Trindade, um lugar que só vale a pena com sol porque só tem praia e cachoeira. &lt;br /&gt;Saem mesmo assim, na chuva, levado guarda-chuva, e vão à cachoeira da pedra que engole, o tempo melhora um pouco, depois vão às outras praias, mas as trilhas estão escorregadias por conta da chuva. A coluna ainda dói e as pernas também. Toma mais remédios que nada adiantam. Quando chegam à piscina natural, ainda dá tempo de se banharem nas águas mornas entre as enormes pedras, mas não demora muito e começa a chover novamente. Resolvem voltar de barquinho para não enfrentarem a lama da trilha uma vez mais e a dor em sua coluna continua. &lt;br /&gt;Conversam e chegam à conclusão de que terão de encerrar a viagem no domingo, ao invés de segunda-feira, por causa do mau tempo e da coluna. Tudo decidido com a dona da pousada, domingo chega, o sol abre. A amiga ainda vai à praia querendo curtir os últimos momentos de suas férias, mas ela prefere ficar na pousada, sentindo a dor, a garganta agora arranhando um pouco também. &lt;br /&gt;E quanto à volta, foi assim:&lt;br /&gt;pegam o ônibus para Paraty meio-dia, lá chegando só há passagem para três e vinte, almoçam, conversam, esperam, esperam, esperam, entram no ônibus. Traumatizada pelo calor que sentiu na vinda, resolvera sair de Trindade com uma bermuda, uma blusa e um chinelo. A viagem que era para durar 4 horas, dura 6, por causa de um enorme engarrafamento em Itaguaí. O tempo começa a mudar e começa a fazer frio. Ela se pergunta: por que não fora de calça???!!! O frio aumento e ela tenta trocar de roupa no banheiro do ônibus, mas se enrola toda. Quando a porta do banheiro fecha e ela cambaleando lá dentro com as curvas do ônibus, acha que ficou presa eternamente e tenta sair o quanto antes, sem trocar nada. Fica pensando em como se esquentar mais, mas deve esperar pela parada para poder colocar a calça, o tênis e a meia com que havia iniciado sua viagem. E o engarrafamento é simplesmente interminável. Pelo menos, ela vê que, se um dia quiser, é ali, na beira da estrada, altura de Itajaí, que pode comprar jaca cristalizada, coisa que nunca viu vendendo no Rio de Janeiro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-9211347913707485777?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/9211347913707485777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=9211347913707485777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/9211347913707485777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/9211347913707485777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/diario-de-bordo.html' title='Diário de bordo'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5511061908392829185</id><published>2009-03-01T07:45:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T07:54:42.567-08:00</updated><title type='text'>Um mês depois (continuação)</title><content type='html'>(Continuação da postagem de 30 de janeiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Beatriz estava adiando aquele troço de procurar um astrólogo até o dia em que perdeu o medo, a paranóia, a alergia, o receio, a descrença, a desconfiança, a ironia e os tiques nervosos e discou para um daqueles vários números que acumulou em suas consultas às suas amigas menos reservadas quanto a assuntos exotéricos e esotéricos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcou a leitura do mapa para uma terça-feira e na véspera mal dormiu. Só pensava naquilo que a norteara durante anos e anos em sua opinião de que alguém que fala de você e de seu futuro acaba criando você e seu futuro. Que medo ela tinha de ouvir um rol de características pessoais ditadas por signos, astros, estrelas e passar, a partir daí, a ser exatamente do jeitinho que a lista de características indicava que ela era. Se soubesse que era extrovertida e ligada à família, na verdade poderia passar a sê-lo só pela sugestão de ouvir aquilo. E que medo tinha de ouvir a previsão de que conheceria, por exemplo, um 'moreno jambo' até outubro e passar, a partir dali, a só olhar para 'morenos jambos', que nunca haviam interessado à sua atenção e à sua libido. Fazer exatamente o que se devia fazer (e fazê-lo de modo inconsciente!) para que se cumprisse a profecia astrológica, fosse ela sobre morenos jambos, empregos públicos ou mortes inadiáveis! Medo enorme exorbitando poros e rachaduras de sua alma de que se criasse seu destino e sua linhagem! Ainda assim, cheia de sonos e bocejos, já que havia marcado, dirigiu-se para a casa da astróloga e, lá chegando, não hesitou nem um nem dois segundos antes de tocar a campainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher baixa e enrugada, mas com um olhar azul límpido e refrescante, fez com que Beatriz subitamente esquecesse os receios que vinha acalentando com apego e orgulho e confiasse no que tinha a lhe contar a tal astróloga. Foram para a mesa de trabalho da mulher e ela ia começar a dizer alguma coisa. Ela ia começar a deslindar a inauguração de uma nova Beatriz e era preciso coragem para ouvir... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5511061908392829185?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5511061908392829185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5511061908392829185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5511061908392829185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5511061908392829185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/03/um-mes-depois-continuacao.html' title='Um mês depois (continuação)'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3127951009002334255</id><published>2009-02-27T17:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T17:39:45.319-08:00</updated><title type='text'>As coisas que eu acho</title><content type='html'>O que eu acho?&lt;br /&gt;Bem, eu acho que tá fazendo um calor do cacete e odeio verão, não sei o que que eu faço sendo carioca, e acho também que só se fala em crise e agora tudo é crise econômica, e acho que os jornalistas adoram esquematizar as coisas de um modo simples que deturpa o mundo mas que há exceções e que quando se explica o mundo com fórmulas bem acabadinhas a coisa fica perigosa e acho também que Grande Sertão Veredas é otimo mas é denso e é bom intercalá-lo com um texto mais tranqüilo. Acho que o trema é fundamental e que o h antes das palavras é totalmente descartável e que as pessoas não têm discernimento pra fazer reforma ortográfica nenhuma e que deveria haver um referendo pra que o povo decida se quer ou não o trema e se quer ou não o h. O h nem entrou na questão mas não haveria grande diferença se eu escrevesse que não averia problema. &lt;br /&gt;O que mais eu acho?&lt;br /&gt;Eu acho que o tempo tá correndo depressa demais e que só se fala nisso em conversa de elevador e que tem gente que acha que a Terra tá girando mais rápido e que quando se era criança cada mês parecia uma eternidade, mas eu acho que na verdade toda criança vive num tempo que demora mesmo a passar e a coisa muda quando os compromissos e preocupações vão se proliferando por partenogênese.&lt;br /&gt;E que mais eu acho?&lt;br /&gt;Eu acho que Clarice Lispector não tem comparação e que Lavoura Arcaica é uma das coisas mais fodas que li na minha vida e que O Processo é melhor do que A Metamorfose e acho que todas as opiniões que a gente tem dependem do horóscopo de jornal, ou seja, são influenciadas pelas conjunções e desconjunturas dos astros lá em cima e lá embaixo. E que todo mundo repete picotes de discursos de outras falas de muitas outras pessoas e tudo que se diz alguém já disse antes. &lt;br /&gt;Se tem mais coisa que eu acho?&lt;br /&gt;Bom, pra finalizar eu acho que quem acha muita coisa no fundo não acha nada... Como dizia Noel, "quem acha vive se perdendo...".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3127951009002334255?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3127951009002334255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3127951009002334255' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3127951009002334255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3127951009002334255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/as-coisas-que-eu-acho.html' title='As coisas que eu acho'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6162329454426948782</id><published>2009-02-20T10:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T10:21:20.867-08:00</updated><title type='text'>Mala Desfeita</title><content type='html'>Abrindo a mala, desfez-se de tudo, desfez-se da mala, das roupas, da vida. A mala vazia, diante de si. A mala aberta, vazia e calada. Abriu-se de tudo que antes trazia, fechou-se de ontens, de dias, de quases. Queria um novo espaldar. Cadeiras quebradas não a sustentavam. A casa vazia e a mala aberta, a vida murchava. A mala murchara, a casa embargara. A vida alongava-se pra frente e pra trás, a vida era aberta, era incerta, era torta, era morta. A mala já morta olhava sem rumo, a mala opaca de dias felizes. A mala encarnava um passado distante. A mala cansada de muitas viagens, abrira-se toda. E ela, diante da mala, diante de si, diante da casa, vazia, silente, sonâmbula, pensava em bobagens. Abria-se a mala sem nada a lhe dar. E ela, então, levantou-se. Diante da mala, diante de si e diante da vida, guardada na casa, deserta. Olhou para os lados, míope que era. Via-se toda, e sem nada por perto, e sem nada por dentro. Via-se ausente. E a mala também. E a casa, de vidro. Paredes translúcidas. Não havia mais nada. Apenas ela, apenas a mala. Sobre o chão, descascado, azedo. E a vida, descascada, amarga. E a mala, sem casca, sem casa, sem rumo. Ela e a mala, dentro da casa, cansadas da vida, viagens, visões, não tinham o quê. Não tinham qualquer. Não sabiam de onde, não sabiam pra onde. Não se sabiam, tampouco. Não havia o que fazer, e o mundo caía. Sobraram lembranças, soçobraram vinganças – a vida era rouca, a mala era surda, a casca era tênue. Acabara-se o prumo, a casa apagou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS. Esse texto foi publicado na edição 25 do Jornal Plástico Bolha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6162329454426948782?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6162329454426948782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6162329454426948782' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6162329454426948782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6162329454426948782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/mala-desfeita.html' title='Mala Desfeita'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-143532379510293451</id><published>2009-02-16T11:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T11:16:04.784-08:00</updated><title type='text'>Você torce, torce muito</title><content type='html'>Você fica querendo que o dia passe, que a semana passe, que o final de semana chegue, que o carnaval chegue, que as férias, mesmo que parciais, cheguem, você fica torcendo para que a semana voe, para que cada dia chegue ao seu final, pelo menos ao seu final enquanto dia útil, pelo menos ao seu final enquanto dia de trabalho, você torce e faz figa para que cinco horas da tarde seja um horário que não tarde a chegar, você torce e fica feliz quando já se passaram duas horas, quando a manhã acabou, quando já são duas, três, quatro e meia da tarde, você fica feliz da vida quando dão cinco horas e, mais ainda, quando dão seis e você está chegando em casa, você fica torcendo para que tudo acabe rápido e você enfim comece a viver nos resquícios de dia, nos finzins de semana, é nessas horas em que você pode ser você, em que as coisas que realmente valem a pena podem ser efetivadas, é nessas horas - e só nessas horas - que você pode escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS. Alguém te disse que torcer para que passe logo o tempo é um pouco torcer para envelhecer e, no fim das contas, é um pouco torcer para a morte chegar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-143532379510293451?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/143532379510293451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=143532379510293451' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/143532379510293451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/143532379510293451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/voce-torce-torce-muito.html' title='Você torce, torce muito'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7713229571638128733</id><published>2009-02-15T10:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-15T10:51:05.723-08:00</updated><title type='text'>Vuvu mero gato</title><content type='html'>Passaram-se dias. Vários dias. Uns maiores que os outros, porque os dias são assim: aparentam ter todos 24h sem tirar nem por, mas no fundo uns são mais espichados do que outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela então resolveu chamar o Vuvu para conversar, pois sentiu-o mais moroso no seu deslizar pela vida. Menos brincalhão. Menos humorista do que de costume. Não era mais o mesmo Vuvu. Seria uma fase?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vuvu! - ela gritou e ele veio, imediatamente. Ele sabia que era com ele a coisa. - Me conta, Vuvu... Eu... Aquele dia você falou tanta da coisa... que eu fiquei um pouco zonza e não pude te dizer nada, sabe, Vuvu?&lt;br /&gt;Mas ele apenas olhava. Nada dizia. &lt;br /&gt;- Continuo sem saber o que te responder... Vuvu?&lt;br /&gt;- Miau! - ele 'disse'. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa não! Voltou ao velho hábito de apenas miar. Ele havia dito tantas coisas sobre sua vida, um certo cansaço de não ter um objetivo que não fosse o de comer e dormir, e a havia colocado contra a parede, comparando sua vida de felino típico à dos humanos típicos. A vida é cheia de felinos e humanos típicos - foi exatamente isso que ela conseguira deduzir dos ensinamentos de Vuvu. E agora ele parecia o gato de antes, que só miava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vuvu, você não quer retomar aquele assunto, não?&lt;br /&gt;- Miau...&lt;br /&gt;- Lembra, Vuvu, aquelas coisas todas que você disse?&lt;br /&gt;- Miau.&lt;br /&gt;- Ai, Vuvu! Tenha um pouquinho de boa vontade!!&lt;br /&gt;- Miau!!!&lt;br /&gt;- Não, Vuvu, hoje não tem comidinha especial, não... &lt;br /&gt;E então Vuvu deu-lhe as costas e voltou para seu canto, fechando os olhos. E ela ficou ali. Sem saber se o que ela tinha escutado havia sido mesmo o Vuvu que havia dito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7713229571638128733?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7713229571638128733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7713229571638128733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7713229571638128733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7713229571638128733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/vuvu-mero-gato.html' title='Vuvu mero gato'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7146737908650449261</id><published>2009-02-13T12:33:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T12:43:06.399-08:00</updated><title type='text'>Ela pensa no que Vuvu disse em 09 de fevereiro</title><content type='html'>O Vuvu?&lt;br /&gt;Viu que nada lhe seria dito depois de tantas lamentações, confissões e declarações de que a vida era uma merda.&lt;br /&gt;Ela?&lt;br /&gt;Começou a observá-lo melhor, mais até do que fazia antes. E viu que ele estava mudado. Digamos que mais sorumbático? Meditabundo? Agonizante? É, talvez... Um pouco disso tudo com muita dissimulação de cara de paisagem, o que é típico de gatos. &lt;br /&gt;E o Vuvu continuava sua vida. Acordava, roçava-se em pernas alheias, comia, deitava-se, voltava a dormir, buscava brincadeira, arranhava sofás e cadeiras, dormia, comia, dormia, comia mais, dormia novamente, sonhava. &lt;br /&gt;E ela via que ele fazia tudo mais devagar do que antes. Menos ímpeto. Menos finalidade. Se é que havia alguma antes... &lt;br /&gt;E ela lembrava que ele a colocara em xeque. Não 'ela-ela' especificamente, mas a sua raça - os humanos. Quis mesmo comparar sua vida felinítica com a dela. No fundo, ele dissera: vocês são iguais a nós, mas um pouco mais sofisticados. Enquanto eu brinco com bolinhas de alumínio e caixas de papelão, vocês vão ao cinema. Não há mais nada depois disso, além disso. A diversão. O objetivo de vocês é esse: acordam, comem, trabalham, ganham seu ordenado e depois saem à noite, viajam nas férias e em feriados... &lt;br /&gt;E ela então começou a se observar melhor também. Não observar 'ela-ela', mas todos os seus...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7146737908650449261?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7146737908650449261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7146737908650449261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7146737908650449261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7146737908650449261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/ela-pensa-no-que-vuvu-disse.html' title='Ela pensa no que Vuvu disse em 09 de fevereiro'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6684820106590380050</id><published>2009-02-09T09:52:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T09:55:23.717-08:00</updated><title type='text'>Vuvu acaba o discurso</title><content type='html'>E aí Vuvu parou. E aí ela engoliu. Naquele tempo todo em que ele falou, falou, falou, nem engolir ela engoliu com medo de perder uma palavra, e quase que nem respirou, com medo de se engasgar com o ar também, com medo de perder pedaço daquela fala toda que muito a impressionou, pois o gato que estava à sua frente, aquele seu gato branco, ele não tinha cara de que pensasse tanto, ele não tinha cara de que poderia falar aquilo tudo. Ele tinha sim uma cara de ser que vem de outra esfera - humano ele não era, não podia ser! Não havia humano daquele jeito como ele, igual a bicho! Mas bicho-bicho como se pensa que são os bichos, assim parados, assim passivos, assim abestados, abestalhados, abobalhados, abobeirados, isso ele também não podia ser! Aquele olhar não era um olhar qualquer!!! E agora, essa! Tudo aquilo! Todo aquele papo de descontentamento com a própria vida e ainda a colocando contra a parede! E para ele ela ainda não tinha uma resposta a dar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6684820106590380050?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6684820106590380050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6684820106590380050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6684820106590380050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6684820106590380050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/vuvu-acaba-o-discurso.html' title='Vuvu acaba o discurso'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-8598787182825528992</id><published>2009-02-07T04:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-07T04:50:06.489-08:00</updated><title type='text'>E Vuvu ainda tem mais a dizer!</title><content type='html'>Como ela nada dissesse, ainda que ouvisse atenta, Vuvu continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa minha vida, sabe, dona, essa minha vida não parece me levar mais a lugar nenhum, se é que um dia já levou. Essa minha vida - e só agora me dou conta - é um constante ficar parado. Será que estou esperando a morte? Será que é isso o que me resta? Envelhecer, envelhecer, envelhecer e um dia acabar? Deixar de existir? Deixar de ver isso tudo - e que é pouco - que se desenrola sob meus olhos? E quase nada se desenrola que me interesse mais... Nada acontece. E eu até me divirto. E eu até descanso. Gosto sim de ficar deitado no meio da casa e gosto de dormir à tarde, principalmente quando está frio, o verão não me apetece... Gosto principalmente quando todos chegam ou quando a Lili Peteca está disposta para um bom pique. Gosto de comer essas comidas boas que vocês oferecem não só pra mim. Mas até aí nada. O que tem depois? Vivo para meu lazer e meu descanso: lazer de carinhos que me fazem e quando escovam meus pelos e quando o sono está uma delícia sim e quando é de manhã cedo e eu posso ver o movimento dos pássaros e da rua na janela da sala e quando o pique está emocionante e quando chega uma nova caixa de papelão e eu posso arrasar com ela todinha... Isso tudo eu gosto. Esse é meu lazer. Mas é pra isso que eu vivo? Para ter lazer? Para me divertir e depois dormir, bem alimentado? A vida é isso aí? E você? E quanto a você, dona? Fale-me de você. Mas não de você-você, você-especificamente-você. Fale-me de sua raça de humanos. Vocês vivem também para esperar a morte? Andam, andam, andam sem notar que no fundo estão tão parados quanto eu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-8598787182825528992?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/8598787182825528992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=8598787182825528992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8598787182825528992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/8598787182825528992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/e-vuvu-ainda-tem-mais-dizer.html' title='E Vuvu ainda tem mais a dizer!'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-9081081903015408328</id><published>2009-02-06T12:28:00.000-08:00</published><updated>2009-02-06T13:02:15.705-08:00</updated><title type='text'>Vuvu consegue falar</title><content type='html'>E quando ela voltou, no primeiro momento que pôde, em que sentou na cadeira, em frente ao computador, Vuvu deu aquele tipo de salto inesperado para seu colo e a olhou tão fixamente bem no meião lá dos olhos dela que ela teve a certeza - renovada a cada dia - que aqueles bichos - os gatos - ou talvez o Vuvu - eram seres menos animalescos do que fazia crer toda aquela taxonomia das matérias de ciências... Um olhar quase humano que fazia com que ela se perguntasse, constantemente: de onde vêm esses bichos? qual a sua origem? não, Vuvu era diferente... os gatos todos talvez... não podiam ser tão gatos... ou então aquilo que chamamos de gato - ou de felino - deveria ser recriado em termos conceituais. Qual é o verdadeiro conceito da palavra gato? Qual é o sentido último dessa expressão? Que lugar é esse em que se situam os gatos que não são nem tão bichos, nem tão humanos? Ou mais humanos do que se possa pensar em um primeiro momento... Gato é aquilo que tem uma aura peculiar de quem entende e uma elegância magistral de quem já nasce com dons artísticos ou estéticos ou poéticos para a existência. No caso de Vuvu, além de tudo, era algo de diferente o que vinha daquele olhar. E ela entendeu então que ele queria falar-lhe. Diga, Vuvu. E então, naquela sua voz grave imcompossível com o agudo miado, ele começou a dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não agüento mais, minha cara, não agüento mais essa vida de gato que fica sempre na mesma casa e só come e dorme. Parece bom viver assim e no princípio até é. A gente não é exigido e não tem responsabilidades. Vivemos para ganhar carinho, não temos hora para acordar e nem preocupações tão mundanas e temporais quanto vocês. Nossas maiores preocupações são a comida e nosso banheirinho de areia, que às vezes vocês esquecem de limpar e fica numa fedentina que dá dó. Tirando isso nada mais nos causa aporrinhação e no início parece bom. Eternas férias. Mas essas férias sem fim também cansam. Não tenho objetivo. Às vezes, quando vocês vêem televisão, eu ouço, escuto, fico atento. E fico pensando que sou igualzinho àquelas pessoas aí que têm como objetivo de vida a viagem de férias e as festinhas de finais de semana. Sabe essa gente aí que aparece nesses programas de reportagem, essa gente toda que trabalha, trabalha, trabalha para poder viajar e comer em bons restaurantes, comprar roupas caras e fazer escova no cabelo e tratamento de pele? Eu sou igual. Eu vivo para o lazer que não passa disso, sendo que o meu parece mais simples, mas é, no fundo, no fundo, a mesma mesmíssima coisa. Pior ainda: não conheço nada de diferente. O máximo que conheço além desta casa e do veterinário insuportável que vocês me levam de tempos em tempos, é o corredor e o elevador, mesmo assim me evacuando de medo puro... Não agüento mais essa vida, dona Vivian. Quero mais. Algo mais. Não quero viver para viajar nas férias, trocando em miúdos. Estou de sa-co-chei-o das mesmas coisas, da mes-ma-ro-ti-na, das mes-mas-pes-so-as, das mesmas idéias opacas que nunca me vêm à cabeça... E sabe: acho o mesmo de você! Você não se cansa de ser você? Não que você seja alguém que vive para viajar nas férias. Não que seu objetivo de vida seja esse, puramente. Você nem gosta de viajar, eu sei... Mas penso: tanto quanto eu estou cansado de mim mesmo e dos meus porquês, será que você não está cansada de você mesma e dos seus poréns? Pois é: cansei de ser eu. Quero trocar!! Que tal trocarmos? Você fica um pouco tempo como gato macho recluso e eu viro você e faço todas as coisas que você faz...?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-9081081903015408328?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/9081081903015408328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=9081081903015408328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/9081081903015408328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/9081081903015408328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/vuvu-consegue-falar.html' title='Vuvu consegue falar'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6151893086251625511</id><published>2009-02-05T12:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T12:29:29.373-08:00</updated><title type='text'>Vuvu quer conversar</title><content type='html'>Dessa vez era o Vuvu. Não era ela. Era o Vuvu que sentiu ganas de conversa. Estava pela sala. Enroscado nuns momentos, noutros todo esticado de pança pra cima - posição esta muito curiosa para um gato tão branquinho quanto ele - entre outras posições pitorescas. Ela ia, vinha, sumia dentro do quarto. Muitas vezes ele gostava de saber o que estava acontecendo. Gostava de ter o controle de tudo o que rolava naquela casa. Ficava em pontos estratégicos. Entre os quartos, no corredor, no meio da sala, locais adequados para ver tudo o que se passava e não perder nada. Também gostava de perseguir a Choquito, sua amada que não dava bola pra ele, ou então brincar com a caçula Lili, já que a mentalidade de Vuvu não correspondia ao seu porte de gato adulto. Mas agora, plena tarde, as outras gatas cochilando, e ele ali com sua insônia de toda tarde, teve vontade de conversar com ela. Com a Vivian. Era ele agora que queria puxar assunto. Uma novidade, afinal, geralmente era ela que vinha, começava a tagarelar, puxar assunto, pedir opinião, fazer discurso, dizer o que achava e o que deixava de achar, era ela que gostava de chamá-lo para o laço social. E ele sempre achava um saco essa coisa de ter que fazer laço social com os humanos. Ele preferia fazer laço à moda dele: quando ele queria, nos momentos em que estava disposto, e geralmente brincando com a vassoura alheia ou com a caneta que alguém estava usando, por exemplo. Não queria papo, conversas ou dialética. Queria brincadeiras e afagos. E isso quando muito! Mas hoje... hoje não... hoje algo havia mudado... e ele ficou olhando seu movimento, observando sem miar, mas, de repente, ela pegou a bolsa, olhou-se no espelho, retocou algum pedaço de rosto e semblante fora do lugar e bateu a porta atrás de si. E ele ficou ali. A ver navios. E sem horizonte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6151893086251625511?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6151893086251625511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6151893086251625511' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6151893086251625511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6151893086251625511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/vuvu-quer-conversar.html' title='Vuvu quer conversar'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-7349043606975339632</id><published>2009-02-02T09:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T09:52:19.415-08:00</updated><title type='text'>Assembléia de Dois</title><content type='html'>Ela chamou o Vuvu. Estranhamente aquele gato estava de bom humor e com algum ânimo. Já havia dormido oito dias seguidos, acordando apenas para encher um pouco saco de sua amada gata negra panterística Choquito, para fazer pipi em sua caixinha de areia e para comer ração. Ele até estava querendo um certo movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga - ele disse. Naquele dia seu ânimo era tanto que não queria miar nem ronronar nem se esticar. Topava até falar português.&lt;br /&gt;- Vamos ter que conversar seriamente com o Johandson - ela falou, o tom grave, o cenho tenso.&lt;br /&gt;- Ah, é? Vamos? Por que vamos? O que eu tenho a ver com isso? - quando ele farejava trabalho, logo queria se recolher. Já se arrependia de ceder no português. Devia ter iniciado a conversa miando, que assim não durava muito...&lt;br /&gt;- Vamos. Nós vamos. Eu e você. &lt;br /&gt;- E sobre o que vai ser o assunto mesmo?&lt;br /&gt;- Sobre esse blog.&lt;br /&gt;- Ahn... Hum... Sim... E o que vamos falar exatamente mesmo?&lt;br /&gt;- Que eu vou fechar esse blog. Deletar. Excluir. Cancelar. Desdizer. Mandar passear. Algo por aí, tendeu?&lt;br /&gt;- Ahn... Hum... Sim... E por que, mesmo?&lt;br /&gt;- Não sei bem porquê. Mas também não sei porquê continuar com ele.&lt;br /&gt;- Ahn... Hum... Sim... Bem, você que sabe...&lt;br /&gt;- Ele que me encheu o saco pra eu fazer e agora estou fazendo.&lt;br /&gt;- Mas pelo visto você gosta, tá sempre botando algo novo, até eu estou aí, com direito a foto e tudo! Nem vc tem foto sua aqui, mas a minha tá lá... Agora, quando saio na rua, tenho que fazer igual ao galo da Bolsa Amarela da Lygia Bojunga, tenho que botar uma máscara...&lt;br /&gt;- É, são ossos do ofício... Mas é isso. O que vc acha, Vuvu? &lt;br /&gt;- Hum... Ahn... Bem... Não sei! &lt;br /&gt;- Dá uma opinião, Vuvu!&lt;br /&gt;- Se vc não está decidida, espera um pouco mais.&lt;br /&gt;- É que todo mundo tem blog, pra que serve blog? Pra escrever, eu sei... Mas eu posso escrever num caderno. Ou, melhor ainda: direto no Word. Pra que blog?&lt;br /&gt;- Acredito que seja pra que alguém mais leia?&lt;br /&gt;- É, acredito que sim... &lt;br /&gt;- Então, pronto. Bem, já conversei demais por hoje. Estou cansado. Depois falamos mais! Bye! - ele disse, esticou-se da maneira que todos os gatos se esticam, fazendo um arco com o dorso, deu meia-volta e se afastou. Foi escolher um cantinho bem fofinho no sofá da sala para se deixar, fechar os olhos e pensar em outra coisa. Pensar naquilo que sempre pensava: nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela? Ela continuou ali. Matutando...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-7349043606975339632?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/7349043606975339632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=7349043606975339632' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7349043606975339632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/7349043606975339632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/02/assembleia-de-dois.html' title='Assembléia de Dois'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4188811506809452747</id><published>2009-01-30T11:22:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T11:35:38.962-08:00</updated><title type='text'>Um mês e meio - parte 4 - novo título agora: um mês depois!</title><content type='html'>(Continuação da postagem de 3 de dezembro de 2008)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de toda a gana e nervosismo e aflição de Beatriz para confirmar, através de algum objeto específico no mundo (de preferência objeto dotado de alguma concretude) o que dizia sua intuição, ou sua vozinha interior, ou sua avózinha interior, ou sei lá o quê que cismava que 2009 ia ser 'O Ano', ou ainda, 'O ANO!', ela custou muito a ligar para os astrólogos cujos telefones todas as suas amigas haviam cedido. O objeto específico que confirmaria que a sua avózinha interior dizia que 2009 ia ser no mínimo sensacional era mesmo um mapa astral. Mas tinha todo aquele pensamento de Beatriz de que esse negócio de quiromancia, numerologia, astrologia, búzios e seus consortes que buscavam prever o futuro tinham muito mais de falácia e sugestão do que qualquer outra coisa. Ia depender da gradação do caráter do profissional e da gradação da crença daquele que buscava uma resposta para as questões insondáveis da existência. O fato é que Beatriz não tinha uma questão insondável de existência para sanar com o astrólogo. Quer dizer, o fato mesmo é que Beatriz tinha uma série interminável e intragável de questões insondáveis e inacabáveis de existência, mas agora o que estava na bola da vez era a do ano de 2009. E que não era bem uma questão. Era uma intuição. Ou um pensamento. Uma frase que ia e vinha, que repercutia em ondas de alegria e que, vez ou outra, gerava até um certo tipo de arrepio benigno com direito a tremelique de êxtase e tudo! A frase continuava sendo aquela: 2009 vai ser muito bom. Sendo que a tal da frase também tinha variações: 2009 vai ser o ano da virada. Beatriz até se perguntava que virada podia ser aquela. Mas a palavra 'virada', por si só, já tinha um tom de espetacular tão incorrigível que permitia reduzir-se a ela mesma, sem carecer de interpretações, especulações, hermenêutica. Só que uma questão se interpunha: e agora pra vencer aquele seu ceticismo em relação a mapas astrais? Luísa e Roberta já haviam dado uns números e tanto Beatriz enrolou que o ano rompeu, passara-se um mês, vinha fevereiro e nada de ela procurar um astrólogo. O que ela queria não era responder uma questão. Não era pergunta. Não era dúvida. Não era incerteza. O que ela queria era uma confirmação de sua frase interior, ou pensamento interior, ou voz interior, ou avózinha interior de que, de fato, 2009 traria uma coisa muito boa. Era só o que queria, mas tinha medo. Medo de que aquilo de ir pro astrólogo a influenciasse de um tal modo que ela de fato fizesse tudo para que 2009 fosse mesmo O ANO. Seria a contaminação de sua vida pelas palavras do astrólogo... Mas, se fosse assim, ela não estaria no lucro do mesmo jeito???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua, eu juro...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4188811506809452747?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4188811506809452747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4188811506809452747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4188811506809452747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4188811506809452747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/01/um-mes-e-meio-parte-4-novo-titulo-agora.html' title='Um mês e meio - parte 4 - novo título agora: um mês depois!'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-3258501094952888496</id><published>2009-01-23T07:15:00.000-08:00</published><updated>2009-01-23T07:20:56.670-08:00</updated><title type='text'>Descompasso</title><content type='html'>Ela foi andando rápido, na frente, sem  olhar para trás.&lt;br /&gt;Ele estava a três passos de distância, tentando acompanhá-la.&lt;br /&gt;Mas ela ia em velocidade crescente, e ele em fôlego descrescente. Quase ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo era para estarem andando lado a lado.&lt;br /&gt;Não é assim que faz um casal?&lt;br /&gt;O interessante seria se tivessem, inclusive, um assunto. &lt;br /&gt;Mas não conversavam, boca de lá fechada, boca de cá aberta, tentando açambarcar um pouquinho mais do ar que escasseava.&lt;br /&gt;O legal seria até, se fosse o caso, pensando bem, concedendo um pouco mais, que estivessem de mãos dadas.&lt;br /&gt;Mas as mãos suam, ela dizia (meio enojada?).&lt;br /&gt;E ele achava bom todo esse desapego que norteava a relação que construíram paulatinamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora? Agora não. Agora o caso era outro. Não era desapego saudável, ainda que com amor. Ali outra coisa se passava... Agora ela ia com pressa. Impaciente. Quase fugindo. Quase correndo. Num certo galope. E ele só queria trotear. Trautear. Relaxar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-3258501094952888496?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/3258501094952888496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=3258501094952888496' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3258501094952888496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/3258501094952888496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/01/descompasso.html' title='Descompasso'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-2064181596768054226</id><published>2009-01-16T10:14:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T10:36:40.887-08:00</updated><title type='text'>E com vocês: o FODANTÁSTICO MUNDO DE ARAKEN LUGOSI</title><content type='html'>Tenho um amigo que vende pedras.Ele não é poeta. Ele vende pedras. Rochas. Granitos. Granizos? Aí não sei.&lt;br /&gt;Não sendo poeta, ainda assim consegue milagres com as palavras, mas só de vez em quando quase nunca. &lt;br /&gt;Primeiro há que se dizer que Araken que se diz Lugosi,ops!, Araken Lugosi, entrou no meu mundo psíquico a partir de 2005, exatamente 29 de setembro (i.e., até ali não existia). O mais legal do Araken Lugosi é sua namorada Ana Paula, que também entrou no meu mundo psíquico nesse dia, quando ele se referiu a ela, antes de eu a conhecer. &lt;br /&gt;O problema do Araken é a síndrome da acumulação de coisas aguda que se junta à síndrome de preguiça tripla aguda e mais o mal de furão incorrigível, somado à dupla personalidade que desdiz o que a primeira disse, ou que diz coisas que a primeira não disse, e por aí vai. Aí, meu irmão, fica muito confuso sacar o Araken. Porque, se vc não o conhece bem, quando ele liga pra você aos sábados e pergunta "qual é a boa?", vai achar que ele tá no pique, até que ele suma o resto da semana, para ligar no próximo sábado novamente e fazer a mesmíssima igualzíssima exatíssima pergunta e sumir novamente. Ou quando ele realmente pergunta isso e marca algo que parece interessantíssimo e não dá as caras, simplesmente assim. E depois diz que não marcou nada, mas se você faz o mesmo com ele, ah, não fica na frente não que vais é ouvir muito. Porque como o Araken Lugosi acumula todas essas síndromes - que, para os leigos, é bom esclarecer que não são doenças, mas sim conjuntos de sinais e sintomas - ele não consegue arredar o pé de casa acumulando-se nas cadeiras e sofás, ao passo que adora também acumular tudo que é objetinho inútil, desprezível e sem porquê desse mundo, principalmente se saiu de uma promoção "fodantástica"... Ah, essa palavra aí é de autoria dele, já chego lá. Antes devo dizer que o Araken gosta de comprar o que não quer nem precisa e nem gosta só porque está na promoção. Se encontrar dez batons por um real cada, vai comprar, mesmo que não lhe interesse lhufas. Se souber que o cinema tá na promoção de 1 real, ele vê dez filmes no mesmo dia. Isso ele gosta: cinema. Mas é capaz de ver o filme mais chumbrega só porque está na promoção. &lt;br /&gt;Enfim, o que eu queria mesmo dizer sobre o Araken Lugosi é sua sutileza poética e sua capacidade de criar neologismos - e copiar alheios também - que muito me encantam justo porque as palavras me encantam. Então, se encontro alguém que sabe fazer delas gato e sapato e emprestar a poesia ao discurso chulo do quotidiano - sem forçar a barra e ao natural - aí já crio uma simpatia por essa pessoa (mesmo com todas as síndromes que a constituem e a atravessem). Entre seus muitos neologismos, está o novíssimo 'fodantástico', que saiu inteiramente de sua mente vendedora de pedras ao se referir à diversidade humana de Copacabana. E ao comentar sobre um primo que estava com 'fogo no rabo' para dar umas voltas pela cidade, foi nobilíssimo ao dizer que o primo estava era com o 'rabo em labaredas', mas não saiu porque a namorada dele o 'encoleirou'. A capacidade discursiva desse nosso amigo Araken é muito boa; pena que não é acompanhada por sua sabedoria, pois, com raiva da prima que encoleira o primo com o rabo em labaredas para dar umas voltinhas, não devia se irritar com a prima, mas com o primo, que, queimando-se todo de baixo pra cima, baixa a cabeça para o que a namorada ordena, submisso e passivo que é.&lt;br /&gt;Enfim, muito mais poderia ser dito sobre o fodantástico mundo de Araken Lugosi, inclusive o fato de sua melhor qualidade ser a namorada gente boa que gosta de boa música e boa diversão, e creio que seus amigos de anos a fio conhecem muito mais síndromes e doenças que o maltratam, amarrotam e amassam ininterruptamente, tadinho!, mas como isso aqui é blog e as pessoas cansam, fica prumoutra vez...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-2064181596768054226?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/2064181596768054226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=2064181596768054226' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2064181596768054226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/2064181596768054226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/01/e-com-vocs-o-fodantstico-mundo-de_16.html' title='E com vocês: o FODANTÁSTICO MUNDO DE ARAKEN LUGOSI'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-5345778757187148379</id><published>2009-01-11T05:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T05:29:59.687-08:00</updated><title type='text'>Um adendo sobre a matança na Faixa de Gaza</title><content type='html'>Além disso, quero deixar aqui registrada a minha tristeza quanto ao que está acontecendo na Faixa de Gaza. Vi uma entrevista com o Ferreira Gullar em que ele disse numa Flip que, quando brigava com a companheira, cada um defendia sua razão e depois ele ficava mal. Então, disse: não quero ter razão, quero ser feliz. Os povos que defendem suas razões, sejam suas origens quais forem, e usam de matança para impô-la até o fim, não são felizes e espalham a morte e a infelicidade. É preferível morrer a matar. Comento sobre Copacabana, sobre o Clube da Leitura, sigo minha vida, dou risadas e tudo mais, mas isso não anula meu sentimento de impotência e tristeza vendo os jornais. Ontem vi o filme do Ensaio Sobre a Cegueira e vi ali a metáfora da história humana. Quando estamos de fora é que vemos o quão absurdo são seres humanos matando outros seres humanos por bobagens. Era o que queria deixar aqui registrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-5345778757187148379?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/5345778757187148379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=5345778757187148379' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5345778757187148379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/5345778757187148379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/01/um-adendo-sobre-matana-na-faixa-de-gaza.html' title='Um adendo sobre a matança na Faixa de Gaza'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-4510331229537007793</id><published>2009-01-09T12:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T12:18:08.984-08:00</updated><title type='text'>Clube da Leitura e o exercício de ser um pouco mais macho</title><content type='html'>Essa semana aconteceu uma coisa legal mas eu não sou macho o suficiente pra agüentar, não ainda. Quem sabe chego lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem Copacabana?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;Tem Barata Ribeiro?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;Tem o Baratos da Ribeiro, ali pertim da Siqueira Campos?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;Ah, o nome do sebo é bom mesmo e é fidedigno: baratos mesmo! E bons, muito bons. Very very good.&lt;br /&gt;Continuando: tem o sebo.&lt;br /&gt;Aí, o que acontece?&lt;br /&gt;Tem a semana?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;Tem terça-feira?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;Quinzenalmente rola lá o clube da leitura, nesse lugar aí que eu disse que é nesse bairro aí que eu falei e que é no Rio de Janeiro (isso eu não tinha falado, erro im-per-do-á-vel!).&lt;br /&gt;Então, voltando: lá tem o clube da leitura que, de fato, pra mim, foi um grande achado de 2008. Um lugar onde as pessoas se reúnem para ler suas coisas e ler coisas alheias. Fica um monte de coisa sendo lida e um monte de coisa sendo comentada.&lt;br /&gt;Continuando:&lt;br /&gt;Tem 2009?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;Tem a primeira semana de 2009?&lt;br /&gt;Então.&lt;br /&gt;O primeiro clube da leitura calhou de ser na primeira semana e na primeira terça de 2009. &lt;br /&gt;Achei até que não ia ter o clube e de fato houve pouco conto dos participantes, daí que ficou disperso e interessante: a cada texto que se lia, mil e um comentários intermináveis. O pessoal estava frenético, maníaco, resquícios do réveillon!&lt;br /&gt;Aí eu levei meu novo livreto, já é o terceiro.&lt;br /&gt;Distribuí para algumas pessoas quando calhou de dar coragem. Sabe coragem? Pois é, isso aí é troço difícil... Nem sempre vem. É preciso catá-la nalgum canto de mim mesma e às vezes encontro migalhas, as quais aproveito ao máximo, sorvo-as desesperadamente e sempre dá certo (imagine se eu encontrasse mais pedaços de coragem!).&lt;br /&gt;Então, aí distribuí.&lt;br /&gt;Tem o Maurício?&lt;br /&gt;Então, não é que já no final de tudo, depois de ter lido o trecho dele, ele resolve pegar um livro gigante do Charles Dickens, falar que vai ler um texto dele e começar a ler um texto meu? MEU! Começou dizendo que se chamava Cláusulas e passou vagamente pela minha cabeça que eu tenho um texto com um nome igual. Leu a primeira linha e eu não atinei. Leu a segunda e só aí que eu acordei pra vida! Fiquei moooooooooooooorta de vergonha e não consegui: saí do recinto, fui lá pra fora e tive que ser resgatada pelo Ribas. Quase fumei um cigarro, mas não fumo. Vergonhíssima. Migalhas de coragem, cadê vocês, suas cachorras?!?! &lt;br /&gt;Mas de fato eu adorei o gesto. Ah, se fosse mais macho... Ficava lá. Só que não güento. Quer dizer, não tem trema mais, ah, foda-se, fico com o trema e não abro: não güento e fiz a desfeita de sair rubramente da sala e ficar rindo de nervoso lá fora. Ninguém diria que tenho um CRP... Deixa quieto, shhhhhh!&lt;br /&gt;Mas foi ótimo! Valeu a pena! Não fui macho pra ver a reação das pessoas, mas quem sabe um dia?&lt;br /&gt;Valeu a força, galera do Clube da Leitura!&lt;br /&gt;Ah, e tem também a Dani, a esposa sorridente do Maurício! Essa aí é muito legal também e adora beber as coisas mais doidas em festa de réveillon... &lt;br /&gt;Pois é, ela ainda botou meu texto lá na lista dos que estavam sendo lidos e se vi bem (pode ter sido uma alucinação visual sim) colocou um voto lá!!! Quase meti a cara na terra, mas o chão não tinha terra e eu não sou minhoca... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem o fim?&lt;br /&gt;Então: fim. &lt;br /&gt;Tem ps?&lt;br /&gt;Então, ps: Cláusulas é um texto que fiz tropeçado e soluçado (não no sentido de choro, mas no sentido de repentino, que fiz aqui pro blog e que retoquei pouquinho... Sobrou uma pag em branco do livreto e achei q valia a pena, já que havia tido comentários...).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-4510331229537007793?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/4510331229537007793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=4510331229537007793' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4510331229537007793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/4510331229537007793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/01/clube-da-leitura-e-exerccio-de-ser-um.html' title='Clube da Leitura e o exercício de ser um pouco mais macho'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8967224422796646682.post-6687493346657759591</id><published>2009-01-06T12:51:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T12:34:05.301-08:00</updated><title type='text'>Causo de Livraria (Pode apostar que é verídico)</title><content type='html'>O dia era domingo. Anderson estava na livraria em que trabalhava. O ambiente era calmo, algum movimento. Veroniquinha, sua namorada fofa e sagaz, lia um livro sentada num banco, um pouco desatenta, um pouco concentrada. Anderson entretia-se com seus afazeres de livreiro, que Veroniquinha não sabia muito bem quais poderiam ser, além de atender os clientes, procurar livros, receber o dinheiro e dar o troco, quando havia troco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas mulheres lá dos seus cinqüenta, ops!, cinquenta anos, entraram na loja e se encantaram com os enfeites de quadrinhos da Mafalda.  Veroniquinha sempre levantava os olhos quando alguém novo entrava ou quando alguém comentava algo em tom de voz mais alto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali a pouco, as duas mulheres se aproximam do balcão, onde Anderson está entretido com aquelas coisas que Veroniquinha não sabia muito bem quais eram. Agora ele ia começar a se entreter com coisas que ela sabia quais eram: atender clientes em suas dúvidas. E as clientes eram loiras. Mas era um loiro pintado, tendendo ao dourado. Foi só nisso que Veroniquinha reparou, o que nada significava, até que ouviu a voz de uma delas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta, esse filósofo novo que estão falando... esse Alan... Alan... alguma coisa... que o pessoal tá falando muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando começa assim, Veroniquinha já não agüenta. "Filósofo novo que o pessoal tá falando muito" é altamente suspeito. É o impulso para a irritação maior. Mas sua cara terá de continuar bem paisagística. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse Alan... por acaso é esse Alan Poe que estão falando? - e Veroniquinha deduz que o livro que ela aponta a Anderson é um livro do Edgar Allan Poe. Não vai ser fácil continuar mantendo a cara de paisagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não... - ela ouve a voz de Anderson tentando ser solícito, tentando também ser uma voz de paisagem... - Não, esse não... Deve ser o Alain de Botton. Eu vou ver aqui pra senhora, um minutinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson passa por Veroniquinha, que terá de se refazer para prosseguir na leitura, e seus olhos se cruzam numa velocidade quase incontável, com certeza inconteste! E são olhares de paisagem e queixo enrugadinho de quem quase tem que fazer força para não rir ou comentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8967224422796646682-6687493346657759591?l=vaganoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vaganoite.blogspot.com/feeds/6687493346657759591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8967224422796646682&amp;postID=6687493346657759591' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6687493346657759591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8967224422796646682/posts/default/6687493346657759591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vaganoite.blogspot.com/2009/01/causo-de-livraria.html' title='Causo de Livraria (Pode apostar que é verídico)'/><author><name>Vivian HP</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04090878705825917603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
