sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Seqüência

6h30. manhã. domingo. estela no morro. morro é palavra polissêmica. ela lá, junto com o carlos, que bebera umas cervejas e carregava outras. não parava de falar. toca o telefone. ela olha para o número. não reconhece. diz: não sei quem é. carlos: atende. estela: alô. era o sérgio. há quanto tempo. mas ela não diz nada, porque demora a atinar que era o sérgio. ele sumira há três meses, após o problemão. há certas classes de problemas que. fala com ele: ah, é você! carlos vai se irritando. zanza pra lá, zanza pra cá. estela e sérgio no telefone. carlos fica puto. grita. estela desliga, sérgio liga de novo, estela atende, carlos zanza, carlos puto, estela e sérgio no telefone, carlos gritando. diz que vai voltar pra onde veio. estela sozinha no morro. não sabe como voltar pra casa porque também não sabe muito bem como fora para ali. sérgio diz: onde você está? sérgio avisa: vou te pegar aí. leva estela pra casa. conversam sobre a vida e sobre eles. há três meses não se falavam. dormem juntos. ele manda uma mensagem para o celular dela dois dias depois. mensagem carinhosa. nos outros dias, silêncio. ela fica sem entender. porque o silêncio se estende e ela não sabe como romper. por que o silêncio se estende e ela não sabe como romper? ela não quer romper. ela quer romper. e, quando rompe, dá tudo errado pela segunda vez. ela quer entender. ela não consegue entender. silêncio é acontecimento polissêmico.